O Ibovespa registrou disparada superior a 1%, alcançando 185,6 mil pontos logo na abertura, impulsionado por dados positivos do varejo brasileiro em janeiro e inflação americana (CPI - Índice de Preços ao Consumidor) de fevereiro em linha com as expectativas, enquanto o dólar comercial se manteve ao redor de R$ 5,16 em meio a juros futuros mistos e escalada de tensões no Oriente Médio.

Evolução Intradiária do Ibovespa

O principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) iniciou a sessão com volatilidade, saindo dos leilões de pré-abertura com queda de 0,71%, aos 182.147,05 pontos, e abertura preliminar de -0,01%, em 183.426,06 pontos. Rapidamente, renovou máximas sucessivas: às 10h35, 184.144,49 pontos (+0,37%); 10h36, 184.181,85 pontos (+0,40%); 10h39, 184.451,41 pontos (+0,55%); 10h41, 184.730,15 pontos (+0,70%); 10h43, 184.873,85 pontos (+0,84%). O SMLL (Índice Small Caps da B3), que acompanha empresas de menor capitalização, abriu com leve recuo de 0,01%, aos 2.457,38 pontos. O VXBR (índice de volatilidade implícita do Ibovespa) iniciou com baixa de 0,20%, aos 25,02 pontos.

Desempenho do Dólar e Futuros Cambiais

O dólar comercial oscilou próximo de R$ 5,16, com cotação de R$ 5,164 na compra e R$ 5,163 na venda (+0,14%). A primeira parcial da PTAX (taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central) registrou compra a R$ 5,1701 e venda a R$ 5,1707. Nos futuros, o DOLFUT (contrato futuro de dólar) abriu com -0,05%, aos 5.188,00, e o minidólar WDOJ26 (mini contrato de dólar com vencimento em abril) com -0,11%, a 5.185,50. O DXY (índice que mede o dólar contra uma cesta de moedas) subiu 0,18%, aos 99,00 pontos.

Juros Futuros e Curva de DI

Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro, que precificam expectativas para a Selic - taxa básica de juros) abriram com altas generalizadas pela curva, refletindo preocupações com inflação e riscos geopolíticos:

ContratoTaxa (%)Variação (p.p.)
DI1F2713,630+0,070
DI1F2813,125+0,095
DI1F2913,180+0,095
DI1F3113,510+0,095
DI1F3213,615+0,100
DI1F3313,670+0,095
DI1F3413,695+0,100
DI1F3513,690+0,080

Dados do Varejo Brasileiro em Janeiro

O varejo ampliado avançou 0,9% em janeiro ante dezembro, enquanto o varejo restrito (foco em bens duráveis e não essenciais) cresceu 0,4%, atingindo o maior nível da série histórica. Na comparação anual, as vendas subiram 2,8% (contra expectativa de +1,8%). Em dezembro, o varejo restrito havia caído 0,4%. Analistas atribuem o resultado a fatores sazonais, como alta de 1,8% em tecidos, vestuário e calçados, mas destacam dependência de consumo essencial (supermercados e farmácias) e fraqueza em itens sensíveis ao crédito, como móveis (-0,4% em 12 meses no varejo sensível ao crédito). Projeções incluem crescimento de 1,6% para o comércio em 2026 e PIB em 1,7%.

Economista do C6 Bank aponta PIB de 1,7% em 2026 e 2027, com Selic iniciando cortes para 14,75% e 12,5% no fim do ano.

Inflação nos EUA: CPI de Fevereiro

O CPI americano subiu 0,3% em fevereiro ante janeiro (em linha com projeções; janeiro havia sido +0,2% ante dezembro). No anual, avançou 2,4% (igual a janeiro vs. janeiro anterior). O núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia voláteis) cresceu 0,2% mensal (projetado; janeiro +0,3%) e 2,5% anual (em linha). Analistas veem persistência em serviços e riscos de energia pela guerra.

MétricaJaneiro (m/m)Fevereiro (m/m)Esperado (Feb m/m)Anual (Jan)Anual (Feb)
CPI Headline+0,2%+0,3%+0,3%+2,4%+2,4%
CPI Core+0,3%+0,2%+0,2%+2,5%+2,5%

Mercados Americanos e Volatilidade

Os principais índices de Nova York abriram mistos: Dow Jones com -0,10%, S&P 500 +0,18% e Nasdaq +0,37%. O VIX (índice de volatilidade do S&P 500) caiu 0,84%, aos 24,73 pontos. Futuros prévios: Ibovespa INDFUT variou de +0,01% (185.960) a -0,94% (184.195), mini índice WINJ26 -0,09% (185.780), Bitcoin BITFUT -1,02% (359.800).

Conflito no Oriente Médio e Petróleo

O Irã prometeu ataques contínuos, prevendo barril de petróleo a US$ 200, após ataques a navios no Golfo Pérsico e bloqueio. Autoridades iranianas reportaram mais de 1,3 mil civis mortos em bombardeios de EUA e Israel, que eliminaram o aiatolá Ali Khamenei e comandantes. O novo líder supremo sofreu ferimentos leves. Israel pressiona EUA contra fim prematuro da guerra, temendo ogivas de fragmentação. Trump sugere desescalada, mas tensões persistem, elevando petróleo apesar de queda anterior. Irã veta seleção de futebol na Copa de 2026 nos EUA.

Destaques Setoriais e Corporativos

Grandes bancos viraram para altas: BBAS3 +0,72%, BBDC4 +0,05%, ITUB4 +0,09%, SANB11 +0,06% (iniciaram com quedas de até -1,36%). Petrobras PETR3 +1,18%, PETR4 +1,07%. Vale VALE3 -0,70% (R$ 80,00). B3SA3 -1,60% (R$ 17,82). Raízen RAIZ4 caiu abaixo de R$ 0,50 por recuperação extrajudicial (em leilão com CSAN3). Smartfit SMFT3 reportou lucro recorrente de R$ 235 milhões no 4T (+19% a/a), receita líquida R$ 1,948 bilhão (+26%).

Varejistas mistos: AMER3 -0,38%, AZZA3 -1,20%, AUAU3 +0,62%, BHIA3 -1,57%, CEAB3 estável, LREN3 +2,37%, MGLU3 +0,39%, RIAA3 +0,22%, VIVA3 -0,94%. Supermercadistas: ASAI3 -0,96%, GMAT3 -0,94%, PCAR3 -2,64%. Siderúrgicas: CSNA3 -1,24%, GGBR4 -0,43%, GOAU4 -1,06%, USIM5 -0,59%. Petro juniores: PRIO3 +1,82%, RECV3 +0,31%, BRAV3 +2,05%. Outros: HAPV3 -0,63% (R$ 9,46), EMBJ3? -0,61% (R$ 84,09), AZUL +0,93%, GOLL -0,26%, BEEF3 +0,45%, MBRF3 -1,45%, AXIA3 -0,21%, AXIA6 -0,17%.

  • Combustíveis: diesel A S10 -48% (-R$ 1,55 paridade), gasolina abaixo também.
  • Pesquisa: desaprovação Lula em 50,5%.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, a robustez do varejo em janeiro sinaliza resiliência no consumo essencial, suportada por mercado de trabalho e estímulos fiscais como ampliação da faixa de isenção do IR, mas com riscos de desaceleração pelo endividamento em bens duráveis. O CPI americano neutro preserva chances de cortes no Fed, mas núcleo elevado e guerra elevam prêmios de risco, pressionando Selic via Copom hawkish. Alta do Ibovespa reflete otimismo doméstico, mas volatilidade VXBR e VIX alerta para reversões. Cenário otimista: desescalada geopolítica baixa petróleo, favorecendo câmbio e PIB; pessimista: persistência da guerra impulsiona inflação importada (IPCA via combustíveis), alonga curva DI e comprime múltiplos na B3. Fatores macro como Selic atual e CDI guiam alocações em renda fixa.

Riscos

  • Geopolíticos: Escalada Irã-EUA-Israel ameaça petróleo a US$ 200, elevando custos energia e inflação no Brasil (gap combustíveis já negativo).
  • Monetários: Varejo forte reforça viés hawkish no Copom, adiando cortes de 0,50 p.p. para 0,25 p.p. na Selic.
  • Volatilidade: Mercados mistos EUA e futuro Ibovespa indicam ruído curto prazo; núcleo CPI persistente limita Fed.
  • Corporativos: Recuperações como RAIZ4 e sanções Irã impactam petroquímicas e exportadoras.

Os próximos focos incluem decisão do Copom na próxima semana sobre Selic (possível corte para 14,75%), atualizações da guerra no Oriente Médio e varejo futuro para confirmar tração. Projeções de PIB 1,7% e Selic 12,5% fim de 2026 dependem de desinflação e energia estável.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.