A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira em 183.476,86 pontos, com recuo de 0,27%, e a variação semanal ficou negativa em 0,95%. No pregão, o índice oscilou entre 182.151,01 na mínima e 184.214,48 na máxima, com volume financeiro de R$ 23,99 bilhões. Petrobras concentrou a pressão vendedora, mas o tom ruim da semana foi ditado por dois fatores domésticos: a inflação de setembro e a disputa presidencial.

Um dia quase parado, uma semana no vermelho

O contraste entre a queda de 0,27% no dia e o recuo de 0,95% na semana costura a leitura do pregão. Isoladamente, o Ibovespa passou perto da estabilidade; no acumulado de cinco dias, o saldo ficou negativo. Os alívios que apareceram na sexta vieram de fora, enquanto a tensão formada ao longo da semana nasceu dentro de casa. Para quem tem posição em bolsa, isso desloca o foco: o índice deixou de responder apenas aos juros americanos e ao petróleo e passou a reagir com mais intensidade ao noticiário político e aos dados de preços.

Petrobras puxa, bancos seguram

As preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 2,58% e as ordinárias (PETR3) perderam 2%, em sintonia com o petróleo mais fraco no mercado internacional. O barril do Brent fechou a US$ 104,32, baixa de 2,1%.

O setor financeiro foi na direção oposta e limitou o estrago. Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,62%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,56%, Santander Brasil (SANB11) ganhou 0,51% e Banco do Brasil (BBAS3) somou 0,23%. BTG Pactual (BPAC11) encerrou estável. Vale (VALE3) marcou 0,16% de alta, tendo como pano de fundo a estabilidade dos futuros do minério de ferro na China.

Eleição e IPCA-15: o peso doméstico

O IPCA-15 de setembro mostrou inflação acima do esperado e pressionou o índice desde a abertura. No campo político, a pesquisa Datafolha divulgada na véspera apontou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, o placar ficou em 47% a 45%. No levantamento anterior, a vantagem era de 39% a 36% e de 46% a 44%, respectivamente, favorável ao petista nos dois cenários.

Matheus Villela, analista da gestora de patrimônio Aware Investments, avaliou o movimento das pesquisas.

O alívio que veio do exterior

O rendimento do Treasury de 10 anos fechou em 5,1625%, abaixo da máxima de 5,2297% e praticamente igual aos 5,162% do pregão anterior. Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,51%. Villela, da Aware Investments, comentou o efeito do exterior sobre o pregão.

Ultrapar e Vibra devolvem ganhos; Azzas dispara

Ultrapar (UGPA3) caiu 5,77%, em nova sessão de ajuste depois de acumular valorização superior a 14% em setembro até a última quarta-feira. Na área de combustíveis, Vibra (VBBR3) perdeu 4,96%, segunda queda seguida, após ganhar mais de 17% no mês até quarta.

Na ponta oposta, Azzas 2154 (AZZA3) disparou 12,97%, ganhando força no período da tarde. Investidores continuam especulando sobre os desdobramentos da reorganização societária anunciada no começo do mês e sobre uma eventual transação que envolva a unidade FARM Rio.

AtivoVariação na sexta
AZZA3+12,97%
ITUB4+0,62%
BBDC4+0,56%
SANB11+0,51%
BBAS3+0,23%
VALE3+0,16%
BPAC11estável
PETR3-2%
PETR4-2,58%
VBBR3-4,96%
UGPA3-5,77%

O que observar daqui para frente

A corrida presidencial entra na reta final antes do primeiro turno, e o mercado tende a seguir atento a cada novo levantamento. Sobre esse ponto, Villela, da Aware Investments, afirmou o seguinte.