Para quem acompanha a bolsa brasileira, o primeiro pregão de outubro começou com sinal trocado: o Ibovespa futuro (INDFUT) abriu em queda, inverteu minutos depois e passou a subir, marcando 188.830 pontos às 9h10 (horário de Brasília), alta de 0,62%. No câmbio, o dólar à vista abriu a R$ 5,1922, ganho de 0,33%, acompanhando o DXY — indicador que mede a moeda americana contra seis divisas de referência —, que avançava 0,20%, aos 101.655 pontos.

Juro de 30 anos dos EUA toca 5,683%, maior nível em 24 anos

A taxa do papel de 30 anos do Tesouro americano, o yield que serve de referência para crédito de prazo longo, atingiu 5,683% mais cedo, patamar inédito em 24 anos. Ao longo da manhã, os Treasuries oscilaram entre altas e baixas. O combustível recente veio da inflação americana mais fraca que o esperado, o que deslocou as apostas para o relatório oficial de vagas de setembro — o payroll, referência central para as decisões de juros do Federal Reserve, o banco central dos EUA.

Para quem investe a partir do Brasil, o recado tende a ser de prêmio de risco maior. Taxas longas americanas nesse patamar costumam tornar a renda fixa dos EUA mais atraente na comparação com emergentes, o que historicamente reduz o apetite por ativos de maior volatilidade. Esse vetor externo chega justamente numa semana em que a agenda doméstica concentra incerteza.

O placar dos ativos logo após a abertura

AtivoVariaçãoNível
Ibovespa futuro (INDFUT)+0,62%188.830 pontos
Dólar à vista+0,33%R$ 5,1922
DXY+0,20%101.655 pontos
S&P futuro+0,36%7.743,50 pontos
Dow futuro+0,32%51.441,00 pontos
Nasdaq futuro+0,58%30.877,25 pontos
Brent (novembro)+1,96%US$ 99,95
WTI (novembro)+1,37%US$ 91,66

Lula tem 43% e Flávio Bolsonaro, 39%, na última pesquisa antes do 1º turno

Faltando três dias para a votação, o levantamento da Real Time Big Data — o derradeiro antes do primeiro turno — aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 39%. Ambos ganharam dois pontos percentuais frente à rodada anterior, quando apareciam com 41% e 37%, respectivamente, e a distância entre os dois seguiu em quatro pontos.

Nessa reta final, cada pesquisa tende a pesar mais no humor do mercado do que os fundamentos econômicos de curto prazo — e a reação costuma aparecer tanto na bolsa quanto no câmbio. O mercado espera ainda uma nova rodada do Datafolha, prevista para o fim do dia, sem horário definido.

Brent a US$ 99,95 com a China restringindo exportação de combustível

O petróleo acelerou após a informação de que refinarias chinesas suspenderam a exportação de combustível em outubro. A PetroChina, estatal do setor, cancelou carregamentos de gasolina e querosene de aviação que estavam previstos para este mês, segundo a Reuters, numa tentativa de preservar o abastecimento interno. O cenário se soma à guerra no Oriente Médio, que já vinha tensionando os mercados de energia.

Na manhã, o Brent para novembro subia 1,96%, a US$ 99,95 o barril, enquanto o WTI, referência americana, avançava 1,37%, a US$ 91,66. Barril próximo dos três dígitos tende a favorecer a ponta exportadora de commodities da bolsa brasileira, ao mesmo tempo em que adiciona pressão sobre a inflação doméstica pela via dos combustíveis.

Datafolha à noite, debate às 21h20 e payroll nos EUA

O calendário do dia mistura política e dados externos, e cada item tende a mexer com o humor dos ativos:

  • Datafolha: nova pesquisa de intenção de voto deve sair no fim do dia, sem horário definido.
  • Debate na TV Globo: os candidatos à Presidência se enfrentam às 21h20 (horário de Brasília), sem a presença de Lula.
  • Flow Podcast: entrevista com o presidente Lula a partir das 20h50.
  • Payroll: o relatório de emprego de setembro nos EUA é a principal referência do Fed para calibrar os juros.
  • Leilão de prefixados: o mercado acompanha a oferta de títulos com taxa definida no momento da compra.

Três vetores disputam a direção do pregão

O dia reúne forças que puxam em direções diferentes: o juro longo americano no maior nível em 24 anos atua como freio ao apetite por risco; o petróleo perto de US$ 100 ajuda a ponta ligada a commodities, mas cobra a conta na inflação; e a eleição a três dias adiciona volatilidade a cada nova pesquisa. Para o investidor com exposição à bolsa ou ao dólar, a combinação aponta para um pregão mais sensível a manchetes do que a fundamentos, com o fechamento — Datafolha e payroll na agenda — tendendo a definir o tom.