O Índice FipeZAP (referência para medir a evolução dos preços de imóveis residenciais anunciados), que acompanha o mercado em 56 cidades brasileiras incluindo 22 capitais, apontou elevação de 0,48% nos preços em março, fechando o primeiro trimestre com ganho acumulado de 1,01%. Esse resultado supera as variações de janeiro (+0,20%) e fevereiro (+0,32%), mas permanece inferior à inflação ao consumidor, calculada em 1,48% no período, enquanto excede o IGP-M (Índice Geral de Preços-Média, usado como referência para reajustes de aluguéis), com +0,19% acumulado.

Aceleração mensal generalizada pelo país

A alta de preços em março se distribuiu amplamente, atingindo todas as 56 cidades pesquisadas. As maiores variações ocorreram em Fortaleza (CE), com +1,33%, Vitória (ES), em +1,21%, e Natal (RN), com +1,17%. Capitais tradicionais como São Paulo (+0,42%) e Rio de Janeiro (+0,33%) apresentaram ganhos mais contidos, sinalizando uma dinâmica mais vigorosa em localidades secundárias.

Demanda favorece imóveis compactos

A valorização variou conforme o tamanho das unidades. Apartamentos de um dormitório subiram 0,65%, enquanto os de quatro ou mais dormitórios avançaram apenas 0,20%, reforçando a preferência por opções de menor valor e maior facilidade de negociação no mercado secundário.

Desempenho no primeiro trimestre por capitais

No acumulado do trimestre, o ganho nacional de 1,01% mascara diferenças regionais acentuadas. Belém liderou com +4,90%, seguida por Manaus (+3,06%), Fortaleza (+2,87%) e Vitória (+2,86%). Curitiba registrou desvalorização de -0,88% e Belo Horizonte de -0,41%, evidenciando um quadro heterogêneo.

CapitalAcumulado 1º Tri (%)
Belém+4,90
Manaus+3,06
Fortaleza+2,87
Vitória+2,86
Curitiba-0,88
Belo Horizonte-0,41

Resiliência nos últimos 12 meses

Em 12 meses, o índice acumulou alta de 5,62%, superior à inflação de 3,69% e bem acima da queda de -1,83% no IGP-M. Unidades menores novamente se destacaram, com ganho de 7,42%.

Preços médios por metro quadrado

O valor médio nacional alcançou R$ 9.720/m² em março. Entre capitais, Vitória exibiu os maiores patamares em R$ 14.603/m², Florianópolis em R$ 13.106/m² e São Paulo em R$ 11.995/m². Preços mais baixos surgiram em Aracaju, Teresina e Natal.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física exposto ao setor imobiliário, a aceleração mensal sugere recuperação gradual da demanda, influenciada por condições macroeconômicas como a taxa Selic e a evolução do IPCA. Cenário otimista envolve dispersão da valorização para mais cidades, beneficiando imóveis compactos em regiões emergentes; pessimista aponta pressão de crédito caro limitando o ritmo abaixo da inflação. Fatores a monitorar incluem custos de financiamento e indicadores de emprego regional, em meio a um Ibovespa volátil.

Os próximos dados do FipeZAP, referentes a abril, revelarão se a tendência de disseminação persiste ou se ajustes macro freiam o ímpeto. Acompanhar reajustes no IGP-M e inflação oficial ajudará a contextualizar ganhos reais.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.