O Ibovespa registrou elevação de 0,28%, encerrando em 189.307,02 pontos, com suporte das ações de petrolíferas como Petrobras (PETR3 e PETR4), em sessão marcada pela intensificação do conflito no Oriente Médio após ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no sábado, que retaliou e interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo global.

Tensões no Oriente Médio impulsionam petróleo

A paralisação temporária do Estreito de Ormuz provocou salto nos preços do petróleo, com o contrato Brent atingindo US$82,37 intradiário antes de fechar com ganho de 6,7%, em US$77,74 o barril. Felipe Sze, gestor de multimercados da ASA, destacou que essa interrupção precaucional incorpora risco geopolítico imediato, superior aos fundamentos de curto prazo.

Espera-se altíssima volatilidade pela imprevisibilidade da escalada militar e riscos à infraestrutura de energia. O viés para o petróleo permanece de alta enquanto o conflito perdurar, mas com potencial de correção abrupta em caso de resolução.

O presidente Donald Trump indicou que a campanha americana, lançada para conter o programa nuclear e de mísseis balísticos iraniano, estava prevista para durar de quatro a cinco semanas, podendo se estender.

Desempenho do Ibovespa e contexto mensal

O índice de referência da B3 (Bolsa de Valores brasileira) oscilou entre mínima de 186.637,98 pontos e máxima de 190.110,43 pontos, com volume negociado de R$31,7 bilhões. Após valorização de 4% em fevereiro, impulsionada por entrada de estrangeiros de R$16 bilhões até o dia 26, a sessão refletiu realização parcial de lucros diante da aversão ao risco externa, com o S&P 500 nos EUA terminando praticamente estável e o dólar alcançando R$5,16.

Relatório da estrategista Emy Shayo, do JPMorgan, mantém o Brasil como favorito na América Latina e entre os overweight (posicionamento acima da média) em emergentes, favorecido por ciclo de afrouxamento monetário iminente e baixa exposição de institucionais locais, sem risco eleitoral imediato. Estrategistas da XP ajustaram o valor justo do Ibovespa para 196 mil pontos ao fim do ano (ante 190 mil anteriores), graças à redução dos juros reais longos em fevereiro, embora o índice de Sentimento XP indique otimismo extremo em 100 (escala de 0 a 100), sinalizando risco de correção.

Destaques entre as ações

As petrolíferas lideraram os ganhos, acompanhando o petróleo, com a Petrobras monitorando o conflito para ajustes de preços. A B3 (B3SA3) atuou como contrapeso relevante.

AtivoVariação (%)
PETR4 (Petrobras PN)+4,58
PETR3 (Petrobras ON)+4,63
PRIO3 (Prio ON)+5,12
BRAV3 (Brava ON)+2,84
RECV3 (Petroreconcavo ON)+3,33
B3SA3 (B3 ON)+3,3

Analistas do Itaú BBA reiteraram outperform (desempenho superior ao índice) para B3SA3, elevando preço-alvo para R$22 (ante R$17).

Negativos incluíram Vale (VALE3), descolada da alta de 0,87% no minério de ferro em Dalian, e CSN (CSNA3). Bancos mistos, construtoras e petroquímica pressionados.

AtivoVariação (%)
VALE3-0,35
CSNA3-2,32
ITUB4 (Itaú PN)-1,81
BBDC4 (Bradesco PN)+0,38
BBAS3 (Banco do Brasil ON)0
BPAC11 (BTG Pactual Unit)-0,28
SANB11 (Santander Brasil Unit)+0,06
BRKM5 (Braskem PNA)-3,55
MRVE3 (MRV ON)-2,25
CVCB3-3,04

O índice imobiliário (IMOB) caiu 1,53%, impactado por elevação nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs, contratos de juros futuros na B3).

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, o episódio reforça a influência de choques externos sobre o Ibovespa, com setores commodities como petróleo ganhando em cenários de tensão, enquanto cyclicals como construção e viagens sofrem com dólar volátil e juros em alta. No otimista, resolução rápida do conflito normaliza fluxos e sustenta o overweight em emergentes; no pessimista, prolongamento eleva inflação importada via petróleo, pressionando Selic e IPCA. O fluxo estrangeiro recente e afrouxamento monetário doméstico oferecem base, mas otimismo extremo no Sentimento XP sugere cautela ante correções.

Riscos

  • Prolongamento do conflito, conforme Trump, ampliando volatilidade no petróleo e interrupções em rotas como Ormuz.
  • Realização de lucros após fevereiro forte, agravada por cena externa negativa.
  • Impacto em DIs e dólar (R$5,16), elevando custo de capital para setores sensíveis como imobiliário.
  • Prévia operacional fraca de petroquímicas como Braskem, com queda nas vendas de resinas e químicos no 4T.

Monitorar sinais de normalização no Oriente Médio, decisões de preços da Petrobras, evolução do sentimento de mercado (Sentimento XP) e fluxo estrangeiro na B3, além de balanços setoriais como o da MRV nesta semana.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.