O principal índice da B3 (Ibovespa) registrou queda acentuada de 1,81%, atingindo 181.966,32 pontos em nova mínima da sessão, influenciado pela abertura negativa das bolsas americanas e renovadas preocupações com a escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio. Vale (VALE3) ampliou perdas para 2,35% a R$ 82,11, enquanto bancos recuaram mais de 1% e o dólar comercial subiu 0,59% para R$ 5,250.

Desempenho Intradiário do Ibovespa e Small Caps

O Ibovespa iniciou os pregões com leve recuo de 0,07% nos leilões, aos 185.244,71 pontos, e saiu com -0,44% aos 184.551,33 pontos. Ao longo da manhã, renovou mínimas sucessivas: -1,05% aos 183.412,28 pontos, -1,12% aos 183.287,47 pontos, -1,14% aos 183.251,83 pontos, -1,15% aos 183.234,98 pontos, -1,24% aos 183.069,44 pontos, -1,26% aos 183.036,79 pontos, -1,45% aos 182.672,73 pontos, -1,50% aos 182.580,99 pontos, -1,60% aos 182.400,13 pontos, -1,61% aos 182.367,65 pontos, até ampliar para perda total de 3,2 mil pontos na mínima de 181.966,32 pontos. O Índice de Small Caps (SMLL, que acompanha empresas de menor capitalização na B3) seguiu trajetória similar, com -1,67% aos 2.461,75 pontos, -1,41% aos 2.468,29 pontos, -1,25% aos 2.472,39 pontos e abertura preliminar de -0,01% aos 2.503,49 pontos.

Dólar Comercial e Juros Futuros

O dólar comercial retomou alta com demanda por proteção, registrando +0,59% a R$ 5,250 na venda, com máxima de R$ 5,264 e mínima de R$ 5,233; mais cedo, alta de 0,36% a R$ 5,234. O Banco Central divulgou segunda parcial da PTAX (taxa de câmbio de referência diária calculada pelo BC) com compra a R$ 5,2426 e venda a R$ 5,2432, e primeira parcial com compra a R$ 5,2438 e venda a R$ 5,2444. Os contratos de juros futuros (DIs, que precificam expectativas de taxa Selic) avançaram por toda a curva:

ContratoTaxa (%)Variação (p.p.)
DI1F2713,4450,035
DI1F2812,8550,060
DI1F2912,9200,055
DI1F3113,2850,060
DI1F3213,4150,065
DI1F3313,4800,055
DI1F3413,5100,050
DI1F3513,5200,050

No mercado de derivativos, o minidólar com vencimento em abril (WDOJ26) subiu 0,39% a 5.287,50, enquanto o mini-índice com vencimento em abril de 2026 (WINJ26) caiu 0,49% a 186.820 pontos.

Mercados Globais e Volatilidade

Os principais índices de Nova York abriram em queda pelo segundo dia, com Dow Jones a -0,80%, S&P 500 a -0,45% e Nasdaq a -0,44%, refletindo receios com conflito EUA-Irã após Irã negar diálogo. O VIX (índice que mede a volatilidade esperada no S&P 500, conhecido como 'índice do medo') subiu 2,46% a 21,67 pontos, e o VXBR (versão brasileira do VIX para o Ibovespa) avançou 0,98% a 23,75 pontos. O índice DXY (que acompanha o dólar ante uma cesta de moedas) ganhou 0,37% a 99,14 pontos.

ÍndiceVariação (%)
Dow Jones-0,80
S&P 500-0,45
Nasdaq-0,44

Destaques Setoriais e Aberturas

Bancos pesaram no Ibovespa com BBAS3 a -0,31%, BBDC4 a -1,07%, ITUB4 a -0,42% e SANB11 a -0,78%. Vale (VALE3) oscilou inicialmente em torno de R$ 84,05 antes de cair para R$ 82,11. Petrobras (PETR4), com balanço previsto após o fechamento, registrou PETR3 a -0,66%, PETR4 a -0,49% e movimentos iniciais de -0,25% (PETR3) e +0,10% (PETR4). B3 (B3SA3) variou entre +0,39% a R$ 18,23, -0,50% a R$ 18,07 e -0,66% a R$ 18,04.

Varejistas mostraram sinais mistos: AMER3 +0,58%, AZZA3 +0,71%, AUAU3 -0,32%, BHIA3 +0,35%, CEAB3 -0,41%, LREN3 -0,33%, MGLU3 -0,52%, RIAA3 -0,62%, VIVA3 -0,19%. Siderúrgicas no vermelho: CSNA3 -1,50%, GGBR4 -1,01%, GOAU4 -0,90%, USIM5 -0,29%. Supermercadistas: ASAI3 -0,48%, GMAT3 -0,74%, PCAR3 -1,35%. Frigoríficos: BEEF3 -1,86%, MBRF3 -0,26%. Petro juniores em alta: PRIO3 +1,40%, RECV3 +0,96%, BRAV3 +1,70%. Outros: Embraer (EMBR3) -0,56% a R$ 91,92, Axia Energia AXIA3 -1,92% e AXIA6 -1,87%, Hapvida (HAPV3) -0,30% a R$ 9,93, AZUL4 +1,19%, GOLL4 -0,18%.

Balanços do 4T25 impulsionaram Rumo (RAIL3) a +1,65% a R$ 15,98 e Ultrapar (UGPA3) a +0,85% a R$ 26,08. XP destacou resultados da CBA (CBAV3) ligeiramente acima do esperado, apesar de custos fracos com energia e alumina; preços do alumínio superam US$ 3.200/t ante média de US$ 2.827/t no período, com expectativa de melhora no fluxo de caixa livre (FCF, medida de geração de caixa após despesas operacionais e investimentos). UBS ajustou Localiza (RENT3) para neutra com preço-alvo elevado de R$ 50 para R$ 55. Bitcoin futuro caiu 0,27% a 386.000.

Mercado de Trabalho no Brasil e EUA

A taxa de desocupação (percentual de pessoas em busca ativa de emprego) no trimestre até janeiro ficou em 5,4%, alinhada às expectativas e 1,1 p.p. abaixo do ano anterior, apesar de sazonalidade de demissões pós-Natal. Descontada a sazonalidade, caiu para 5,3%, menor da série desde 2012, com população ocupada em 102,8 milhões (+0,4% na margem). Analistas como Leonardo Costa (ASA), André Valério (Inter) e Bradesco veem resiliência, com rendimento real +2,8%, massa salarial real +2,9% e informalidade em 37,5% (menor desde julho/2020), mas sinais de perda de dinamismo em setores cíclicos; projeção de 5,5% ao fim de 2026. Nos EUA, pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram para 213 mil ante expectativa de 215 mil.

O mercado de trabalho contribui positivamente para o crescimento econômico. Ainda que a população ocupada esteja abaixo do nível de outubro de 2025, a renda acelerou, impulsionando a massa salarial real.

Bradesco BBI

Tensões Geopolíticas no Oriente Médio

Após alívio temporário por possível diálogo EUA-Irã, Teerã elevou tom e negou canais abertos. Azerbaijão prometeu resposta a drones iranianos que feriram quatro em Nakhchivan. Rússia acusou EUA e Israel de provocar Irã para envolver árabes, com Putin se oferecendo como mediador. Irã ameaçou UE de 'pagar o preço' por silêncio ante ataques. França permitiu bases americanas não combatentes em Istres para OTAN, coordenando defesas em Chipre, mas criticou ações EUA-Israel como fora do direito internacional. Savita Subramanian (Bank of America) apontou choque geopolítico elevando prêmio de risco das ações.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro de perfil intermediário a avançado, a combinação de exterior negativo e câmbio volátil reforça cautela em posições expostas a commodities como minério (Vale) e óleo (Petrobras), com potencial repasse de alta do petróleo para inflação via IPCA. Cenário otimista envolve desescalada rápida, preservando corte da Selic (taxa básica de juros); pessimista prolonga prêmio de risco, pressionando múltiplos de ações e adiando calibração de política monetária pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Nilton David (BC) manteve válida perspectiva de ajuste nos juros este mês. Dados resilientes de emprego sustentam consumo, mas dinamismo em queda exige monitoramento de massa salarial real ante Selic elevada. XP sinaliza que guerra e óleo podem impactar expectativas de corte e melhorar déficit fiscal via receitas maiores.

Riscos

  • Escalada EUA-Irã elevando prêmio de risco global e volatilidade (VIX acima de 21).
  • Alta do petróleo afetando corte da Selic e inflação importada.
  • Possível alastramento a Azerbaijão, UE e Golfo, ampliando tensões.
  • Produção e preços baixos de óleo pressionando balanço Petrobras.
  • Perda de dinamismo no emprego impactando consumo em 2026.

Monitorar balanço da Petrobras após o pregão de hoje, próxima reunião do Copom para calibração de juros, produção de petróleo da estatal e indicadores semanais de emprego nos EUA. Preços do alumínio e óleo como catalisadores para CBA e petroleiras juniores. Evolução do conflito no Oriente Médio define tom global para Ibovespa.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.