Principais pontos

  • O preço corresponde exatamente ao investimento inicial no projeto, de modo que a operação devolve integralmente o capital aportado, sem lucro ou prejuízo, informou a companhia.
  • A estrutura resultante situa-se em patamar próximo a 75% de capital de terceiros e 25% de capital próprio, o que equivale a elevar em aproximadamente 2,5 vezes a parcela de recursos próprios.
  • A consumação da operação está sujeita a condições precedentes usuais e à obtenção das anuências e aprovações aplicáveis, inclusive perante o Poder Concedente.

A Azevedo & Travassos (AZEV3, AZEV4) alienou a totalidade das cotas que detinha no Azevedo & Travassos Infraestrutura I FIP Infra para a Quimassa Infraestrutura Ltda., acionista da Rota Mogiana SPE S.A., por R$ 43.546.000,00, segundo fato relevante divulgado em 01 de setembro de 2026.

O preço corresponde exatamente ao investimento inicial no projeto, de modo que a operação devolve integralmente o capital aportado, sem lucro ou prejuízo, informou a companhia.

A alienação não decorre de reavaliação do mérito ou da qualidade operacional do ativo, mas exclusivamente da alteração de seu perfil de risco-retorno para o acionista.

Mecânica da operação

A operação complementa o fato relevante divulgado em 26 de agosto de 2026 e restringe-se à titularidade das cotas, sem alteração na estrutura do Fundo, que permanece detentor da participação no capital social da concessionária.

Ficam mantidos o administrador Planner Corretora de Valores S.A. e o gestor 4i Capital Ltda., preservando a continuidade da governança e da administração do veículo, segundo o comunicado.

ItemCondição divulgada
Ativo vendidoTotalidade das cotas do Azevedo & Travassos Infraestrutura I FIP Infra
CompradoraQuimassa Infraestrutura Ltda., acionista da Rota Mogiana SPE S.A.
PreçoR$ 43.546.000,00, sem lucro ou prejuízo
Estrutura originalAproximadamente 90% de capital de terceiros e 10% de capital próprio, com mini-perm de quatro anos
Estrutura atualPróximo a 75% de capital de terceiros e 25% de capital próprio, com bridge loan de dois anos

Por que a companhia decidiu vender

A companhia informou que a operação foi concebida, à época do certame, sobre estrutura composta por aproximadamente 90% de capital de terceiros e 10% de capital próprio.

Ao longo da estruturação financeira, a abertura de spreads, a retração da demanda por títulos incentivados de infraestrutura e o encurtamento das janelas de captação, em contexto de tensões geopolíticas e de incerteza quanto ao cenário fiscal doméstico, inviabilizaram essa arquitetura, impondo sua substituição por financiamento-ponte de dois anos.

A estrutura resultante situa-se em patamar próximo a 75% de capital de terceiros e 25% de capital próprio, o que equivale a elevar em aproximadamente 2,5 vezes a parcela de recursos próprios.

Essa mudança representa exposição adicional superior a R$ 150 milhões, montante que excede o limite de exposição a um único projeto estabelecido na política de gestão de riscos da companhia.

Segundo o fato relevante, restrições como aportes complementares em caso de elevação da curva de juros, limitações à distribuição de dividendos pela concessionária e limitações de endividamento e covenants operacionais na holding foram avaliadas no investimento original. Na arquitetura original, incidiam sobre um mini-perm de quatro anos, com refinanciamento previsto no mercado de capitais e BNDES. Na arquitetura atual, incidem sobre um bridge loan de dois anos, integralmente exigível no vencimento, e sobre uma base de capital próprio 2,5 vezes maior.

O que muda para investidores

  • Recomposição integral dos recursos aportados, sem lucro ou prejuízo.
  • Exoneração do compromisso adicional de capital próprio superior a R$ 150 milhões.
  • Preservação da capacidade de endividamento e da flexibilidade operacional do grupo.
  • Reforço da liquidez em ambiente macroeconômico de elevada incerteza, segundo a companhia.
  • Manutenção da estratégia em infraestrutura, com concessões atuais e análise de novos projetos com perfil de risco compatível com a política de alocação de capital.

Próximos passos

A consumação da operação está sujeita a condições precedentes usuais e à obtenção das anuências e aprovações aplicáveis, inclusive perante o Poder Concedente.

A companhia, por meio do diretor de Relações com Investidores Bernardo Negredo Mendonça de Araújo, reafirmou o compromisso com a transparência e informou que manterá acionistas e mercado informados sobre desdobramentos relevantes.