A sessão desta segunda-feira, 18 de maio de 2026, inicia sob forte compressão do apetite por risco no Brasil e no exterior, com o futuro do Ibovespa recuando a 178,5 mil pontos na abertura e ampliando a queda para -0,63%, atingindo o piso de 178.250 pontos. A movimentação reflete a conjugação de três vetores de pressão simultâneos: a escalada geopolítica no Golfo Pérsico, que mantém o Estreito de Ormuz praticamente interditado e impulsiona o Brent a ultrapassar US$ 110; a liquidação agressiva no mercado de títulos governamentais globais, cujos rendimentos alcançam máximas de mais de um ano; e as revisões para cima das expectativas de juros e inflação divulgadas no Boletim Focus, indicando que o Banco Central pode sustentar a taxa básica de juros em patamares mais elevados por mais tempo. Enquanto o dólar comercial recua marginalmente a R$ 5,046, a curva de juros doméstica e os preços das commodities ditam o ritmo da precificação de ativos no mercado local, exigindo dos participantes uma leitura precisa dos canais de transmissão monetária e fiscal que estão em plena operação.

Macroeconomia Doméstica: Boletim Focus e Atividade Econômica

O Relatório Focus, indicador de consenso do mercado calculado pelo Banco Central, trouxe ajustes relevantes para o horizonte macroeconômico brasileiro, sinalizando uma reprecificação dos custos de financiamento e do comportamento dos preços. Para a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia, que é a meta de juros da política monetária), a projeção para o encerramento de 2026 saltou de 13,00% para 13,25%. As expectativas para 2027 mantiveram-se estáveis em 11,25%, enquanto os anos subsequentes consolidam 10,00% tanto para 2028 quanto para 2029. O movimento denota que o mercado precifica um ciclo de aperto monetário ou manutenção restritiva mais prolongado, refletindo preocupações com a inércia da inflação e os riscos fiscais.

No campo dos preços, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, principal meta inflacionária do país) foi revisado para 4,92% em 2026, um incremento frente aos 4,91% apurados na semana anterior. Para 2027, a estimativa trava em 4,00%. Já para 2028, houve leve alta de 3,64% para 3,65%, e para 2029 o patamar segue em 3,50%. Esses números, embora próximos ao centro da meta, indicam que os choques de oferta e a desancoragem de expectativas de curto prazo exigirão vigilância constante do Conselho de Política Monetária (Copom).

O mercado de câmbio registrou ajustes graduais nas projeções cambiais. O dólar para 2026 mantém-se em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,30 para R$ 5,27, e para 2028 caiu de R$ 5,35 para R$ 5,34. O horizonte de 2029 permanece em R$ 5,40. A relativa estabilidade do câmbio esperado contrasta com a volatilidade intraday observada nos mercados futuros, sugerindo que os agentes avaliam que a política de bandas e a intervenção regulatória conseguem amortecer oscilações extremas no médio prazo.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) ganhou fôlego nas projeções de 2027, subindo de 1,76% para 1,77%. Para 2026, a estimativa segue em 1,85%, enquanto 2028 e 2029 consolidam-se em 2,00% cada. O dado de atividade de março, contudo, trouxe um sinal de cautela: o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB) registrou queda de 0,70% na comparação mensal, desempenho inferior à mediana da pesquisa Reuters, que apontava retração de 0,20%. Apesar da desaceleração pontual, o indicador acumulado no primeiro trimestre aponta expansão de 1,3%, demonstrando que a economia mantém trajetória positiva, embora com perda de inércia setorial em alguns segmentos.

Indicador2026202720282029
SELIC (%)13,2511,2510,0010,00
IPCA (%)4,924,003,653,50
PIB (%)1,851,772,002,00
Câmbio (R$/US$)5,205,275,345,40

Curva de Juros Futuros e Dinâmica dos Treasuries

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI, que representam a taxa média dos empréstimos entre instituições financeiras lastreados em títulos públicos) operaram em queda generalizada na abertura, refletindo uma leve recompra de posições ou fluxo técnico, mas mantendo a curva em patamares elevados. A taxa para janeiro de 2027 (DI1F27) recuou 0,020 ponto percentual, fixando-se em 14,215%. Para 2028 (DI1F28), a variação foi de -0,045 ponto percentual, chegando a 14,090%. O vértice de 2029 (DI1F29) seguiu o mesmo ritmo de baixa (-0,045 pp), atingindo 14,120%. Os prazos mais longos também ajustaram para baixo: 2031 (DI1F31) a 14,215% (-0,035 pp), 2032 (DI1F32) a 14,260% (-0,030 pp), 2033 (DI1F33) a 14,275% (-0,020 pp) e 2035 (DI1F35) a 14,265% (-0,020 pp).

Do outro lado do Atlântico, o mercado de renda fixa americano viveu sessão de extrema tensão. Os rendimentos (yields, que representam a rentabilidade anualizada dos títulos e movem-se inversamente aos seus preços de mercado) ampliaram as perdas de cotação, pressionados pelo prêmio de risco inflacionário gerado pela guerra no Irã. O título de referência de 10 anos saltou até 3,6 pontos-base (pb, centésimos de ponto percentual), tocando 4,631%, maior patamar desde fevereiro de 2025. O acumulado semanal superou 20 pontos-base. O papel de 2 anos, mais sensível às expectativas de política monetária do Federal Reserve, alcançou 4,105%, máxima em 14 meses. Já o Treasury de 30 anos escalou para 5,159%, recorde de um ano. O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, classificou o movimento como "uma correção – não diria que estão entrando em colapso", minimizando o pânico, mas reconhecendo a necessidade de ajustes estruturais.

No front doméstico do Fed, as expectativas de curto prazo apontam para estabilidade imediata. Os dados do CME/FedWatch projetam manutenção dos juros para a reunião de junho em cerca de 99%. As distribuições de probabilidade registradas indicam: faixa de 3,75%-4,00% com 6,4%; faixa de 3,75%-3,50% com 99,1% e 92,8%; e faixa de 3,25%-3,50% com 0,9% e 0,9%. A consolidação das taxas americanas, aliada à curva invertida ou plana nos prazos curtos, reforça a tese de que os bancos centrais das economias desenvolvidas priorizarão o combate à inflação importada por energia em detrimento de estímulos ao crescimento no imediato.

Vértice DITaxa (%)Variação (pp)
DI1F2714,215-0,020
DI1F2814,090-0,045
DI1F2914,120-0,045
DI1F3114,215-0,035
DI1F3214,260-0,030
DI1F3314,275-0,020
DI1F3514,265-0,020

Geopolítica, Commodities e Pressão sobre o Dólar

O núcleo da volatilidade global reside na escalada militar no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu rotas logísticas vitais para o escoamento de petróleo, enquanto ataques de drones incendiaram instalações nucleares nos Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita reportou a intercepção de três artefatos, e a chanceler alemã, Friedrich Merz, exigiu a abertura imediata e irrestrita do estreito, condenando a escalada e pedindo negociações sérias com Washington. O Irã afirmou ter respondido à mais recente proposta americana, com as tratativas prosseguindo sob mediação do Paquistão. O presidente Donald Trump intensificou a retórica em sua plataforma Truth Social, declarando que "o tempo está se esgotando" e que "não sobrará nada" se medidas não forem tomadas rapidamente.

Nesse ambiente, os preços dos combustíveis reagiram violentamente. O petróleo WTI subiu 0,83%, cotado a US$ 106,29 o barril, enquanto o Brent avançou 0,92%, atingindo US$ 110,28. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) destacou que os preços domésticos permanecem com ampla diferença abaixo da paridade internacional de importação (mecanismo que iguala o preço nacional ao custo de trazer o produto do exterior, somando frete, seguros e tributação). A Petrobras (PETR3; PETR4) realizou a última redução na gasolina há 112 dias e no diesel há 66 dias. Na média nacional, o diesel S10 opera com desconto de -48% (-R$ 1,75) ante a paridade, ampliando a diferença em relação à sexta-feira anterior, que era de -40% (-R$ 1,46). A gasolina A apresenta defasagem de -88% (-R$ 2,22), contra -81% (-R$ 2,04) no fechamento anterior.

O câmbio refletiu a dinâmica global com o dólar comercial abrindo em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,046 tanto na compra quanto na venda. O minidólar com vencimento em junho (WDOM26) recuou 0,26%, fixando-se em 5.060,50, enquanto o dólar futuro apresentou baixa de 0,20%, a 5.064,50 pontos. O índice DXY (Dollar Index, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes) registrou recuo de 0,15%, operando a 99,14 pontos. O enfraquecimento momentâneo do dólar nos mercados locais pode ser explicado por fluxos de hedge e recompras técnicas, mas a tendência de valorização de longo prazo permanece ligada aos juros altos e ao risco geopolítico.

No front de minérios, o ferro negociado na bolsa de Dalian caiu 1,11%, atingindo 803,00 iuanes (equivalente a US$ 117,92), pressionado pelo aumento nas remessas dos principais produtores globais, pela fragilidade do setor imobiliário chinês e pela incerteza sobre a demanda de aço. Em contrapartida, o Brasil sinalizou disposição para ampliar as exportações de petróleo bruto ao Japão. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou ao jornal Nikkei, durante visita a Tóquio, que o país está preparado para fortalecer sua presença no mercado japonês por intermédio da Petrobras, aproveitando a necessidade de Tóquio de diversificar fornecedores após as interrupções no Oriente Médio.

Desempenho Corporativo e Movimentações Societárias

O balanço da Marisa Lojas trouxe resultados que evidenciam o desafio do varejo de vestuário em um ambiente de crédito restrito e consumo pressionado. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 95,8 milhões no primeiro trimestre, invertendo o lucro de R$ 2,4 milhões registrado um ano antes. A receita líquida contraiu 3,8%, fechando em R$ 286,5 milhões. A margem bruta (diferença entre receita e custo das mercadorias vendidas) recuou 2,0 pontos percentuais, fixando-se em 49,1%. O indicador de eficiência operacional Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) despencou quase 67%, totalizando R$ 28,6 milhões, com a margem correspondente encolhendo de 29,0% para 10,0%. A compressão de margens reflete a dificuldade de repassar custos de reposição e a redução no volume de vendas.

No segmento de logística e infraestrutura, a Vamos (VAMO3) aprovou a homologação de um aumento de capital no montante de R$ 600 milhões. Da estrutura de emissão, R$ 1,00 por ação foi alocado diretamente à conta de capital social, enquanto o remanescente foi direcionado à reserva de capital. O movimento visa fortalecer a estrutura de balanço para financiar expansão ou refinanciamento de dívidas em um ciclo de juros elevados. Paralelamente, a Ecorodovias (ECOR3) anunciou que sua controlada aprovou a emissão de debêntures (títulos de dívida corporativa utilizados para captar recursos de longo prazo no mercado de capitais) no valor de R$ 2,4 bilhões. O instrumento será do tipo não conversível em ações, indicando que a empresa prioriza a captação sem diluição acionária, assumindo o risco da alavancagem para manter o controle societário e financiar projetos de concessões rodoviárias.

Pulsos dos Mercados Globais e Índices Futuros

O fechamento das bolsas asiáticas sinalizou aversão a risco generalizada, com investidores digerindo os dados de crescimento da China que apontam desaceleração no início do segundo trimestre. A produção industrial do país cresceu 4,1% em abril na comparação anual, abaixo dos 5,7% de março e distante das projeções de 5,9%. O resultado representa a expansão mais lenta desde julho de 2023. As vendas no varejo também recuaram para mínimas de mais de três anos, pressionadas pelo custo energético mais elevado e pela demanda doméstica fraca. As exportações acima do esperado e os controles de preços de combustíveis amenizaram parte do choque, mas as margens das fábricas permanecem sob tensão.

Índice/RegiãoVariação (%)
Shanghai SE (China)-0,09
Nikkei (Japão)-0,97
Hang Seng (Hong Kong)-1,19
Nifty 50 (Índia)-0,10
ASX 200 (Austrália)-1,45

Na Europa, a sessão operou de forma mista. O STOXX 600 recuou 0,32%, enquanto o DAX alemão avançou 0,21% e o FTSE 100 britânico subiu 0,20%. O CAC 40 francês cedeu 0,75% e o FTSE MIB italiano sofreu queda acentuada de 1,81%. Os dados de inflação nos quatro principais blocos econômicos mantiveram o foco na persistência dos preços, sem indícios de acordo de paz no Irã que já dura três meses. O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), principal veículo de acesso ao Brasil por investidores estrangeiros, abriu a pré-negociação em alta de 0,50%, demonstrando fluxo seletivo de valorização relativa ou recompra de posições subponderadas.

Os índices futuros dos Estados Unidos operaram em baixa após os recordes da última semana. O Dow Jones Futuro recuou 0,65%, o S&P 500 Futuro caiu 0,39% e o Nasdaq Futuro perdeu 0,34%. O calendário de resultados corporativos permanece como catalisador imediato: a Nvidia, gigante de semicondutores e referência no tema de inteligência artificial, divulgará seus números na quarta-feira, mesma data dos resultados da varejista Target. Na quinta-feira, o Walmart apresenta suas contas. A volatilidade esperada nos ativos de tecnologia e varejo tende a ditar o tom das negociações em Nova York.

Panorama Político e Regulatório

A agenda política doméstica trouxe desenvolvimentos institucionais que impactam a governança e o clima regulatório. O Senado aplicou uma regra regimental que impede o presidente Lula de reapresentar o nome de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda em 2026. Após a rejeição em plenário, a indicação só poderá ser submetida a uma nova sessão legislativa, válida a partir de 2027. No campo das investigações judiciais, a apuração sobre os recursos destinados à produção do filme sobre o ex-presidente Bolsonaro depende de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para rastrear movimentações financeiras e elucidar o destino final dos valores solicitados.

Na arena partidária, a cúpula do Centrão, bloco mais alinhado ao bolsonarismo, enxerga na neutralidade o caminho mais seguro para navegar a crise envolvendo Flávio e Vorcaro, embora ainda busque alternativas viáveis para uma candidatura de direita. O Novo pressionou internamente para que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reduzisse o tom dos ataques a Flávio, avaliando que a investida inicial, ainda que alinhada ao discurso anticorrupção da sigla, gerou desgaste desnecessário em bases eleitorais onde a legenda depende do apoio do eleitorado bolsonarista. Simultaneamente, Sergio Moro aposta na retoma de acusações da Lava-Jato contra o PT, enquanto governos estaduais e a oposição revidam críticas à operação. No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD), que desistiu da corrida presidencial, concentra esforços em eleger um sucessor, mas enfrenta obstáculos logísticos e de apoio político para consolidar o projeto.

O que isso significa para o investidor

O cenário atual exige recalibragem de portfólios diante da convergência entre inflação importada, juros domésticos elevados e compressão de margens corporativas. Para o investidor pessoa física, a elevação da projeção da Selic para 13,25% em 2026 reforça a atratividade relativa de ativos de renda fixa prefixados e atrelados ao IPCA, especialmente considerando que a curva de juros futuros mantém vértices longos acima de 14%, oferecendo prêmio de risco real positivo. A persistência de preços de petróleo acima de US$ 100 e o fechamento do Estreito de Ormuz indicam que choques de oferta continuarão pressionando o IPCA de serviços e logística, dificultando a transição para um ciclo de cortes agressivos pelo Copom.

No segmento acionário, a análise setorial torna-se premissa obrigatória. Empresas com forte poder de repasse de preços e exposição a commodities podem apresentar resiliência, enquanto varejistas dependentes de crédito ao consumidor e com estruturas de custo rígidas, como evidenciado pelo balanço da Marisa, enfrentarão margens apertadas até que a atividade econômica recupere inércia e o custo de captação recue. O cenário de emissão de debêntures pela Ecorodovias e aumento de capital da Vamos demonstra que o mercado primário permanece ativo, mas a precificação do risco creditício está mais rigorosa. O investidor deve monitorar a capacidade de geração de caixa livre dessas companhias para honrar obrigações sem comprometer a alavancagem.

Em um cenário otimista, uma desescalada diplomática no Irã e a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz poderiam aliviar a pressão sobre o Brent, reduzir os yields dos Treasuries e abrir espaço para o DXY enfraquecer, aliviando o câmbio e permitindo ao BC antecipar o ciclo de flexibilidade. No cenário pessimista, a perpetuação do conflito eleva o prêmio de risco emergente, mantém a curva DI esticada, pressiona o dólar para além das projeções do Focus e força um ajuste mais brusco nos múltiplos de valuation da B3, especialmente em setores de crescimento sensíveis ao custo de capital. A manutenção dos juros nos EUA em 99% de probabilidade para junho indica que não há alívio imediato da política monetária americana, sustentando a paridade de juros que atrai capitais voláteis para fora de mercados emergentes.

Fatores de Risco em Monitoramento

A análise do ambiente atual aponta uma matriz de riscos interligados que deve guiar a alocação tática:

  • Risco Geopolítico e Logístico: A continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz e novos ataques no Golfo Pérsico podem elevar o petróleo a patamares críticos, disruptivos para a balança comercial e para a inflação doméstica.
  • Risco Inflacionário e Monetário: A elevação das projeções de IPCA para 2026 e 2028, somada à alta nos Treasuries de longo prazo, pode forçar um aperto ainda mais prolongado da Selic, comprimindo a valoração de ativos de risco.
  • Risco de Liquidez Externa: A liquidação agressiva no mercado de títulos globais e o movimento de correção apontado por autoridades europeias sugerem que a volatilidade pode se espalhar para o crédito corporativo e para os fluxos estrangeiros na B3.
  • Risco Fiscal e Regulatório: As incertezas sobre a governança das estatais, os prazos para nomeações ao STF e as disputas partidárias estaduais podem gerar ruído na implementação de reformas e na previsibilidade do ambiente de negócios.
  • Risco de Crédito e Alavancagem Corporativa: Empresas que dependem de emissões de dívida no mercado doméstico ou internacional enfrentarão custos mais elevados de rollover (renovação de dívida), exigindo gestão rigorosa de fluxo de caixa.

Perspectiva e Próximos Passos

Os próximos dias serão decisivos para validar se a correção nos mercados globais é um ajuste técnico ou o início de uma fase de repricing mais estrutural. A atenção estará voltada para os resultados trimestrais de Nvidia, Target e Walmart, que servirão de termômetro para a saúde do consumo e o impacto dos custos tecnológicos e logísticos. As tratativas de mediação entre Irã e Estados Unidos, acompanhadas pela diplomacia europeia e asiática, definirão o rumo dos preços das commodities e dos yields soberanos. No Brasil, a divulgação de novos dados de inflação mensal e a resposta do Banco Central à nova configuração do Boletim Focus ditarão o tom das negociações de juros futuros e câmbio. O investidor deve manter disciplina, priorizar a diversificação entre classes de ativos, acompanhar os vencimentos da curva de DI e monitorar os comunicados das companhias abertas sobre proteção cambial e hedges de commodities, ajustando as exposições conforme a materialização dos cenários macroeconômicos e geopolíticos.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.