Produção recorde e EBITDA quase dobrado nos nove meses

A Aura Minerals (NASDAQ: AUGO; B3: AURA33) divulgou, em fato relevante de 05/11/26, os resultados do terceiro trimestre e dos nove meses de 2026, com produção total recorde de 95.557 GEO no 3T26 e EBITDA Ajustado de US$677,4 milhões no acumulado do ano. No mesmo comunicado, a companhia anunciou um acordo para internalizar a frota de mina que hoje é operada por uma empreiteira.

“Entregamos resultados fortes hoje enquanto construímos um caminho claro para ultrapassar 600 mil GEO por ano”, afirmou Rodrigo Barbosa, presidente e CEO da Aura.

Produção por operação

A produção do trimestre cresceu 27% frente ao 2T26 e 29% em relação ao 3T25, a preços atuais dos metais. No acumulado dos nove meses, a Aura produziu 253.131 GEO, alta de 28% sobre o mesmo período de 2025, segundo o comunicado. A companhia afirma que o resultado está alinhado ao guidance consolidado de 340 mil a 390 mil GEO para 2026.

Operação3T26 (GEO)2T26 (GEO)Var. tri.
Aranzazu24.92017.882+39%
Apoena6.8655.704+20%
Minosa13.34414.284-7%
Almas14.26416.130-12%
Borborema22.84214.251+60%
MSG13.3217.186+85%
Total95.55775.437+27%

Segundo a companhia, o desempenho de Borborema, que registrou recorde trimestral, veio de teores mais altos e maior volume processado. Em MSG, o avanço do turnaround e o aumento dos teores também contribuíram para a alta.

Resultados financeiros

  • Receita líquida: US$386,0 milhões no 3T26, alta de 15% no trimestre e de 56% na comparação anual. Nos 9M26, somou US$1.104,6 milhões, com avanço de 84%.
  • EBITDA Ajustado: US$236,9 milhões no 3T26, 20% acima do 2T26. Nos 9M26, o valor ficou 24% acima de todo o ano de 2025.
  • Lucro líquido: US$135,0 milhões no 3T26, queda de 38% frente ao 2T26, principalmente pela menor marcação a mercado dos derivativos de ouro (US$12,7 milhões no 3T26, ante US$126,0 milhões no 2T26).
  • Lucro líquido ajustado: US$121,2 milhões no 3T26, alta de 24% no trimestre, excluindo o efeito não caixa dos derivativos.
  • Fluxo de caixa livre recorrente: US$123,5 milhões no 3T26, alta de 54% no trimestre. Nos 9M26, somou US$295,0 milhões.
  • Alavancagem: dívida líquida de US$178,8 milhões, equivalente a 0,20x o EBITDA Ajustado LTM.
  • AISC: US$1.953 por GEO no 3T26, queda de 2% frente ao 2T26.

O preço médio realizado foi de US$4.202/oz para o ouro e de US$6,46/lb para o cobre no 3T26, conforme o comunicado.

Entenda os termos

  • GEO: onça equivalente de ouro, unidade que soma a produção de diferentes metais em uma medida única.
  • AISC: custo total sustentável por unidade produzida, que inclui custos operacionais e de manutenção.
  • FCLR: fluxo de caixa livre recorrente, o caixa gerado após investimentos recorrentes.
  • EBITDA Ajustado: lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ajustado conforme a metodologia da companhia.

Projetos de crescimento

Segundo o comunicado, a Era Dorada segue dentro do prazo e do orçamento, com 13,1% de avanço físico. O canteiro reúne cerca de 795 pessoas, sendo 57% de Asunción Mita. A companhia informou mais de 711 mil horas trabalhadas e 622 dias sem acidentes com afastamento.

As expansões de Almas e Borborema estão em andamento. A Aura também afirma que a meta de médio prazo é superar 600 mil GEO por ano.

Internalização da frota de mina

Em 2 de outubro de 2026, a Aura anunciou a assinatura de acordo definitivo para adquirir uma empresa (“Newco”) que detém a frota de mina, os arrendamentos de equipamentos e a equipe dedicada, hoje operados por uma empreiteira nas minas de Apoena, Almas e Borborema. A transição está prevista para janeiro de 2027. O MSG já opera a própria frota.

O valor da empresa (Enterprise Value) acordado é de R$612 milhões (cerca de US$118 milhões, a R$5,18/US$). Até R$250 milhões serão pagos em dinheiro. O restante corresponde à assunção de financiamentos de arrendamento de equipamentos existentes e a pagamentos contingentes, parte deles condicionada ao desempenho durante a transição.

A companhia estima, com base em projeções internas, que a internalização pode reduzir o AISC entre US$150 e US$200 por onça de ouro vendida, na média ponderada das três operações, a partir de 2027.

Empréstimo sindicalizado de US$200 milhões

Em 18 de setembro de 2026, a Aura contratou um empréstimo sindicalizado de US$200 milhões, a SOFR + 2,70% ao ano, com dois anos de carência e prazo total de cinco anos. Segundo a companhia, a operação diversifica as fontes de financiamento e apoia a construção de Era Dorada, a expansão de Almas, a expansão prevista de Borborema e a meta de superar 600 mil GEO por ano.

O que muda para investidores

  • Frota própria: a conclusão da internalização depende de condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A redução de custos citada pela companhia é uma estimativa interna.
  • Pagamentos: parte do valor será paga em caixa, e outra parte depende de pagamentos contingentes, alguns condicionados ao desempenho na transição.
  • Resultados: o lucro líquido reportado foi influenciado pela marcação a mercado dos derivativos de ouro. Já o lucro ajustado, que exclui esse efeito, foi mais estável no comparativo.
  • Acompanhamento: os pontos que o comunicado coloca em evidência são a execução do guidance de 2026, o cronograma da Era Dorada e a transição da frota em 2027.

Próximo marco

A companhia realizará teleconferência de resultados em 6 de novembro de 2026, às 11h (Brasília), segundo o comunicado.