A Unifique Telecomunicações S.A. (B3: FIQE3) informou, em fato relevante divulgado em 16 de outubro de 2026, que recebeu em 15 de outubro de 2026, após o encerramento do pregão, pedido de acionistas titulares, em conjunto, de mais de 10% das ações em circulação da companhia para convocação de uma assembleia especial. O objetivo é deliberar sobre a realização de nova avaliação para determinação do valor das ações ordinárias no âmbito da oferta pública unificada de aquisição de ações (OPA) anunciada pelo acionista controlador em 2 de outubro de 2026.

Segundo o comunicado, a OPA busca a conversão do registro de companhia aberta da categoria "A" para a categoria "B" e a saída do Novo Mercado. A assembleia especial, nos termos do Artigo 4º-A da Lei das Sociedades por Ações, é restrita aos titulares de ações ordinárias em circulação.

O processo de registro da OPA perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está suspenso a partir desta data, conforme informou a companhia, com base no artigo 40, inciso I, da Resolução CVM 215.

A mecânica do evento

ItemDado informado
Data do fato relevante16 de outubro de 2026
Recebimento do pedido15 de outubro de 2026, após o fechamento do pregão
Anúncio da OPA pelo acionista controlador2 de outubro de 2026
Data do laudo de avaliação (Apsis)2 de outubro de 2026
Participação dos solicitantesmais de 10% das ações em circulação
Prazo citado no requerimento8 dias para a companhia atender; caso não atendido, acionistas podem convocar a assembleia

O Conselho de Administração da companhia, de acordo com o fato relevante, reunir-se-á oportunamente para apreciar o pedido recebido, cuja íntegra consta do Anexo I do documento, e deliberar sobre a convocação da assembleia especial.

O que o requerimento contesta

O pedido, subscrito por Raphael Manhães Martins (OAB/RJ nº 147.187) em nome de um bloco de fundos de investimento e veículos internacionais, afirma que a nova avaliação pode adotar o mesmo critério ou critério diferente daquele utilizado no Laudo de Avaliação elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda., datado de 2 de outubro de 2026. Os fundamentos apontam, segundo o documento, "falhas e imprecisões no emprego da metodologia de cálculo e no critério de avaliação" do laudo.

Entre os pontos destacados no Anexo I estão:

  • Custo do capital próprio (Ke): o laudo indica fluxo de caixa descontado de R$ 4,99 por ação e usa taxa de desconto nominal de 15,6%, com prêmio de risco por tamanho de 2,6%. Na sensibilidade apresentada pelos solicitantes, a exclusão do prêmio reduziria o Ke para 13,0% e o WACC para 10,9%.
  • Carteira de comparáveis: o laudo usaria amostras distintas conforme a finalidade, com 9 empresas (Comcast, Charter, América Móvil, Vivo, TIM etc.) para o beta e a estrutura de capital no DCF, enquanto o múltiplo EV/EBITDA de R$ 6,57 foi descartado por conter "apenas 3 companhias brasileiras". Em teste de sensibilidade apenas com empresas brasileiras, o beta realavancado seria de 0,61.
  • Múltiplos por assinante e EV/EBITDA: os solicitantes afirmam que os múltiplos usados no laudo não refletem o valor do espectro de 5G da Unifique. A companhia detém blocos de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz em SC e RS (leilão de 2021), no PR (adquirido da Ligga em janeiro de 2026) e em SP (via controle da Amazônia 5G, em abril de 2026). RS, SC, PR e SP somam cerca de 74 milhões de habitantes, equivalentes a aproximadamente 5,9 bilhões de MHz-pop. Aplicando o intervalo de US$ 0,075 a US$ 0,11/MHz-pop, o espectro valeria entre US$ 450 milhões e US$ 640 milhões (R$ 2,33 bilhões a R$ 3,31 bilhões, ao câmbio PTAX de R$ 5,1766).
  • Transação comparável: a aquisição da Desktop pela Claro teve EV/assinante de R$ 3.311, valor que, aplicado à Unifique, seria superior ao da OPA, segundo o requerimento. A operação não constaria da amostra de 16 transações do laudo — 7 delas realizadas pela própria companhia.
  • Adoção do VWAP de 12 meses como "preço justo": o laudo justificaria o critério com um giro anual de 177,444% do free float e 44,278% do total de ações, com 176.706.900 ações negociadas. O requerimento contesta o argumento, apontando média diária negociada de R$ 3,9 milhões e mediana de R$ 3,0 milhões em 249 pregões, contra o patamar de R$ 25 milhões de volume médio diário que o Regulamento do Novo Mercado exige para admitir free float abaixo de 25%. A OPA pretende comprar 99,8 milhões de ações em circulação, cerca de R$ 600 milhões ao preço ofertado, equivalente a aproximadamente 150 pregões de volume médio.

Quem assina o pedido

O requerimento é subscrito por um conjunto de fundos e veículos de investimento, entre os quais 3 Ilhas Master Previdência FIF em Ações, 3 Ilhas FIF em Ações, SPX Apache FIF de Ações, SPX Falcon Master FIF em Ações, SPX Falcon Institucional Master FIF Mult, SPX Hornet Equity Hedge Master FIF Mult, SPX Long Bias Previdenciário Master 2 FIF Mult, SPX Long Bias Previdenciário Master FIF Mult, SPX Patriot Master FIF em Ações, Sabiá Laranjeira RV FIF em Ações, UV Araucaria FIF em Ações, Harpia RV FIF em Ações, TIE RV FIF em Ações, Colibri RV FIF em Ações, Ori Capital I FIF, Ori Capital II FIF, Ori X FIF em Ações, Fourth Sail Long Short LLC, GTI Dimona Brasil FIF em Ações, GTI Haifa FIF em Ações e GMI Global Markets Investments LP.

Os solicitantes pedem ainda que o requerimento e seus anexos sejam disponibilizados no site da companhia e no sistema IPE/CVM, para dar publicidade do teor a todos os acionistas.

O que muda para investidores

  • O registro da OPA na CVM fica suspenso a partir de 16 de outubro de 2026, conforme informado pela companhia.
  • O Conselho de Administração ainda não deliberou sobre a convocação; a reunião será marcada "oportunamente", segundo o fato relevante.
  • O requerimento cita prazo de 8 dias para que a companhia atenda ao pedido; não atendido, os acionistas se reservam o direito de convocar a assembleia especial.
  • A assembleia, se convocada, será restrita aos titulares de ações ordinárias em circulação — ou seja, não inclui o acionista controlador no universo de deliberação sobre a nova avaliação.

A companhia declarou que reafirma o compromisso de manter acionistas e o mercado informados sobre desdobramentos relevantes dos assuntos tratados. O fato relevante é assinado por Luiz Bogo Junior, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, em Timbó, em 16 de outubro de 2026.