A Even (EVEN3), incorporadora com forte atuação no mercado de alta renda em São Paulo, encerrou o quarto trimestre de 2025 com um lucro líquido de R$ 44,870 milhões. O resultado representa um crescimento expressivo de 47,4% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, consolidando um ciclo de recuperação de rentabilidade. O desempenho foi sustentado pela entrega de projetos com margens superiores e por uma base comparativa de despesas mais favorável.
Desempenho Financeiro e Eficiência Operacional
A receita líquida da companhia atingiu R$ 484,361 milhões entre outubro e dezembro, um avanço de 7,6% em termos anuais. O grande destaque do balanço, contudo, reside na Margem Bruta Ajustada — indicador que mede a rentabilidade bruta desconsiderando efeitos contábeis específicos —, que saltou para 38,6%, uma expansão de 6,7 pontos percentuais.
| Indicador Financeiro (4T25) | Valor Reportado | Variação Anual (YoY) |
|---|---|---|
| Lucro Líquido | R$ 44,87 milhões | +47,4% |
| Receita Líquida | R$ 484,36 milhões | +7,6% |
| Margem Bruta Ajustada | 38,6% | +6,7 p.p. |
| Despesas Operacionais | R$ 93,59 milhões | -28,1% |
A redução drástica de 28,1% nas despesas operacionais é explicada, em grande parte, pela ausência de itens não recorrentes (eventos extraordinários que não tendem a se repetir). No quarto trimestre de 2024, a Even havia provisionado R$ 71,6 milhões referentes a um acordo judicial no empreendimento Fasano Itaim e baixas contábeis de terrenos no Rio de Janeiro. Sem esses impactos negativos, a estrutura de custos mostrou-se mais limpa no período atual.
Dinâmica de Vendas e Estoques em 2025
Ao observar o acumulado de 2025, a Even reportou um lucro líquido de R$ 237,691 milhões, montante 5,6 vezes superior ao registrado em 2024. No entanto, a receita líquida anual recuou 11%, totalizando R$ 1,920 bilhão. A estratégia da empresa focou em unidades de altíssimo padrão, com preço médio por apartamento atingindo R$ 5,2 milhões.
As vendas líquidas somaram R$ 2 bilhões no ano, alta de 46,5%. A VSO (Venda Sobre Oferta), que mede a velocidade com que os imóveis são comercializados, subiu de 33% para 38,1%. Por outro lado, o estoque de imóveis subiu 25%, encerrando o ano em R$ 3,5 bilhões, sendo que 9,8% deste montante refere-se a unidades já prontas.
Estrutura de Capital e Endividamento
Um ponto de atenção no balanço foi o aumento da alavancagem financeira (relação entre dívida e capital próprio). A dívida líquida da Even saltou para R$ 513,823 milhões, um incremento de 72,4% em apenas um trimestre. Com isso, a alavancagem subiu de 13,1% para 23,4%. Além disso, a companhia reportou uma queima de caixa de R$ 63,763 milhões no quarto trimestre.
O que isso significa para o investidor
O resultado da Even demonstra resiliência operacional em um nicho que sofre menos com a volatilidade econômica: o de luxo e altíssimo padrão. A expansão das margens indica que os lançamentos recentes possuem maior valor agregado. Entretanto, o investidor deve monitorar de perto a trajetória da dívida e o nível dos estoques, especialmente em um cenário onde a taxa Selic (taxa básica de juros) elevada encarece o financiamento imobiliário e pressiona o custo da dívida corporativa. A estratégia de seletividade nos lançamentos pode ser um mecanismo de defesa importante para preservar o caixa em 2026.
Riscos Identificados
- Cenário Macroeconômico: Manutenção de taxas de juros elevadas que podem desestimular a demanda ou encarecer o crédito.
- Pressões Inflacionárias: Potencial aumento nos custos de construção e insumos básicos.
- Crescimento do Estoque: O aumento de 25% no estoque disponível pode gerar custos de manutenção maiores se a velocidade de venda (VSO) não acompanhar o ritmo de lançamentos.
Perspectiva e Próximos Passos
Para 2026, a diretoria da incorporadora sinaliza cautela. O foco permanecerá na execução das vendas do estoque atual e na análise criteriosa de viabilidade para cada novo projeto. O mercado deve observar se a companhia conseguirá estabilizar a alavancagem financeira enquanto lida com um ambiente de juros restritivos.
