O Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA), que monitora 277 fundos multimercados, avançou 0,60% na segunda-feira, 23 de março, diminuindo a queda mensal para -3,7% em um contexto de calmaria nos mercados globais após declarações do presidente Donald Trump sobre negociações para encerrar o conflito com o Irã.
Trajetória Recente do IHFA
O IHFA, principal benchmark para fundos multimercados na B3, reverteu parcialmente as baixas iniciais do mês. Até 23 de março, a perda no ano estava em -0,23%, após atingir -0,83% na sexta-feira anterior e vir de um ganho acumulado de 4,0% em 26 de fevereiro. Em 12 meses, o índice registra 13,98%, próximo ao 14,85% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
| Período | Desempenho IHFA | Referência |
|---|---|---|
| Segunda-feira, 23/03 | +0,60% | - |
| Mês (até 23/03) | -3,7% | - |
| Ano até 23/03 | -0,23% | - |
| 12 meses | 13,98% | CDI: 14,85% |
Desempenho Individual dos Fundos
Entre 365 fundos multimercados com patrimônio acima de R$ 500 milhões, análise até 24 de março revela que apenas 156 evitam perdas no mês, principalmente estratégias de crédito privado com ganhos de até 3%. Os demais 209 enfrentam prejuízos de até 15%. No acumulado do ano, 276 mantêm resultados positivos.
| Categoria | Número de Fundos | Desempenho Máximo |
|---|---|---|
| Sem perdas no mês | 156 | Até +3% (crédito privado) |
| Com perdas no mês | 209 | Até -15% |
| Ganhos no ano | 276 | - |
Fundos com volatilidade anual superior a 10% — métrica que indica oscilações potenciais acima desse patamar no pior caso — lideram as maiores baixas, mas historicamente recuperam mais velozes em ambientes favoráveis.
Impulsionadores da Recuperação Parcial
A alta reflete ganhos no Ibovespa, desvalorização do dólar ante o real, elevação de bolsas estrangeiras e queda nos juros de longo prazo. Isso valorizou NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B, títulos indexados à inflação) e debêntures corporativas, ativos comuns em carteiras multimercado e de crédito.
Volatilidade Elevada no Curto Prazo
Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, alerta que é prematuro declarar recuperação da classe como um todo. Mercados de risco globais permanecem sensíveis a notícias, com o cessar-fogo temporário no Irã gerando otimismo inicial seguido de reversões.
A leitura dos desdobramentos e da consistência das informações divulgadas tem influenciado o comportamento dos ativos.
Diferenças entre Estratégias e Papel do Gestor
Recuperações variam por subclassificação: fundos balanceados ou de alocação rígida avançam devagar, enquanto táticos como arbitragem e long & short (estratégias que lucram com diferenças de preços entre ativos longos e vendidos a descoberto) mostram menor exposição à turbulência. A capacidade do gestor em reinterpretar cenários, flexibilidade do mandato e nível de risco definem o ritmo. Estratégias macro de longo prazo diluem oscilações curtas, e long & short neutros capturam spreads versus benchmarks como o Ibovespa.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física, o movimento sinaliza possível estabilização, mas com Selic em patamares elevados e IPCA pressionado por choques externos como o câmbio volátil, multimercados servem como hedge contra ativos tradicionais. Cenário otimista envolve consolidação de tréguas geopolíticas, favorecendo táticas ágeis; pessimista prolonga incertezas, ampliando drawdowns em estratégias de risco alto. Monitorar consistência de dados internacionais e adaptação dos gestores é essencial para alinhar com perfis moderados a agressivos.
Riscos
Elementos críticos incluem:
- Regras específicas do fundo e compatibilidade com o perfil do investidor.
- Alavancagem, que pode gerar perdas acima do capital aplicado.
- Correlação com outros papéis da carteira, reduzindo diversificação.
- Incertezas além do econômico, como conflitos no Oriente Médio.
No longo prazo, gestão profissional oferece acesso amplo a mercados e dilui volatilidade, mas exige paciência para capturar retornos superiores.
Investidores devem acompanhar desdobramentos das negociações EUA-Irã e indicadores como formação da curva de juros longos para antecipar tendências claras nas alocações multimercado.
