Os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos captaram US$ 137 milhões na quarta-feira e emendaram a terceira sessão consecutiva de aporte líquido, movimento que devolveu a outubro um saldo positivo de US$ 111 milhões, a duas sessões do encerramento do mês.

A soma dos três dias de captação chega a cerca de US$ 424 milhões. O número ganha peso porque, até terça-feira, o mês seguia no vermelho: quase US$ 774 milhões haviam sido resgatados nos dois últimos pregões da semana anterior.

Como o placar virou

ETF spot é um fundo negociado em bolsa que mantém o ativo à vista — no caso, Bitcoin — e replica sua cotação, dando ao investidor acesso ao mercado cripto por meio de uma corretora tradicional. A entrada líquida corresponde à diferença entre aportes e resgates, e é esse vaivém que o mercado passou a acompanhar como termômetro da demanda institucional. Os números são da SoSoValue.

FundoFluxo na quarta-feiraSaldo acumulado em outubro
ETFs spot de Bitcoin (EUA)+ US$ 137 milhões+ US$ 111 milhões
ETFs de Ether (EUA)− US$ 21 milhões− US$ 1,35 bilhão

Fed para, discurso segue duro

A virada dos fluxos aconteceu no mesmo dia da reunião do Federal Reserve. A autoridade monetária americana manteve a taxa de referência na faixa de 3,75% a 4%, e o presidente da instituição, Kevin Warsh, alertou que a inflação segue acima do alvo de 2%. O tom hawkish — inclinação a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo — costuma penalizar ativos de risco, o que dá contorno mais relevante à recuperação dos fundos de Bitcoin.

Preço, humor e o divórcio com o Ether

O Bitcoin era cotado a US$ 79.848 no momento da apuração, com baixa de cerca de 1% nas 24 horas anteriores, segundo a CoinGecko. O Índice de Medo e Ganância Cripto marcava 51, leitura classificada como Neutro e idêntica à do dia anterior.

A discrepância aparece nos fundos de Ether: US$ 21 milhões saíram na quarta-feira, elevando o resgate líquido de outubro a US$ 1,35 bilhão. A segunda maior criptomoeda valia US$ 2.310, com perda de 1,7% no mesmo intervalo de 24 horas.

O que os números dizem — e o que não dizem

Fluxo de ETF mede intenção de alocação, não direção de preço. Três sessões de aportes representam alívio, mas o mês só ficou positivo porque a última semana compensou a sangria anterior; um novo bloco de resgates é suficiente para inverter o placar outra vez.

É preciso separar conjuntura de humor. Juros americanos elevados mantêm o rendimento dos Treasuries — os títulos do Tesouro dos EUA — em patamar atrativo, e papéis de maior risco disputam capital com essa referência. Enquanto a inflação não se aproximar da meta de 2%, a margem para cortes relevantes de juros permanece estreita.

Para quem acompanha cripto a partir do Brasil, dois fatores entram na conta: a exposição em dólar e o horário de funcionamento dos fundos americanos, que não operam 24 horas como o mercado à vista. A diferença de desempenho entre Bitcoin e Ether também indica que a preferência dentro da classe cripto segue concentrada no ativo de maior capitalização.

Pontos de atenção para as próximas sessões

  • As duas últimas sessões de negociação de outubro, que definem o saldo final do mês;
  • O comportamento do dólar e dos rendimentos dos Treasuries, referências de apetite por risco;
  • Se o ritmo de saída de recursos dos ETFs de Ether continua acelerado;
  • A leitura do Índice de Medo e Ganância, hoje em território neutro.