As ações da Gerdau (GGBR4) fecharam em queda de 3,19% nesta terça-feira (24), cotadas a R$ 20,92, após divulgar resultados do 4º trimestre de 2025 com margem EBITDA no Brasil em mínima decenal para o período. Segundo analistas, a operação brasileira registrou margem de 7%, ante 21% nos Estados Unidos - responsável por 80% do lucro antes de impostos e depreciações.

EUA lideram recuperação com protecionismo

A unidade norte-americana acelerou crescimento de volumes para 14% na comparação anual, superando os 10% registrados no 3º trimestre. A carteira de pedidos subiu para 85 dias, contra 70 dias anteriormente, impulsionada por projetos de construção não residencial e energias renováveis.

Os analistas destacam que medidas protecionistas, como a tarifa antidumping de 25% sobre bobinas a quente (HRC) importadas da China, influenciam positivamente a rentabilidade. No entanto, o Goldman Sachs ressalta que redirecionamentos de comércio podem limitar o impacto dessas barreiras.

Brasil enfrenta crise de margem

Apesar de preços acima das expectativas, a Gerdau enfrentou penetração de importados em 21% e paradas operacionais que impactaram negativamente a eficiência. O resultado inclui uma perda de US$ 2 bilhões com impairment de ativos imobilizados, refletindo menor capacidade de geração de caixa devido à deterioração macroeconômica e taxas de utilização reduzidas.

BancoRecomendaçãoPreço-alvoBase
Goldman SachsCompraR$ 24,00Posição forte na América do Norte
JPMorganOverweightR$ 29,00EBITDA acima do esperado
XP InvestimentosCompraNão informadoDesenvolvimento de negócios na América do Norte
Bradesco BBINeutroR$ 21,00Retomada lenta na América Latina
Morgan StanleyNeutroR$ 22,00Dividendos abaixo do consenso

O que isso significa para o investidor

O cenário apresentadualidade crítica: enquanto a operação nos EUA beneficia-se do protecionismo e da Expansão do Artigo 232 (medidas de segurança nacional sobre importações de aço), o Brasil enfrenta pressão concorrencial de importados e custos elevados. Para investidores PFs, o desempenho no curto prazo depende diretamente daduração de proteções comerciais e daeficácia da gestão de estoques, que gerou liberação de R$ 1,4 bilhão em capital de giro.

Riscos

  • Redirecionamento de importações chinesas para outros mercados emergentes
  • Retomada mais lenta no Brasil devido aos ajustes após paradas operacionais
  • Redução de dividendos para R$ 0,10/ação, abaixo da média projetada
  • Vulnerabilidade a oscilações cambiais diante de dívida atrelada ao dólar

Perspectiva e Próximos Passos

Os investidores devem monitorar ateleconferência com a administração para insights sobre a sustentabilidade das margens elevadas nos EUA e estratégias de recuperação no Brasil. Além disso, a efetivação de decisões antidumping sobre produtos semifinais e tubos importados da China, anunciada na prévia, será observada de perto.