A indústria brasileira de ETFs ganhou ontem novas opções para investidores interessados em renda fixa. A Itaú Asset anunciou o lançamento de quatro fundos 100% atrelados a títulos públicos, ampliando seu portfólio e aproveitando a expansão do mercado que já soma R$ 42 bilhões em ativos sob gestão (AUM). Os novos produtos chegam num momento em que o setor prepara-se para mudanças regulatórias e aumento da competição.

Nova geração de ETFs

Os três ETFs vinculados ao Tesouro IPCA+ foram batizados com tickers que combinam anos de vencimento e característica do produto:

TickerVencimentoDuraçãoIR sobre ganhosTaxa administração
TD35112035Curto prazo15%Não declarado
TD50112050Médio prazo15%Não declarado
TD60112060Longo prazo15%Não declarado

A quarta novidade, 5PRE11, opera com títulos prefixados de duração média próxima a cinco anos, tornando-se o ETF do segmento mais alongado do Brasil. O fundo permite aplicações a partir de R$ 50,00 com taxa de administração de 0,25% ao ano, mantendo a mesma legislação tributária dos irmãos vinculados à inflação.

Estratégia de posicionamento

"Nossos modelos indicam que ETFs com exposição ao comprimento da curva de juros se beneficiarão de cortes na Selic. Estudos apontam que a taxa básica pode alcançar 8% em 2026, criando ambiente favorável para produtos atrelados a títulos de longo prazo", ressaltou Renato Eid, superintendente da Itaú Asset.

O executivo refere-se ao conceito de duration mismatch, onde fundos com maior convexidade no vencimento tendem a apreciar seu valor patrimonial em contextos de redução de taxas básicas. O reinvestimento automático dos cupons — mecanismo liberado pela CVM para ETFs de renda fixa em 2023 — adiciona eficiência operacional e isenção de custos transacionais para cotistas.

O que isso significa para o investidor

Os novos ETFs ampliam o leque de estratégias para PFs que buscam alocação passiva em renda fixa. Investidores que concordam com o cenário de queda da Selic para 8% em 2026 podem utilizar os ETFs Tesouro IPCA+ com vencimentos mais distantes. Os produtos apresentam duration ajustável ao perfil do investidor, desde os conservadores (TD3511) até os que aceitam mais volatilidade (TD6011 e 5PRE11).

Mas há nuances importantes: enquanto os ETFs de IPCA+ oferecem proteção contra surpresas inflacionárias, o 5PRE11 carrega risco de duration, com sua valorização dependendo criticamente do movimento da curva de juros. O cenário atual de Selic em 10,75% mantém os títulos prefixados subavaliados, mas uma desaceleração da inflação pode mudar esse quadro.

Riscos envolvidos

Apesar do perfil defensivo dos títulos públicos, o produto não está isento de riscos:

  • Precificação de juros futuros: Se a Selic permanecer acima de 9% após 2026, os ETFs com duration mais longa sofrerão depreciação;
  • Liquidez intraday: Novos ETFs podem enfrentar assimetria entre valor patrimonial e preço no pregão;
  • Movimento fiscal do governo: Aumento da emissão de títulos pode impactar curva de juros;
  • Desdobramentos eleitorais: Incertezas macroeconômicas podem afetar prêmios de risco.

Próximos passos

Todos os ETFs já estão disponíveis nos canais digitais da Itaú Asset. O monitoramento da curva de juros brasileira nos próximos trimestres determinará o sucesso desta estratégia. A projeção dos analistas é que, com Selic em queda, o volume do 5PRE11 alcance R$ 2 bilhões dentro de 12 meses. A CVM deve iniciar consulta pública ainda em 2025 sobre novas regras de ETFs que poderão impactar esta categoria de produtos.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.