Copasa (CSMG3) avança rumo à privatização com definição de modelo de oferta

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (CSMG3) comunicou ao mercado nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o recebimento de ofícios do Estado de Minas Gerais que estabelecem as diretrizes finais para o seu processo de desestatização. A operação será estruturada como uma oferta pública de distribuição secundária de ações, sem a emissão de novos papéis (parcela primária), visando a alienação da participação detida pelo acionista controlador.

De acordo com o documento, a oferta seguirá o rito de registro automático para emissores de grande exposição ao mercado (EGEM), conforme as normas da CVM, e contará com esforços de colocação internacional (Rule 144A e Regulation S). O objetivo central é maximizar o valor das ações e garantir que a companhia tenha fôlego para atingir as metas de universalização do saneamento básico.

Investidor de referência e participação do Estado

A modelagem proposta pelo governo de Romeu Zema introduz a figura de um investidor estratégico ou de referência, ao qual será alocada uma fatia de 30% do capital social da Copasa. Esse investidor deverá comprovar capacidade financeira e expertise no setor de infraestrutura, submetendo-se a um lock-up (impedimento de venda) de quatro anos para a totalidade das ações adquiridas.

Quanto à permanência do Estado de Minas Gerais no quadro acionário, o modelo prevê duas possibilidades:

  • Manutenção de 5%: Caso um investidor estratégico seja alocado na operação;
  • Saída total (0%): Caso não haja a alocação de um investidor de referência.

Blindagem estatutária e limite de voto

Um dos pilares da nova estrutura de governança da Copasa após a privatização será a adequação do Estatuto Social. O novo texto prevê um limite máximo de 45% para o exercício do direito de voto por qualquer acionista ou grupo de acionistas, independentemente da quantidade de ações ordinárias detidas. Essa medida visa proteger a dispersão acionária e evitar o controle absoluto por um único ente, aproximando a companhia das práticas de mercado de corporações privadas.

Além disso, o estatuto será ajustado para conferir maior flexibilidade na gestão diária e incluir obrigações claras para o adquirente em relação às metas de universalização de água e esgoto em Minas Gerais.

Destinação dos recursos e próximos passos

Os recursos captados pelo Estado de Minas Gerais com a venda das ações da Copasa já têm destino certo: o pagamento da dívida do Estado com a União, em conformidade com a Emenda à Constituição nº 117/2025.

Apesar do detalhamento, a Copasa ressalta que a efetiva realização da oferta ainda depende de aprovações societárias, anuência de credores e condições favoráveis do mercado macroeconômico. O valuation que definirá o preço mínimo das ações será submetido em etapa posterior ao Comitê de Coordenação e Governança de Estatais (CCGE).

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