Ibovespa acumula 50% de valorização em 12 meses mesmo sem início formal do ciclo de corte da Selic, superando em 35 pontos percentuais o rendimento do CDI (15% a.a.). Os dados do estrategista-chefe da XP, divulgados mesmo após queda de 3% no pregão de terça-feira (3), revelam um padrão recorrente: mercados antecipam decisões do Copom, penalizando investidores que aguardam oficialização de políticas monetárias.

Antecipação de movimento pelo mercado

"Quem esperou a confirmação do primeiro corte da Selic para migrar da renda fixa perdeu 80% do movimento altista", alerta Fernando Ferreira. Isso explica por que a alocação média em renda variável entre brasileiros está em mínimos históricos – cerca de 5-6% do portfólio.

AnoInflows Internacionais
2025R$25 bilhões
2026 (pré-conflito)R$42 bilhões

Valuation atrativo atrai capital estrangeiro

A Bolsa brasileira permanece subavaliada mesmo após o rali recente. Com múltiplo preço/lucro projetado de 8,2x ante média histórica de 11,3x, os ETFs internacionais continuam a incorporar ações brasileiras. Fatores comovotações na Argentina, Chile, Colômbia e Brasil (outubro) elevam apetite por emergentes comexposição a commodities – setor onde América Latina detém vantagem comparativa global.

"A exposição latino-americana a commodities é crucial para posicionamento global. Mantenha diversificação", Fernando Ferreira

Fundos imobiliários: desconto persistente

Apesar da valorização do IFIX em21% em 2025, a média dos FIIs segue negociando comdesconto de 18% sobre o valor patrimonial líquido (NAV). Marx Gonçalves destaca que reduções na curva de juros futuros geram reprecificação positiva: "Fundos de lajes corporativas com correções acima do IPCA e occupancy rate em 92% têm potencial para aumento de JCP".

O que isso significa para o investidor

Com a Selic projetada em 10,0% ao final de 2026 (próximo corte em março), estratégias de rotação para renda variável devem antecipar o ciclo. O cenário macro indica:

  • Movimento pré-corte: aumento gradual de exposição a ações dividendistas e FIIs
  • Impacto da política externa: monitorar câmbio (dólar a R$5,26) e commodities
  • Oportunidade no segmento imobiliário: desconto do IFIX frente ao NAV supera diferença média histórica de 12%

Riscos no radar

Embora o cenário seja positivo, atrasos no calendário eleitoral ou escalada do conflito no Golfo Pérsico podem gerar correções. Ferreira alerta: "Quem tenta acertar ativos da moda corre risco de subperformance prolongada".

Perspectiva e próximos passos

Eventos agendados a acompanhar:

  • Definição do primeiro corte Selic (março 2026)
  • Resultados corporativos Q1 com impacto do conflito no Oriente Médio
  • Movimentação em FIIs após divulgação de projeções de occupancy rate

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.