O Ibovespa registrou queda de 3,24%, fechando aos 181.931,93 pontos, em um pregão marcado por máxima de 182.973,41 pontos e mínima de 176.220,82 pontos, com volume negociado de R$ 32,40 bilhões e variação de +5.712,53 pontos em relação à abertura. Esse movimento reflete a dissipação do otimismo inicial gerado por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre negociações com o Irã, em meio ao 25º dia de conflito no Oriente Médio, que pressiona commodities e eleva temores inflacionários globais, enquanto a ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reforça abordagem prudente na condução da taxa Selic (taxa básica de juros).

Ata do Copom reforça cautela em meio a riscos geopolíticos e fiscais

O Comitê de Política Monetária divulgou a ata de sua última reunião, na qual optou por corte de 0,25 ponto percentual na Selic, adotando postura de serenidade e cautela. A magnitude e duração do ciclo de calibração da política monetária serão definidas gradualmente, incorporando novas evidências sobre conflitos no Oriente Médio, desaceleração da atividade econômica e impactos sobre preços. No cenário doméstico, o PIB do quarto trimestre de 2025 confirmou desaceleração, com mercado de trabalho ainda resiliente; inflação oficial e núcleo arrefeceram, mas permanecem acima da meta, com expectativas do boletim Focus em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. Externamente, tensões geopolíticas agravaram volatilidade em ativos e commodities, somadas a incertezas na política econômica americana.

Conflito no Oriente Médio impulsiona petróleo e commodities

No 25º dia de guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, ataques iranianos atingiram Israel e nações árabes, enquanto israelenses visaram Beirute. Trump adiou bombardeios a infraestruturas energéticas iranianas por cinco dias, citando diálogos "produtivos", mas o Irã negou contatos e o Catar descartou mediação direta com Washington. O Estreito de Ormuz, rota de 20% a 24% do petróleo e amônia globais, permanece majoritariamente fechado. Infraestrutura de energia iraniana sofreu danos em ataques aéreos não reivindicados. Preços do petróleo revertem quedas: WTI sobe 2,60% para US$ 90,42/barril e Brent avança 1,59% para US$ 101,53/barril, após recuo de 11% para cerca de US$ 99 (pico de US$ 112). Minério de ferro em Dalian ganha 0,55% aos 824 iuanes (US$ 119,76).

Mercados globais oscilam com apetite por risco reduzido

Índices futuros de Nova York mostram fraqueza: Dow Jones -0,19%, S&P 500 -0,14% e Nasdaq -0,02%. Ontem, Wall Street avançou amplamente, com Dow +1,38% aos 46.208,53 pontos, S&P 500 +1,15% aos 6.581,04 pontos e Nasdaq +1,38% aos 21.946,76 pontos, impulsionados por esperanças diplomáticas. Na Ásia, bolsas fecharam em alta, apesar de petróleo ascendente: Shanghai SE +1,78%, Nikkei +1,43%, Hang Seng +2,78%, Nifty 50 +2,08%, ASX 200 +0,16%, Kospi +2,7% aos 5.553,92 pontos e Kosdaq +2,24% aos 1.121,44 pontos. Europa opera mista: STOXX 600 +0,13%, DAX -0,26%, FTSE 100 +0,15%, CAC 40 -0,03% e FTSE MIB +0,14%. EWZ (ETF de Brasil nos EUA) cai 0,24% na pré-abertura. PMI composto da zona do euro desacelera para 50,5 em março (de 51,9 em fevereiro, ante exp. 51,0), sinalizando estagflação com custos elevados pela guerra. No Japão, núcleo inflacionário cai abaixo de 2%.

ÍndiceFechamento Anterior (%)
Dow Jones+1,38 (46.208,53 pts)
S&P 500+1,15 (6.581,04 pts)
Nasdaq+1,38 (21.946,76 pts)

Ibovespa em baixa; confira destaques de ontem

Entre as maiores baixas, PRIO3 recuou 2,84% para R$ 65,96. Líderes de alta incluíram MBRF3 com 4,34% (R$ 18,98), RENT4 10,43% (R$ 45,00), VAMO3 9,72% (R$ 3,50), CYRE4 9,51% (R$ 25,46) e CSNA3 3,918% (R$ 6,54). Mais negociadas: PETR4 com 80.878 negócios e alta de 0,79%, PRIO3 57.666 negócios -2,84%, B3SA3 55.136 negócios +6,61%, RENT3 50.733 negócios +8,86% e VALE3 44.199 negócios +2,57%.

Maior AltaVar. (%)Preço (R$)
MBRF34,3418,98
RENT410,4345,00
VAMO39,723,50
CYRE49,5125,46
CSNA33,9186,54
Mais NegociadaNegóciosVar. (%)
PETR480.8780,79
PRIO357.666-2,84
B3SA355.1366,61
RENT350.7338,86
VALE344.1992,57

Dólar e juros futuros em queda

O dólar comercial encerrou com desvalorização de 1,29%, cotado a R$ 5,240 (compra e venda), entre mínima de R$ 5,215 e máxima de R$ 5,314; DXY (índice do dólar ante principais moedas) cedeu 0,53% aos 99,12 pontos. Contratos de juros futuros DI1 (Depósito Interfinanceiro, benchmark de taxa prefixada na B3) caíram pela curva:

ContratoTaxa (%)Var. (p.p.)
DI1F2714,150-0,270
DI1F2813,820-0,355
DI1F2913,765-0,345
DI1F3113,870-0,275
DI1F3213,910-0,230
DI1F3313,920-0,210
DI1F3413,885-0,205
DI1F3513,890-0,180

Notícias locais e globais adicionais

Preços de combustíveis no Brasil mostram diferencial abaixo da paridade internacional: diesel A S10 com desconto de 56% ou -R$ 2,34 (ontem -86%/-R$ 3,09); gasolina A -45%/-R$ 1,13 (ontem -64%/-R$ 1,61). Petrobras ajustou gasolina há 57 dias e diesel há 11 dias. Rússia suspende exportações de nitrato de amônio (fertilizante, 40% mercado global, 25% produção mundial) até 21 de abril, por crise de suprimento via Ormuz. Refinaria Valero no Texas explode, unidade processa 435 mil barris/dia com 770 funcionários. Goldman Sachs eleva participação em Brava Energia para 5,09%. Na Fazenda, Dario Durigan nomeia Rogério Ceron (ex-Tesouro, artífice do arcabouço fiscal de metas que sucedeu teto de gastos) como secretário-executivo e Daniel Leal no Tesouro. Sergio Moro filia-se ao PL com Deltan Dallagnol, pré-candidato ao Senado; evento às 11h com Flávio e Valdemar Costa Neto. CME/FedWatch precifica 91% chance de juros americanos inalterados em abril (3,75%-4,00%).

O que isso significa para o investidor

Investidores pessoa física enfrentam volatilidade ampliada pela interseção de riscos geopolíticos com dinâmica interna: elevação no petróleo pode pressionar IPCA via combustíveis, complicando trajetória da Selic e DI1, enquanto arcabouço fiscal mitiga dúvidas, mas turbulências passadas elevaram yields soberanos. Cenário otimista envolve resolução rápida do Ormuz, aliviando inflação e sustentando corte gradual de juros; pessimista projeta estagflação global com PMI europeu estagnado e fertilizantes escassos impactando agronegócio brasileiro. Exposições a PETR4, VALE3 e PRIO3 demandam monitoramento de commodities, com dólar mais fraco favorecendo carry trades em renda fixa prefixada, mas Selic cautelosa limita reformas em CDI e pós-fixados atrelados ao IPCA.

Riscos

  • Agravamento de conflitos no Oriente Médio, fechando rotas de 20%-24% do petróleo e elevando inflação importada.
  • Incertezas na política monetária global, com Fed em 91% de pausa e BOJ ajustando comunicação por subsídios.
  • Volatilidade em commodities, como nitrato de amônio russo, afetando custos agrícolas e cadeias de suprimento.
  • Desaceleração econômica com PMI euro em 50,5, sinal de estagflação propagável a emergentes via fluxo de capitais.
  • Taxas soberanas elevadas por desconfianças fiscais, apesar de novo arcabouço.

Agentes devem acompanhar desdobramentos da guerra, negociações Trump-Irã e próxima reunião do Copom para calibração da Selic, além de PMI regionais e Focus para expectativas inflacionárias em 4,1% (2026).

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.