O Ibovespa futuro registra alta de 0,43% aos 193.270 pontos nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, enquanto o dólar comercial inicia o dia com valorização marginal de 0,01%, negociado a R$ 5,168 na compra e R$ 5,169 na venda. Esses movimentos ocorrem em meio ao déficit em transações correntes de US$ 8,36 bilhões em janeiro, superando as estimativas de US$ 6,4 bilhões, e à entrada em vigor das novas tarifas americanas de 10% sobre importações globais anunciadas por Donald Trump, configurando um cenário de cautela entre investidores brasileiros.
Contratos Futuros na B3 em Foco
Os contratos negociados na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) apresentam dinâmica mista no início do pregão. O mini-índice com vencimento em abril de 2026 (WINJ26), que replica o desempenho do Ibovespa em escala reduzida para facilitar o acesso de investidores pessoa física, abriu com ganho de 0,14% aos 192.755 pontos. Já o minidólar com vencimento em março (WDOH26), derivativo sobre o dólar futuro, reverteu para baixa de 0,13% a 5.172,50 pontos às 9h06, após iniciar com 0,05% de alta a 5.181,50 pontos. O dólar futuro, por sua vez, registra recuo de 0,02% aos 5.179,00 pontos, e o Bitcoin Futuro (BITFUT), instrumento derivativo sobre a criptomoeda, acumula perdas de 2,11% aos 327.560,00.
| Contrato | Última Atualização | Variação | Nível Atual |
|---|---|---|---|
| Ibovespa Futuro | 9h07 | +0,43% | 193.270 pts |
| Dólar Comercial | 9h07 | +0,01% | R$ 5,168 / 5,169 |
| Mini-Índice WINJ26 | 9h01 | +0,14% | 192.755 pts |
| Minidólar WDOH26 | 9h06 | -0,13% | 5.172,50 pts |
| Dólar Futuro | 9h01 | -0,02% | 5.179,00 pts |
| Bitcoin Futuro BITFUT | 9h02 | -2,11% | 327.560,00 |
Déficit em Conta Corrente Supera Expectativas
O Banco Central divulgou que o Brasil fechou janeiro com saldo negativo em transações correntes (déficit em conta corrente, que mede fluxos de bens, serviços, rendas e transferências com o exterior) de US$ 8,36 bilhões, acima da mediana projetada por analistas em US$ 6,4 bilhões. O rombo acumulado nos últimos 12 meses equivale a 2,92% do PIB (Produto Interno Bruto). Por outro lado, os investimentos diretos estrangeiros (IED, aportes de longo prazo como aquisições de empresas ou novas fábricas) somaram US$ 8,168 bilhões, superando a previsão de US$ 7,0 bilhões, ajudando a financiar parcialmente o desequilíbrio.
Combustíveis Abaixo da Paridade e Petrobras
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que os preços internos permanecem abaixo da paridade com referências globais. O diesel A S10 registra desconto de 16% ou R$ 0,53 por litro na média nacional (ante 13% ou R$ 0,42 ontem), enquanto a gasolina comum apresenta deságio de 1% ou R$ 0,04 (ante 3% ou R$ 0,07). A Petrobras (PETR3; PETR4), controladora do refino nacional, reduziu os valores da gasolina há 29 dias e reajustou o diesel há 295 dias.
Destaques Corporativos: Gerdau e Azul
A Gerdau comunicou a aprovação de proventos aos acionistas, com detalhes sobre elegibilidade. A companhia siderúrgica havia divulgado resultados operacionais na véspera. No setor aéreo, a Azul reportou EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 801,9 milhões em dezembro, com receita líquida total de R$ 2,082 bilhões.
Mercados Globais: Ásia, Europa e Futuros Americanos
As bolsas asiáticas encerraram sem tendência definida, repercutindo a manutenção das taxas chinesas e alertas sobre tarifas americanas. Os índices europeus operam divididos, com receios sobre retaliações comerciais nos Estados Unidos.
| Índice | Variação |
|---|---|
| Shanghai SE (China) | +0,87% |
| Nikkei (Japão) | +0,87% |
| Hang Seng (Hong Kong) | -1,82% |
| Nifty 50 (Índia) | -1,21% |
| ASX 200 (Austrália) | -0,04% |
| STOXX 600 | -0,12% |
| DAX (Alemanha) | -0,08% |
| FTSE 100 (Reino Unido) | -0,20% |
| CAC 40 (França) | +0,10% |
Futuros em Nova York avançam após quedas na véspera, com Dow Jones +0,14%, S&P 500 Futuro +0,22% e Nasdaq Futuro +0,31%.
Política Monetária Chinesa e Commodities
O banco central da China manteve as taxas de empréstimo primárias (LPR, benchmark para crédito corporativo e imobiliário) inalteradas pelo nono mês: 3,0% ao ano e 3,5% para cinco anos. Nos commodities, barris de petróleo se mantêm estáveis, com WTI a US$ 66,25 (-0,09%) e Brent a US$ 71,31 (-0,25%). O minério de ferro na bolsa de Dalian cai 1,79% para 740,50 iuanes (US$ 107,18).
Tarifas de Trump em 10% e Implicações
As novas tarifas globais temporárias impostas pelos EUA entram em vigor com alíquota de 10%, inferior aos 15% inicialmente ventilados por Trump após revés na Suprema Corte. Aeronaves comerciais, incluindo potenciais ganhos para a Embraer, motores e peças aeroespaciais ficam isentos. Parceiros como UE, Japão e Canadá veem extensão de benefícios anteriores. Advogados alertam para incertezas em reembolsos e acordos vigentes. Na ferramenta CME/FedWatch (projeção de apostas sobre juros do Federal Reserve), a chance de manutenção das taxas em março atinge 95%.
| Período | 3,75%-3,50% | 3,50%-3,25% | 3,25%-3,00% |
|---|---|---|---|
| 18/03 | 95,9% | 4,1% | – |
| 29/04 | 84% | 15,5% | 0,5% |
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro de perfil intermediário a avançado, o déficit ampliado em conta corrente pressiona reservas internacionais e pode elevar prêmios de risco no câmbio, com o dólar acima de R$ 5,16 testando importadores e favorecendo exportadores de commodities. Tarifas americanas de 10% elevam custos de insumos globais, mas isenções setoriais beneficiam aeroespacial nacional indiretamente via Embraer. No cenário macro, com Selic acima de 10% e IPCA pressionado, o IED robusto de US$ 8,168 bilhões sustenta fluxos para B3, mas volatilidade em minicontratos exige gerenciamento de stop-loss. Cenário otimista: recuperação em futuros EUA impulsiona Ibovespa via fluxo estrangeiro; pessimista: escalada tarifária e tensões Irã-Ucrânia derrubam commodities, impactando PETR4 e siderúrgicas como Gerdau.
Riscos
- Incerteza nas tarifas Trump: alíquota pode subir para 15%, afetando comércio global e exportações brasileiras.
- Geopolítica: confronto Rússia-Ocidente na Ucrânia e tensões EUA-Irã elevam volatilidade em petróleo e minério.
- Disrupção por IA: preocupações com impactos em software e corporativo americano contaminam Wall Street.
- Déficit externo persistente: 2,92% do PIB em 12 meses pode depreciar real e pressionar juros futuros.
- Política interna: penduricalhos judiciais e revogação de hidrovias sinalizam instabilidade regulatória.
Investidores devem monitorar a possível reunião Lula-Trump em 16 de março para pautas de comércio e crime organizado, além de decisões do Fed em 18/03 e 29/04. Protestos indígenas em hidrovias e decisões israelenses na Cisjordânia com participação brasileira adicionam ruído geopolítico. Na B3, relatórios de Gerdau e Azul detalham proventos e EBITDA, enquanto Abicom atualiza paridade de combustíveis diariamente.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
