Hotéis brasileiros alcançaram em 2025 níveis de ocupação e diárias médias superiores aos registrados antes da pandemia. Diogo Canteras, gestor do FII HTMX11 (Hotel Maxinvest), revelou que a recuperação foi mais rápida do que o previsto, com o RevPAR (Receita por Quarto Disponível) do Rio de Janeiro registrando seu melhor desempenho histórico no ano passado.

Evolução da Recuperação Hoteleira

Em 2023, o setor aproximou-se dos patamares de 2019, ano que precedeu a crise sanitária. Dois anos depois, em 2025, diversas regiões registraram superação dos níveis históricos, destacando-se capitais como São Paulo e o Rio de Janeiro. O RevPAR, indicador que combina taxa de ocupação e diária média, tornou-se fundamental para mensurar esse progresso.

RevPAR: Indicador-chave da Rentabilidade

O RevPAR mede a eficiência dos estabelecimentos, ponderando receita por quarto disponível, independentemente de sua ocupação. No Rio, o índice evidenciou desempenho excepcional em 2025, impulsionado por altas taxas de ocupação e valores de diárias superiores às expectativas iniciais dos investidores.

Dinâmica Entre Oferta e Demanda

Canteras destacou que a baixa inflação de oferta — com estoque de quartos praticamente estacionado no Brasil devido aos custos de desenvolvimento e juros elevados — sustentou o crescimento da rentabilidade. Mesmo com desaceleração do PIB, que historicamente move a demanda hoteleira na mesma proporção, a progressiva recuperação econômica permitiu expansão contínua.

Segmentação por Região e Segmento

José Paim, fundador da Rossi Residencial, ressaltou a divergência entre hotéis urbanos e de lazer. Feriados prolongados impactam negativamente em cidades como São Paulo, mas impulsionam destinos turísticos. No segmento de luxo, a valorização internacional abre espaço para crescimento do turismo no Brasil, especialmente na Serra Gaúcha, já considerada atrativo para alta renda.

"Na hotelaria de lazer, nosso concorrente é o mundo"

O que isso significa para o investidor

FIIs focados em hotelaria podem se beneficiar de dois cenários: o crescimento moderado do PIB aliado à contenção da oferta, que pressiona diárias e ocupação; e a valorização internacional do luxo, que atrai turistas estrangeiros para regiões emergentes no Brasil. Investidores devem monitorar a Selic estável em 12,75%, que limita novos projetos no setor, e possíveis alterações nos fluxos internacionais de turistas com a valorização do dólar.

Riscos

  • Aceleração excessiva do PIB (acima de 3%) poderia desequilibrar a relação oferta-demanda
  • Desaceleração econômica inesperada afetando despesas com viagens corporativas
  • Queda dos juros internacionais reduzindo custos de desenvolvimento no exterior

Perspectiva e Próximos Passos

Investidores devem acompanhar relatórios trimestrais dos FIIs com carteira em hotelaria, especialmente as métricas de RevPAR nas capitais. A evolução do turismo internacional e eventuais ajustes na política de juros do Banco Central são catalisadores-chave para o setor.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.