Ibovespa encerra a sessão em queda de 1%, aos 188.634,81 pontos, revertendo trajetória após atingir recorde intradiário de 191 mil pontos às 11h56, influenciado pela retomada das tensões tarifárias nos Estados Unidos. O movimento ocorre um dia após a Suprema Corte norte-americana derrubar as tarifas de 10% impostas pelo presidente Donald Trump em abril de 2025, que agora ameaça aplicar tarifas globais de 15% sobre importações.

Bolsa brasileira e impactos setoriais

Os setores financeiro e de commodities registraram as maiores perdas. Entre os bancos, SANB11 (-3,19%), ITUB4 (-3,15%) e BBDC4 (-2,30%) foram os destaques negativos. No topo do Ibovespa, RAIZ4 (+5%), PETR3 (+2,98%) e PETR4 (+2,58%) sustentaram parte da agenda.

AtivoVariaçãoÚltimo preço (R$)
RAIZ4+5,00%0,63
SANB11-3,19%59,51
ITUB4-3,15%27,31
VIVA3-3,97%29,53

Contexto internacional e política comercial

A política tarifária de Trump impõe nova onda de incertezas sobre os mercados. Apesar da derrota judicial no Supremo Tribunal, o presidente dos EUA anunciou aumento de 10% para 15% nas tarifas globais de importação, incluindo produtos latino-americanos e europeus. A Comissão Europeia adiou votação do acordo comercial UE-EUA, enquanto a China classificou as tarifas como "prejudiciais" às relações comerciais.

"A agenda de poder de compra dos EUA deve beneficiar nossos alimentos e fertilizantes exportados. O petróleo, nosso principal produto de exportação, permanece isento de tarifas", avalia o Bradesco sobre o cenário.

Movimento do câmbio e juros futuros

O dólar comercial fechou em R$5,1539 (mínima intradiária de R$5,1429) após o Banco Central divulgar a PTAX oficial com R$5,1635 para venda. Contratos futuros de DI de janeiro/2027 subiram 0,08 ponto percentual, indicando expectativa de maior rigidez na política monetária.

Cenário macroeconomico doméstico

O Boletim Focus revela:

  • Inflação projetada (IPCA): 2,98% em 2026 (ante 3,02% na semana anterior)
  • Juros Selic: 6,75% ao ano em média (ante 7% previsto na rodada anterior)
  • Crescimento do PIB: 2,4% em 2026 (anterior: 2,3%)

Riscos geopolíticos multiplicam volatilidade

Três fatores elevam as incertezas no curto prazo:

  • Proliferação de tarifas comerciais: Ameaça de Trump de atingir países "que fizerem joguinhos" aumenta pressão sobre commodities
  • Instabilidade no México: Violência no Jalisco interrompe atividades econômicas
  • Acidentes industriais no Brasil: Bombeiro de Vibra é encontrado, mas riscos de novas explosões

O que isso significa para o investidor

O movimento de hoje reforça as oportunidades e riscos das tensões comerciais globais. Exportadores brasileiros de produtos agrícolas e fertilizantes podem se beneficiar de maior competitividade, mas o setor de exportações industriais enfrenta pressões. A trajetória do Ibovespa demonstra:

Próximos passos

Investidores devem acompanhar:

  • 15 mar 2026: Decisão do Federal Reserve sobre juros
  • 22 mar 2026: Posse do novo chair do Fed, Kevin Warsh
  • 30 abr 2026: Relatório de inflação do BC (RIP)

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.