R$2,374 bilhões foi o Ebitda ajustado da Gerdau (GGBR4) no quarto trimestre de 2025, refletindo uma leve queda de 0,7% na comparação anual. Enquanto as operações no Brasil enfrentam um cenário ainda considerado "desafiador", com margem líquida de 7,1% (abaixo dos 18,5% do mesmo período em 2024), a divisão norte-americana surpreende com expansão expressiva – a margem saltou de 10,8% para 21,1% na mesma base de comparação.

Brasil: Estabilidade com Desafios

A empresa projeta manutenção de margens no primeiro trimestre de 2025 no mercado doméstico, onde enfrenta um ambiente caracterizado por demanda residualmente fraca e preços estáveis. O segmento de aços longos, responsável por parcela significativa do volume produzido, espera "ligeira recuperação sazonal" após o período de retração tradicional para o setor.

Evolução do Ebitda Ajustado por Região

PeríodoMargem BrasilMargem EUA
4T2418,5%10,8%
4T257,1%21,1%

O termo backlog (pedido acumulado) serve como termômetro do desempenho regional. Enquanto o Brasil navega sob pressão, a operação nos EUA opera com backlog elevado de 85 dias, sinalizando maior demanda estrutural e potencial para continuidade do crescimento na primeira metade de 2025.

América do Norte: Recuperação Setorial

A recuperação da margem norte-americana reflete três fatores críticos:

  1. Metal spread positivo – diferença entre preços do aço e insumos, mesmo com recuperação das cotas de sucata
  2. Desempenho operacional que compensou custos
  3. Volume sazonalmente superior
Esse conjunto explicou o forte crescimento de 95% no resultado regional em um ano.

Evolução de Margens por Linha de Negócios

Foco da Análise4T244T25
Brasil18,5%7,1%
América do Norte10,8%21,1%

O que isso significa para o investidor

Dois cenários divergem para o papel GGBR4: a operação brasileira atua num mercado maduro com pressão competitiva, enquanto a expansão nos EUA reflete alavancagem operacional e setorial em fase de retomada. Investidores devem monitorar a relação dos custos com commodities metálicas e a eficiência operacional como vetores da margem em 2025.

Macrocondições como variações cambiais (USD/BRL) e os juros norte-americanos influenciarão os resultados por meio do backlog e do spread da produção nos EUA.

Riscos no Radar

  • Retomada mais lenta do esperado no Brasil
  • Volatilidade dos preços da sucata afetando o metal spread
  • Condições macro globais impactando o setor da construção civil nos EUA

A teleconferência do balanço, marcada para às 12h, deve detalhar expectativas específicas sobre dividendos, capital allocation e estratégias de mitigação de riscos.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.