A Iguatemi S.A. informou, em fato relevante divulgado em 5 de novembro de 2026, que participará, por meio de uma controlada, do desenvolvimento de um complexo imobiliário multiuso de alto padrão com hotel e residências sob a marca Four Seasons na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo. O projeto é feito em associação com o Grupo Catuaí, e a fatia da companhia será de 44%, por meio de uma sociedade de propósito específico (SPE).

Segundo o documento, a participação exigirá desembolsos estimados em aproximadamente R$ 300 milhões, distribuídos ao longo dos próximos quatro anos, entre 2027 e 2030. A companhia projeta uma Taxa Interna de Retorno (TIR) nominal e desalavancada de 18% ao ano para a sua fatia no empreendimento.

Ficha do evento

ItemDado
EmpresaIguatemi S.A.
ParceiroGrupo Catuaí
OperadoraFour Seasons
Participação44%, via SPE
Terreno~3,7 mil m² entre Amauri e Jerônimo da Veiga
Andares26
Hotel104 acomodações
Apartamentos com serviços35 unidades à venda
Residencial10 unidades (9 aptos de ~750 m² e 1 cobertura de ~1.200 m²)
Desembolso~R$ 300 milhões entre 2027 e 2030
TIR estimada18% ao ano
Inauguração previstafinal de 2030

O empreendimento em números

O edifício de 26 andares combinará três componentes: um hotel de 104 acomodações, 35 apartamentos com serviços hoteleiros destinados à venda (entregues equipados e com interiores finalizados, que poderão integrar o programa de locação da Four Seasons) e 10 unidades residenciais — nove apartamentos de aproximadamente 750 m² cada e uma cobertura de aproximadamente 1.200 m².

O complexo contará ainda com três restaurantes, bar, espaço para eventos, spa, piscina e academia. O projeto arquitetônico é assinado pelo David Chipperfield Architects, liderado pelo arquiteto britânico Sir David Chipperfield, vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura em 2023 — será o primeiro projeto do escritório na América do Sul.

A Four Seasons, que segundo o fato relevante opera atualmente 135 hotéis e resorts e 59 propriedades residenciais em 47 países, será responsável pela operação do hotel.

A previsão atual é que o Four Seasons São Paulo seja inaugurado no final de 2030, sujeito ao cronograma de desenvolvimento e à obtenção das aprovações necessárias.

Racional estratégico declarado

A companhia afirma que o portfólio reúne 22 propriedades, entre shopping centers, outlets e complexos imobiliários de uso misto com torres comerciais, e que o projeto adicionará a esse conjunto um ativo único no segmento de hospitalidade na região da Faria Lima.

O documento sustenta que a iniciativa é uma extensão natural da plataforma da Iguatemi e da estratégia de acompanhar os clientes em diferentes momentos de sua jornada, aprofundando a relação com o público de alta renda já atendido por empreendimentos como Iguatemi São Paulo, JK Iguatemi e Pátio Higienópolis, além das operações da iRetail.

A parceria é descrita como complementar: o Catuaí contribuiria com experiência em incorporação e desenvolvimento de ativos imobiliários; a Iguatemi, com relacionamento com o público de alta renda, curadoria de marcas e concepção de propriedades; e a Four Seasons, com a operação hoteleira.

O que muda para investidores

  • Perfil do investimento: o projeto é um aporte de longo prazo, com desembolsos entre 2027 e 2030 e inauguração prevista para o final de 2030 — ou seja, o retorno esperado se materializa bem à frente do caixa desembolsado hoje.
  • Retorno projetado: a TIR nominal e desalavancada estimada para a fatia da Iguatemi é de 18% ao ano, conforme premissas atuais de desenvolvimento, ocupação, diárias médias do hotel e comercialização das unidades.
  • Efeito no portfólio: a companhia estima que, na maturação, o empreendimento entregue um NOI por m² que o posicione como o quarto ativo de maior NOI por m² do portfólio, atrás apenas de Iguatemi São Paulo, JK Iguatemi e Pátio Higienópolis.
  • Sem evento de caixa imediato: o fato relevante não menciona distribuição de proventos, emissão de ações ou mudança de controle; trata-se de anúncio de investimento.

Vale notar que as projeções de TIR, ocupação e NOI por m² são estimativas da própria companhia e dependem de cronograma, aprovações e condições de mercado — podem, portanto, não se confirmar.

Próximos marcos formais

O documento cita como marcos o período de desembolsos, entre 2027 e 2030, e a inauguração prevista para o final de 2030, condicionada ao cronograma de desenvolvimento e à obtenção das aprovações necessárias. A companhia informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre o andamento do empreendimento.


O fato relevante é assinado por Guido Barbosa de Oliveira, Vice-Presidente de Finanças e Diretor de Relações com Investidores, em São Paulo, 5 de novembro de 2026.