O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda‑feira (31/08/2024), manteve a projeção da taxa Selic em 13,75% ao ano e reduziu a mediana da expectativa de inflação (IPCA) para 2026 em 5,01%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 5,02%.
Projeções de inflação e crescimento até 2029
A mediana das projeções indica que a pressão inflacionária deve continuar em queda gradual, enquanto o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) permanece moderado. Os números consolidados para 2026‑2029 são:
| Ano | IPCA | PIB | Selic | Dólar |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | 5,01% | 1,92% | 13,75% | R$5,20 |
| 2027 | 4,28% | 1,50% | 12,00% | R$5,30 |
| 2028 | 3,80% | 1,98% | 10,50% | R$5,30 |
| 2029 | 3,80% | 2,00% | 10,00% | R$5,36 |
O Boletim Focus indica que a mediana da projeção para o IPCA em 2026 ficou em 5,01%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 5,02%.
A expectativa da taxa Selic ao final de 2026 permanece em 13,75% ao ano, sem alterações nas últimas quatro semanas.
Perspectiva da taxa Selic e custos de crédito
A taxa Selic, referência para o custo do crédito e para a rentabilidade de títulos públicos, mostrou-se estável em 13,75% para o fim de 2026. Essa manutenção, observada nas últimas quatro semanas, sinaliza que o Banco Central ainda vê necessidade de conter a inflação, apesar da leve redução da projeção do IPCA. Para o investidor pessoa física, a consequência prática é a continuidade de juros elevados em financiamentos de consumo e imobiliários, bem como a atratividade de investimentos de renda fixa atrelados à taxa básica.
Cenário cambial e volatilidade
A projeção para o dólar ao final de 2026 ficou em R$5,20, sem alterações recentes. Para 2027 e 2028, o mercado espera R$5,30, com leve alta para R$5,36 em 2029. A estabilidade cambial, aliada a uma Selic elevada, pode reduzir a pressão sobre a inflação importada, mas também mantém o custo de importação para empresas brasileiras em patamar alto, o que reverbera nos preços ao consumidor.
O que observar nos próximos meses
- Conferência de política monetária (COPOM): decisões do Comitê de Política Monetária nas próximas reuniões podem ajustar a Selic se a inflação mostrar desvios da projeção.
- Dados de inflação (IPCA) mensais: variações acima de 0,5 ponto percentual podem pressionar o BC a rever a postura.
- Movimento do dólar: volatilidade cambial em torno de R$5,20‑5,30 será monitorada, principalmente em função de eventos externos como taxa de juros dos EUA.
- Crescimento do PIB: a trajetória do PIB real, prevista em torno de 2 % ao ano, será crucial para sustentar a demanda interna e evitar pressões inflacionárias adicionais.
