Três bancos centrais decidem juros em cinco dias e o Brasil guarda seus indicadores mais sensíveis para o fim da semana de 26 a 30 de outubro de 2026. O Federal Reserve anuncia sua decisão na quarta-feira (28), às 15h, com coletiva às 15h30; o Banco Central Europeu aparece na quinta (29) e o Banco do Japão fecha a fila na sexta (30). No mesmo intervalo, o mercado doméstico digere o Caged, a PNAD Contínua e a dívida bruta em proporção do PIB, três dados que costumam redefinir expectativas para Selic e câmbio.
A ordem dos acontecimentos pesa mais do que cada número isolado. Washington fala antes de o Brasil publicar emprego formal e endividamento público, de modo que um comunicado mais duro do Fed tende a chegar ao pregão local já com o prêmio doméstico reavaliado por dois dias de números fiscais e trabalhistas. Historicamente, essa sequência mexe com a curva de juros futuros e com a atratividade relativa da bolsa.
Fed às 15h de quarta, com coletiva meia hora depois
O Comunicado do Fomc — o comitê de política monetária americano — sai às 15h, seguido pela entrevista coletiva do Fed às 15h30. Antes, às 9h30, os EUA publicam a prévia da balança comercial de bens e os estoques do varejo e do atacado. O texto do comitê e as respostas na entrevista serão lidos menos pelo que decidem e mais pelo que sinalizam sobre o ritmo dos próximos encontros: é ali que a curva de Treasuries e o dólar costumam se ajustar primeiro, com contágio sobre o real e a curva DI.
O dado que o Fed só conhece depois de decidir
Na quinta, às 9h30, saem a primeira estimativa do PIB americano do terceiro trimestre, o índice de preços PCE — a medida de inflação que o Fed usa como referência — e os pedidos semanais de auxílio-desemprego. A ordem é desconfortável para quem opera no dia: o banco central decide na quarta e só na manhã seguinte conhece o teor completo da inflação que persegue.
Caged na quinta, dívida bruta e PNAD na sexta
O Brasil concentra o grosso do calendário no fim da semana. Na quinta, o IGP-M abre o dia às 8h, as estatísticas monetárias e de crédito saem às 8h30 e, às 14h30, aparece o Caged, registro administrativo de admissões e demissões com carteira assinada. Na sexta, às 8h30, são divulgadas as proporções de dívida bruta e líquida em relação ao PIB e, às 9h, a taxa de desemprego apurada pela PNAD Contínua, pesquisa domiciliar que também captura o trabalho informal — universo fora do alcance do Caged.
Emprego aquecido e endividamento em trajetória de alta tendem a empurrar na mesma direção o prêmio exigido nos títulos públicos, o que encarece o custo de capital das companhias listadas e altera o desconto aplicado a lucros e dividendos futuros. É esse efeito de segunda ordem, mais do que o número em si, que costuma migrar da curva de juros para a bolsa.
Focus, IED e confiança do consumidor abrem a segunda
A semana começa às 8h com a confiança do consumidor da FGV, seguida pelo Boletim Focus às 8h25 — a mediana das projeções de economistas para inflação, Selic, câmbio e PIB — e, às 8h30, por transações correntes e investimento estrangeiro direto, o IED, que mede o capital de longo prazo destinado a participações e projetos produtivos. Na terça, o dia traz INCC-M, confiança da construção e, às 9h, o IPP, índice de preços ao produtor.
BCE, Japão e China completam o calendário
Na quinta, o BCE decide às 10h15 e concede entrevista às 10h45; antes, às 7h, a Europa publica índices de confiança econômica, industrial, de serviços e do consumidor. Na sexta, às 7h, saem a prévia do PIB da zona do euro no terceiro trimestre e a taxa de desemprego do bloco. O Reino Unido aparece na quinta, às 6h30, com crédito ao consumidor, empréstimos hipotecários e agregados monetários.
A Ásia encerra a semana com dois pesos pesados. Na noite de quinta (20h30 de Brasília), o Japão divulga o CPI de Tóquio, em suas versões cheia e de núcleo, além da taxa de desemprego; à 0h de sexta, o BoJ, o banco central japonês, anuncia sua decisão de juros e publica o Relatório de Perspectivas. A China entrega, às 22h30 de sexta, os PMIs industrial, de serviços (não manufatura) e composto — índices de gerentes de compras que funcionam como termômetro da atividade.
Agenda dos cinco dias
| Dia | Destaque | Praça |
|---|---|---|
| 26/10 (seg) | Focus, transações correntes e IED | Brasil |
| 27/10 (ter) | IPP e confiança da construção | Brasil |
| 28/10 (qua) | Decisão de juros do Fed e coletiva | EUA |
| 29/10 (qui) | Caged e estatísticas de crédito | Brasil |
| 29/10 (qui) | Decisão de juros do BCE | Zona do euro |
| 29/10 (qui) | PIB do 3º tri e índice PCE | EUA |
| 30/10 (sex) | Dívida bruta/PIB e PNAD Contínua | Brasil |
| 30/10 (sex) | PMIs industrial e composto | China |
| 30/10 (sex) | Decisão de juros e perspectivas do BoJ | Japão |
A carteira fica exposta a dois vetores que raramente se movem juntos: juro externo e risco fiscal doméstico. A combinação de um Fed resistente com dívida bruta em elevação tende a se traduzir em prêmio maior na curva local, enquanto um alívio nos dois flancos costuma aparecer primeiro no câmbio. O calendário funciona como mapa de volatilidade: quarta à tarde e sexta pela manhã concentram as janelas de maior reprecificação.
