As ações da Hapvida (HAPV3) recuaram 4,7% na sessão desta terça-feira (25) após a gestora Squadra notificar o mercado sobre o corte de sua participação acionária na empresa de planos de saúde. A exposição dos fundos e de investidores não residentes sob a gestão da Squadra foi reduzida para 3,87% das ações ordinárias da companhia, ante os 5,15% registrados em julho, segundo dados da B3. O movimento ocorre um dia após a gestora classificar, em carta a cotistas, a operação com a Hapvida como o maior erro de investimento de toda a sua trajetória.
O custo do erro e a deterioração operacional
A leitura analítica aponta que a saída parcial da Squadra não é apenas um ajuste de carteira, mas um reflexo direto do abismo entre as expectativas de reestruturação e a realidade financeira da companhia. No começo do ano, a gestora fez duras críticas à administração, o que culminou em uma reestruturação que incluiu a troca do presidente-executivo e a entrada de conselheiros indicados pela própria Squadra no conselho de administração.
No entanto, os fundamentos reportados na semana passada mostraram um cenário adverso. O balanço do segundo trimestre da companhia de saúde reportou um tombo de 95,8% no lucro líquido e queda de 44,3% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Além do resultado operacional, o balanço evidenciou aumento na alavancagem financeira e nos depósitos judiciais.
| Métrica Financeira | Variação no 2º Trimestre |
|---|---|
| Lucro Líquido | -95,8% |
| Ebitda | -44,3% |
| Alavancagem e Depósitos Judiciais | Em alta |
A equipe da Squadra criticou os administradores e pontuou que a solução para o quadro de endividamento passa pela avaliação de desinvestimentos e pela simplificação do grupo corporativo. Na visão da gestora, focar os esforços na operadora Hapvida Assistência Médica, onde as vantagens competitivas são mais evidentes, permitiria destravar valor. A gestora estimou que, caso essa agenda de alocação de capital contemple de forma abrangente as unidades adquiridas, incluindo a subsidiária Notre Dame Intermédica, a ação poderia se multiplicar algumas vezes.
Pressão da dívida e custo de oportunidade
Apesar da tese de simplificação, o horizonte de curto prazo impõe restrições severas. A Squadra alerta que o carrego de uma companhia alavancada, com deterioração sequencial das operações, é punitivo. O prazo para correções de rumo fica comprimido pelos vencimentos do cronograma de dívidas.
O ponto nevrálgico para o investidor que acompanha o setor de saúde é o custo de oportunidade. Com a taxa Selic em patamares elevados, a gestora justifica a redução da posição — que representava 1% dos fundos na data da carta — afirmando que os retornos prospectivos de outras empresas do portfólio são mais atraentes.
O mercado reagiu à notícia com volatilidade. Por volta das 13h10 desta terça-feira (25), os papéis da Hapvida recuavam 1,1%, sendo negociados a R$ 6,29, depois de tocarem a mínima de R$ 6,06 durante o pregão. No mês, os ativos acumulam perda de cerca de 44%, enquanto no ano a desvalorização gira em torno de 57%.