Gerdau encerra o trimestre com R$ 1,52 bilhão de lucro e Ebitda de R$ 3,77 bilhões
A Gerdau (GGBR4) encerrou o terceiro trimestre com R$ 1,52 bilhão de lucro líquido ajustado, cifra 39,7% maior do que a registrada um ano antes, conforme balanço apresentado ao mercado nesta segunda-feira. O Ebitda ajustado — sigla de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que aproxima a geração operacional de caixa antes do efeito de financiamento e de itens contábeis — ficou em R$ 3,77 bilhões, avanço de 37,8%. A receita líquida chegou a R$ 18,7 bilhões, com alta de 3,9%.
Consenso apontava R$ 1,77 bilhão de lucro; Ebitda veio acima de R$ 3,7 bilhões
A média das projeções de analistas compiladas pela LSEG indicava lucro líquido de R$ 1,77 bilhão e Ebitda de R$ 3,7 bilhões. O resultado operacional, portanto, superou levemente o esperado, enquanto a linha final do balanço ficou aquém do consenso. A receita também veio um pouco acima da expectativa média, de R$ 18,6 bilhões.
A distância entre o desempenho operacional e o lucro contábil indica que itens fora da operação — resultado financeiro e tributos, por exemplo — tiveram peso no trimestre.
América do Norte responde por 76,4% de todo o Ebitda do grupo
A unidade norte-americana — de onde sai a maior parte do caixa da companhia — gerou R$ 2,9 bilhões de Ebitda ajustado, salto de 60% em base anual. O montante equivale a 76,4% do resultado operacional consolidado. A margem da região passou de 19,8% para 27,7% em doze meses.
No Brasil, o Ebitda ajustado recuou 2,8%, para R$ 741 milhões. A margem doméstica, porém, subiu de 9,9% para 10,7%: a rentabilidade sobre cada real de receita melhorou, ainda que o volume de negócios tenha encolhido.
Menos toneladas embarcadas e receita maior: o efeito preço
Entre julho e setembro, a companhia embarcou 2,91 milhões de toneladas de aço, 5,6% abaixo de igual intervalo do ano anterior. Mesmo com menos volume, a receita líquida cresceu 3,9%, o que implica receita por tonelada mais alta no período. Para o resultado consolidado, o movimento desloca o peso da alavanca de volume para a de preço e de mix de produtos.
| Indicador do 3º trimestre | Resultado | Variação anual |
|---|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 1,52 bi | +39,7% |
| Ebitda ajustado | R$ 3,77 bi | +37,8% |
| Receita líquida | R$ 18,7 bi | +3,9% |
| Vendas de aço | 2,91 mi t | -5,6% |
| Ebitda América do Norte | R$ 2,9 bi | +60% |
| Ebitda Brasil | R$ 741 mi | -2,8% |
O que a concentração do caixa muda para quem acompanha GGBR4
O dado que reorganiza a leitura do trimestre é geográfico. Cerca de três quartos do Ebitda nascem fora do Brasil, com margem quase três vezes superior à doméstica — 27,7% contra 10,7%. Com isso, o resultado consolidado tende a responder mais ao ciclo industrial e ao câmbio da América do Norte do que à atividade da construção civil e da indústria brasileira, historicamente os motores da operação local.
A queda de 5,6% no volume de aço vendido reforça que o crescimento do lucro veio de rentabilidade, não de expansão de embarques. Esse tipo de composição costuma deixar o resultado mais sensível a variações de preço e de demanda externa do que a ganhos de escala. A margem brasileira em recuperação parcial sinaliza melhora de eficiência, mas o lucro do grupo segue ancorado em outra geografia — e é essa dependência que o investidor com exposição ao papel carrega junto com a ação.
