71% das decisões de negociação de fundos mútuos podem ser previstas por inteligência artificial, de acordo com estudo liderado pelo professor Lauren Cohen da Harvard Business School. A pesquisa, publicada pelo National Bureau of Economic Research (NBER), desafia conceitos centrais da indústria de fundos ativos ao demonstrar que a maior parte das operações segue padrões replicáveis por algoritmos de aprendizado de máquina.

Metodologia revolucionária

O modelo utilizado baseou-se em redes neurais treinadas com dados de 1990 a 2023, combinando métricas como tamanho dos fundos, fluxos de capital, características das ações e indicadores macroeconômicos. A abordagem diferenciada não analisa resultados passados, mas tenta antecipar as próprias decisões de compra e venda dos gestores.

Desempenho imprevisível gera alfa

Enquanto 71% das operações apresentam previsibilidade técnica, as restantes 29% se destacaram por gerar retorno acima do mercado - o chamado alfa. "Essa fração menor de decisões não rotineiras é onde a habilidade humana efetivamente agrega valor", afirmou Cohen.

Diferenciação entre gestores

A análise revelou padrões de previsibilidade variáveis conforme características dos fundos:

Tipo de FundoPrevisibilidade
Fundos grandes, alta complexidadeMensuravelmente inferior
Gestores com múltiplos produtosSignificativamente maior
Equipes numerosasMelhor adaptação

Vale ressaltar que o modelo identifica direção das operações, não seus volumes absolutos - limitação que motivará estudos complementares.

Repercussão setorial

O trabalho ganha relevância quando 90% dos fundos ativos dos EUA falharam em superar o S&P 500 nos últimos dez anos. Com os investidores migrando para ETFs de baixo custo, o estudo sugere que o modelo tradicional de cobrança por gestão ativa deve ser reavaliado. "A previsibilidade das operações questiona modelos que cobram 1,5% sobre ativos apenas para replicar padrões do setor", sintetizou Cohen.

O que isso significa para o investidor

Os achados fornecem importantes insights para estratégias de alocação:

  • Diversificação através de múltiplos gestores diminui exposição à homogeneidade operacional
  • Monitoramento da "imprevisibilidade" dos fundos pode revelar verdadeiros diferenciais
  • Fundos com maior rotatividade de carteira demandam maior escrutínio sobre real adição de valor
  • Revisão periódica das taxas em relação aos componentes previsíveis das estratégias

Para o mercado brasileiro, contexto de selic elevada e inflação persistente aumenta apelo de estratégias passivas, mas mantém espaço para gestores com diferenciação comprovada nos 29% imprevisíveis.

Perspectiva e Próximos Passos

O debate promete intensificar-se com evolução dos modelos preditivos. Estudos futuros devem aprimorar precisão nas projeções de volumes operacionais e expandir análises para mercados emergentes. Investidores atentos devem priorizar fundos cujas decisões fogem consistentemente dos padrões setoriais.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.