Principais pontos

  • O Ibovespa abriu estável nesta terça-feira, 15, aos 185.501,62 pontos, e desde então trava uma disputa para se manter no nível de 186 mil pontos.
  • No Brasil, a aposta majoritária é de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, para 13,75% ao ano
  • O varejo restrito recuou 0,8% na comparação com junho, ficando em linha com o piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast.
  • O instituto MDA entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 9 e 13 de setembro.

O Ibovespa abriu estável nesta terça-feira, 15, aos 185.501,62 pontos, e desde então trava uma disputa para se manter no nível de 186 mil pontos. A máxima intradia chegou a 186.465,12 pontos (+0,52%) e a mínima a 185.055,57 pontos (-0,24%). Às 11h15, o índice subia 0,24%, aos 185.939,52 pontos, depois de fechar a segunda-feira em baixa de 0,91%, aos 185.500,88 pontos.

Marcador do IbovespaPontosVariação
Abertura185.501,62estável
Máxima186.465,12+0,52%
Mínima185.055,57-0,24%
Cotação às 11h15185.939,52+0,24%
Fechamento anterior185.500,88-0,91%

O vaivém tem explicação simples: o mercado não precifica risco novo, apenas espera. Nas próximas horas, três eventos concentram a atenção — a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o ministro Alexandre de Moraes, a decisão do Federal Reserve (Fed) e a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), as duas últimas nesta quarta-feira. "O mercado está totalmente em compasso de espera", resume Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos.

O STF no centro do tabuleiro eleitoral

A sessão iniciada nesta terça no STF analisa se Moraes será alvo de apuração oficial por causa das conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo Mota, o consenso entre os operadores é de 5 votos a 3 pela abertura da investigação, com a ressalva de que, nas palavras dele, "nada batido em pedra ainda".

A leitura é que o desfecho extrapola a seara jurídica. Conforme o especialista da Manchester, a expectativa é ver como a decisão mudará ou não o tabuleiro da eleição presidencial. Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, acrescenta outro vetor: eventuais novas revelações sobre o financiamento do filme Dark Horse também podem respingar no cenário eleitoral.

Fed e Copom dividem a mesma quarta-feira

No exterior, os índices de ações recuam moderadamente, mesmo com o petróleo de volta ao campo positivo. Na madrugada, o Brent chegou a subir 2,4%, para acima de US$ 108 por barril, diante de temores sobre a oferta; às 11h12, avançava 1,7%. A alta da commodity pressiona as preocupações inflacionárias globais, sobretudo nos Estados Unidos, onde o Fed deve elevar as taxas de juros nesta quarta.

No Brasil, a aposta majoritária é de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, para 13,75% ao ano, na decisão de amanhã. Fed e Copom anunciam suas taxas na mesma janela — coincidência que, historicamente, costuma reduzir a disposição do investidor local a assumir risco antes dos vereditos.

Varejo fraco dá munição à aposta no corte

Os dados divulgados hoje sustentam essa aposta. O varejo restrito recuou 0,8% na comparação com junho, ficando em linha com o piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast. Já as vendas ampliadas subiram 0,4% em julho ante junho, abaixo da mediana das expectativas, de 0,9%.

Na comparação com julho de 2025, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 1,8% em julho. As projeções iam de 1,7% a 4,2%, com mediana positiva de 2,5%.

Pesquisas eleitorais: Lula cede, Flávio avança

A pesquisa CNT/MDA divulgada hoje mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oscilando de 42,4% para 40,5% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro passou de 28,7% para 30,4%. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 47,3% (de 48%) e Flávio com 40% (de 39,1%). O instituto MDA entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 9 e 13 de setembro.

O levantamento Indexa/Broadcast traz o petista com 43% das intenções de voto, ante 42% do senador do PL, em uma simulação de segundo turno. No primeiro turno, as taxas são de 38% para Lula e de 34% para Flávio.

Petrobras sobe, Vale digere ação do MPF

Entre as ações ligadas a commodities, a Vale caía 0,61% e a Petrobras (PETR3;PETR4) avançava de 1,98% (PN) a 2,36% (ON). Em Dalian, o minério de ferro cedeu 0,56% hoje. A mineradora ainda digere a notícia de que o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a empresa, a Agência Nacional de Mineração e o governo de Minas Gerais pelo extravasamento de água e sedimentos na mina de Viga, em Congonhas (MG), em janeiro de 2026.

A Petrobras firmou contrato de longo prazo com a Sempra Infrastructure para a compra de 0,8 milhão de toneladas por ano de Gás Natural Liquefeito (GNL) por 20 anos, com suprimento do Terminal de Liquefação de Port Arthur, no Texas.

O que observar nas próximas horas

O índice segue preso ao intervalo que defende desde a abertura, e a definição tende a vir apenas com os três vereditos. Para quem acompanha a bolsa brasileira, o ponto de atenção não é o patamar em si, mas a velocidade com que o mercado revê prêmios de risco quando STF, Fed e Copom entregam seus resultados na mesma janela.