Visão geral

A Braskem S.A. (BRKM3; BRKM5) divulgou em 29 de outubro de 2026 o Relatório de Produção e Vendas do 3T26, com dados preliminares e não revisados pelo auditor independente. O documento detalha o resumo operacional, o desempenho por segmento e os spreads petroquímicos.

No Brasil/América do Sul, a taxa de utilização de eteno ficou em 69%, em linha com o 2T26 (-1 p.p.) e acima do 3T25 (+4 p.p.). As vendas de resinas somaram 854 kt, alta de 12% ante o 2T26 e 9% ante o 3T25. As exportações de resinas foram 240 kt (+37% e +5%, respectivamente). As vendas de principais químicos caíram para 574 kt (-4% e -18%). A utilização de eteno verde foi 47% (-19 p.p. vs 2T26; +7 p.p. vs 3T25), e as vendas de PE Verde somaram 31 kt (-19% e -29%).

Principais indicadores do 3T26

Indicador3T262T263T25Var. vs 2T26Var. vs 3T25
Taxa de utilização de eteno (Brasil)69%70%65%-1 p.p.+4 p.p.
Vendas de principais químicos (Brasil)574 kt598 kt700 kt-4%-18%
Vendas de resinas (Brasil)854 kt763 kt787 kt+12%+9%
Vendas de resinas para exportação (Brasil)240 kt175 kt229 kt+37%+5%
Utilização de eteno verde (Brasil)47%66%40%-19 p.p.+7 p.p.
Vendas de PE Verde (Brasil)31 kt39 kt44 kt-19%-29%
Utilização EUA e Europa74%76%79%-2 p.p.-5 p.p.
Vendas EUA e Europa489 kt499 kt495 kt-2%-1%
Spread médio PP EUA e EuropaUS$ 402/tUS$ 469/tUS$ 361/t-14%+11%
Utilização México62%43%47%+19 p.p.+15 p.p.
Vendas México159 kt125 kt146 kt+28%+9%
Spread PE MéxicoUS$ 921/tUS$ 1.425/tUS$ 724/t-35%+27%

No acumulado de 9M26, as vendas de resinas no Brasil somaram 2.399 kt (-1% vs 9M25), as vendas de principais químicos 1.794 kt (-9%), as exportações de resinas 597 kt (-8%) e as vendas de PE Verde 96 kt (-26%). Nos EUA e Europa, as vendas foram 1.485 kt (-1%); no México, 424 kt (-13%).

Desempenho por segmento

Brasil/América do Sul

A taxa média de utilização das centrais petroquímicas ficou em linha (-1 p.p.) ante o 2T26, com menor produção na Bahia e em São Paulo por otimização de estoques, parcialmente compensada pelo Rio Grande do Sul, que teve maior disponibilidade de matéria-prima e normalização após manutenção programada no 2T26. Na comparação com o 3T25, a taxa subiu +4 p.p., principalmente pela normalização no Rio de Janeiro após parada programada no 3T25.

As vendas de resinas no mercado brasileiro cresceram 12% vs 2T26 e 9% vs 3T25, segundo o documento, pela estratégia comercial de ampliar participação em segmentos prioritários. As exportações de resinas subiram 37% e 5%, respectivamente, com maior disponibilidade de produto.

As vendas de principais químicos no mercado brasileiro caíram 4% vs 2T26, por menor volume de gasolina, com priorização de vendas de maior valor agregado, e de paraxileno, por menor disponibilidade. Houve compensação parcial por cumeno, após parada de cliente no 2T26, e eteno, por maior demanda. Vs 3T25, a queda foi 18%, com menor gasolina, benzeno, após fechamento permanente de ativo de cliente, e paraxileno. As exportações de principais químicos somaram 67 kt (+11% vs 2T26; +56% vs 3T25), com maior embarque de benzeno, gasolina e paraxileno.

A utilização de eteno verde caiu 19 p.p. vs 2T26, por parada programada de 33 dias na central do Rio Grande do Sul, concluída em outubro de 2026. Vs 3T25, subiu 7 p.p., pela normalização após otimização de estoques. As vendas de PE Verde caíram 19% vs 2T26 e 29% vs 3T25, por menor disponibilidade, menor demanda, gestão de estoques na cadeia e condições macroeconômicas voláteis.

Estados Unidos e Europa

A taxa média de utilização das plantas de PP foi 74%, queda de 2 p.p. vs 2T26 e de 5 p.p. vs 3T25. A companhia atribui o movimento ao menor volume de produção na Europa, após evento climático que afetou a logística e restringiu a disponibilidade de propeno, e, na comparação anual, também à recomposição de estoques nos EUA no 3T25.

As vendas de PP somaram 489 kt, queda de 2% vs 2T26 e estabilidade vs 3T25. O recuo ante o 2T26 refletiu menor disponibilidade na Europa e antecipações de compras nos EUA no trimestre anterior, diante das incertezas do conflito no Oriente Médio.

México

A taxa média de utilização das plantas de PE foi 62%, alta de 19 p.p. vs 2T26 e de 15 p.p. vs 3T25, com maior volume de etano importado e maior fornecimento da PEMEX. O etano importado via TQPM somou 27,3 mil barris por dia no 3T26, ante 14,7 mil no 2T26. O fornecimento da PEMEX foi de 13,2 mil barris por dia, ante 11,8 mil.

As vendas de PE somaram 159 kt, alta de 28% vs 2T26 e 9% vs 3T25, com maior disponibilidade de produto. O trimestre também foi marcado pelo avanço da reestruturação financeira da Braskem Idesa, com anúncio de acordo abrangente e consensual com seus principais stakeholders.

Spreads petroquímicos

Spread3T262T263T25Var. vs 2T26Var. vs 3T25
Resinas (Brasil)US$ 372/tUS$ 653/tUS$ 355/t-43%+5%
Principais Químicos (Brasil)US$ 539/tUS$ 620/tUS$ 360/t-13%+50%
PE EUA (Mix Brasil)US$ 419/tUS$ 866/tUS$ 408/t-52%+3%
PP ÁsiaUS$ 385/tUS$ 457/tUS$ 309/t-16%+24%
PVC ÁsiaUS$ 219/tUS$ 333/tUS$ 323/t-34%-32%
PP EUAUS$ 551/tUS$ 595/tUS$ 441/t-7%+25%
PP EuropaUS$ 18/tUS$ 145/tUS$ 155/t-88%-88%
Spread médio PP EUA e EuropaUS$ 402/tUS$ 469/tUS$ 361/t-14%+11%
PE EUA (Mix México)US$ 921/tUS$ 1.425/tUS$ 724/t-35%+27%

O documento afirma que a expectativa de resolução do conflito no Oriente Médio e a demanda global mais moderada reduziram os preços das principais matérias-primas petroquímicas, normalizando os spreads após a alta do trimestre anterior. Entre as referências, o Brent ficou em US$ 97/bbl (vs US$ 104 no 2T26 e US$ 69 no 3T25), o gás natural em US$ 2,87/MMBtu (vs US$ 2,95 e US$ 3,03), a nafta em US$ 763/t (vs US$ 808 e US$ 558) e o EDC EUA em US$ 213/t (vs US$ 229 e US$ 75). O PE EUA (Mix Brasil) ficou em US$ 1.097/t (vs US$ 1.581 e US$ 915), o PP Ásia em US$ 1.148/t (vs US$ 1.265 e US$ 868) e o PVC Ásia em US$ 785/t (vs US$ 963 e US$ 690).

No Brasil, o spread de resinas caiu 43% vs 2T26, com PE nos EUA -31% por excesso de oferta e estoques elevados na América do Norte, nafta -6% e petróleo -7%. Vs 3T25, o spread subiu 5%. O spread de PP caiu 16% vs 2T26, com PP Ásia -9% por maior oferta na China e demanda moderada. O spread de PVC caiu 34% vs 2T26, com PVC -19% por menor demanda na construção civil asiática e EDC -7%; vs 3T25, recuou 32%, com EDC +183%.

Nos EUA e Europa, o spread médio de PP ficou em US$ 402/t, queda de 14% vs 2T26 e alta de 11% vs 3T25. O spread de PP Europa recuou para US$ 18/t, queda de 88% nas duas comparações. No México, o spread de PE ficou em US$ 921/t, queda de 35% vs 2T26 e alta de 27% vs 3T25.

No acumulado de 9M26, os spreads de resinas no Brasil somaram US$ 461/t (+23% vs 9M25), os de principais químicos US$ 491/t (+35%), o spread médio de PP EUA e Europa US$ 413/t (+11%) e o spread de PE México US$ 1.057/t (+41%).

O que muda para investidores

O relatório é operacional e preliminar, não revisado pelo auditor independente, e não traz, no trecho divulgado, decisão de dividendo, guidance ou revisão de resultados. Para o investidor, os dados mostram volumes maiores de resinas no Brasil e de PE no México no 3T26, enquanto os spreads de resinas e de principais químicos no Brasil caíram ante o 2T26. A leitura de rentabilidade, portanto, tende a depender da combinação entre volumes, preços de matérias-primas e spreads, conforme a companhia descreve no documento.