Ibovespa recua pela terceira sessão e semana fecha negativa

A Bolsa brasileira encerrou a sexta-feira (25) a 183.476,86 pontos, com baixa de 0,27% — terceira sessão consecutiva de queda e segunda semana seguida no vermelho, com perda acumulada de 0,95% nos cinco pregões. O volume financeiro chegou a R$ 23,5 bilhões, e o índice se movimentou entre 182.151,01 e 184.214,48 pontos ao longo do dia. Vale (VALE3) e os grandes bancos ficaram do lado positivo e evitaram um recuo maior.

A variação do índice, porém, não é o dado que melhor resume o dia: o IPCA-15 de setembro avançou 0,70%, invertendo a deflação de 0,40% registrada em agosto. A mudança de sinal recoloca em discussão quanto espaço ainda existe para novos cortes da Selic, e essa é a variável que tende a pesar mais sobre a alocação do investidor pessoa física nas próximas semanas.

O prévio da inflação e o efeito Itaipu

O IPCA-15 funciona como uma leitura antecipada do IPCA, coletada entre meados de um mês e o seguinte. Em setembro, boa parte da pressão veio de um item específico: a energia elétrica residencial subiu 7,42%, refletindo o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, que havia reduzido as contas no período anterior.

A distinção tem consequência prática. Parte da alta vem de um efeito técnico de comparação, que não se repete automaticamente na medição do mês cheio. Ainda assim, a leitura acima do esperado reforça a cautela do mercado justamente quando o ciclo de afrouxamento monetário vinha sendo precificado pelos investidores.

No câmbio, o dólar comercial cedeu 0,23%, a R$ 5,181, encerrando duas valorizações seguidas. Os juros futuros também recuaram ao longo da curva, sinal de que o mercado não tratou o dado do IPCA-15 como reversão do ciclo.

Petrobras pressiona, bancos seguram o índice

Petrobras (PETR4) perdeu 2,58%, na esteira do recuo do petróleo após novas sinalizações de negociação entre Estados Unidos e Irã. Prio (PRIO3), exposta à mesma commodity, cedeu 2,24%. As duas ficaram entre as maiores quedas do índice.

Na ponta oposta, Vale (VALE3) subiu 0,16% e o setor bancário trabalhou a favor: Banco do Brasil (BBAS3) +0,23%, Bradesco (BBDC4) +0,56%, Itaú Unibanco (ITUB4) +0,62% e Santander (SANB11) +0,51%. Esse contrapeso explica por que a queda do Ibovespa ficou abaixo de meio ponto percentual, mesmo com duas das principais ações do índice recuando mais de 2%.

Azzas lidera as altas com Farm Rio no radar

A maior alta da sessão veio de Azzas 2154 (AZZA3), que disparou 12,97% em meio a expectativas sobre uma possível transação envolvendo a Farm Rio. Magazine Luiza (MGLU3) avançou 7,30%, Auren (AURE3) ganhou 3,30%, e Embraer (EMBJ3) e Assaí (ASAI3) subiram 2,44% cada.

Maiores altasVariação
Azzas 2154 (AZZA3)+12,97%
Magazine Luiza (MGLU3)+7,30%
Auren (AURE3)+3,30%
Embraer (EMBJ3)+2,44%
Assaí (ASAI3)+2,44%
Maiores baixasVariação
Ultrapar (UGPA3)-5,77%
Vibra Energia (VBBR3)-4,96%
Hapvida (HAPV3)-3,10%
Cogna (COGN3)-2,75%
Petrobras (PETR4)-2,58%

Cinco pregões até o primeiro turno

Em Nova York, Dow Jones (+0,91%), S&P 500 (+0,51%) e Nasdaq (+0,48%) fecharam em alta, também impulsionados pelo noticiário envolvendo EUA e Irã, e terminaram a semana no positivo: +0,28%, +1,19% e +2,06%, respectivamente.

No Brasil, restam apenas cinco sessões antes do primeiro turno. Com a disputa ainda apertada, a tendência histórica é de sensibilidade maior dos ativos domésticos a pesquisas e sinalizações políticas, o que costuma se traduzir em volatilidade mais alta e prêmio de risco maior para papéis ligados à economia interna. Para quem acompanha a carteira, o ponto de atenção é a combinação entre esse calendário curto e uma inflação que voltou a surpreender.

O fechamento anterior do Ibovespa, referente a quinta-feira (24), havia sido de 183.965,91 pontos, com queda de 0,99%.