O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, juntamente com a Federal Deposit Insurance Corp. (FDIC) e o Office of the Comptroller of the Currency (OCC), apresentou propostas para relaxar as exigências de capital dos grandes bancos na quinta-feira (19). A medida pode liberar bilhões de dólares para expansão de crédito, recompras de ações e distribuição de proventos, com impacto estimado em queda média de 4,8% no common equity tier 1 (CET1, capital principal de nível 1, a porção mais qualificada do capital regulatório) para os maiores players.
Harmonização das regras e impactos quantitativos
As propostas visam alinhar as normas americanas aos padrões internacionais, representando a revisão mais significativa desde as regras pós-crise de 2008. O pacote abrange alívio no enhanced supplementary leverage ratio (requisito extra de alavancagem, que impõe limites adicionais ao endividamento) e ajustes nos testes de estresse (simulações de cenários adversos para avaliar resistência dos bancos). O efeito agregado seria uma redução moderada nas exigências totais de capital.
Integração com Basileia 3 e foco em riscos
Uma porção das mudanças relaciona-se ao acordo Basileia 3 (padrão global para fortalecer a estabilidade bancária e mitigar riscos de colapsos sistêmicos). Nessa vertente, espera-se leve elevação nos colchões de capital para instituições globais como Citigroup, Bank of America e JPMorgan, visando mensurar com maior precisão os riscos de crédito, de mercado e operacionais em operações internacionais.
Alterações para bancos médios e G-SIBs
Para bancos de porte médio, a abordagem simplifica a mensuração de riscos, adotando exclusivamente a metodologia padronizada e eliminando o modelo avançado atual. Já para os global systemically important banks (G-SIBs, bancos globais de importância sistêmica, cujas falhas podem desencadear crises amplas), propõe-se indexar o surcharge (colchão extra de capital) às oscilações do PIB nominal dos EUA, alinhando-se a práticas internacionais. Os acréscimos passariam a ser em degraus de 10 pontos-base, contra 50 pontos-base vigentes.
"Essas mudanças vão fortalecer nosso arcabouço de capital como um todo, que seguirá robusto sob o novo regime", declarou Michelle Bowman, vice-presidente do Fed para supervisão.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, o afrouxamento pode impulsionar o sentimento positivo em ações de bancos globais listados na B3 via BDRs (Brazilian Depositary Receipts) ou indiretamente via Ibovespa, sensível a fluxos internacionais. Em cenário otimista, com Selic em patamares elevados e dólar pressionado, maiores disponibilidades nos balanços americanos favorecem retornos via dividendos e recompras, potencializando yields atrativos. No pessimista, persistência de inflação global ou tensões geopolíticas poderia amplificar volatilidade, exigindo monitoramento do câmbio e das decisões do Copom sobre a taxa básica de juros.
Riscos envolvidos
Internamente no Fed, há resistência: o diretor Michael Barr, ex-responsável pela supervisão bancária, votou contra o pacote.
- Reduções vistas como "desnecessárias e imprudentes", podendo comprometer a resiliência do sistema financeiro americano.
- Guinada ante a proposta de 2023, mais rigorosa em áreas como crédito imobiliário, derrubada por lobby da indústria.
- Risco de não aprovação final após consulta pública, mantendo exigências mais elevadas.
"As propostas de hoje, se forem adotadas, vão prejudicar a resiliência dos bancos e do sistema financeiro dos EUA", alertou Barr.
Antecipa-se consulta pública de 90 dias para debates, seguida de votação formal pelo conselho do Fed e pela diretoria da FDIC. Fique atento a eventuais revisões e ao posicionamento de stakeholders, que podem alterar o calendário de implementação e influenciar o humor de mercado.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
