Sentimento de mercado atinge pico
Em setembro, 29% dos assessores afiliados à XP Investimentos declararam a intenção de ampliar a alocação em ações nos próximos meses, salto de 19 pontos percentuais em relação a agosto. O índice de confiança, medido numa escala de 0 a 10, subiu de 5,7 para 6,8, a pontuação mais alta desde maio deste ano. Esse cenário reflete a recuperação das ações brasileiras após um período de cautela prolongada.
Revisão das expectativas para o Ibovespa
A melhoria do humor entre os profissionais de investimento também se traduziu em uma revisão das projeções para o principal índice da B3. A média das estimativas para o final de 2026 avançou de 172 mil para 188 mil pontos, embora ainda represente uma valorização modesta de cerca de 2,5% em relação ao patamar atual, próximo de 183 mil pontos. Essa elevação indica que, embora o otimismo esteja em alta, os analistas ainda mantêm uma postura prudente quanto ao ritmo de alta do mercado acionário.
Alocação efetiva permanece estável
Apesar do aumento do entusiasmo, a composição das carteiras dos clientes ainda não mostrou mudanças significativas. A parcela de assessores que reportou exposição entre 0% e 10% recuou levemente para 49%, enquanto a faixa entre 10% e 25% avançou para 36%. Juntas, essas duas categorias representam 85% dos respondentes, número praticamente idêntico ao registrado em agosto. O dado sugere que a disposição para assumir mais risco ainda está em fase de consolidação.
Renda fixa ainda lidera a preferência
A renda fixa mantém a posição de ativo preferido, com 84% dos assessores indicando maior interesse por produtos desse segmento – alta de 7 pontos percentuais em relação a agosto e o nível mais elevado desde dezembro de 2024. Em seguida, aparecem os fundos de renda fixa e os investimentos internacionais. As classes de ações e fundos imobiliários registraram crescimento de interesse, atingindo 39% em ambos os casos.
Principais riscos apontados pelos profissionais
Os fatores de risco que ainda rondam o cenário brasileiro foram destacados por 78% dos assessores, que apontam a questão fiscal como a principal ameaça ao desempenho das ações. A instabilidade política e eleitoral segue próxima, citada por 71% dos entrevistados. Por outro lado, o risco geopolítico ganhou relevância, sendo mencionado por 35%, um aumento de 17 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. A preocupação com juros locais acima do esperado perdeu força, caindo para 29%.
Eleições de outubro já moldam decisões de investimento
A proximidade das eleições de outubro de 2026 está influenciando a alocação de recursos nas carteiras dos clientes. Setenta e cinco por cento dos assessores afirmam que a disputa eleitoral já impacta o posicionamento das carteiras, número que subiu de 63% em agosto. Além disso, 33% percebem mudanças significativas de alocação motivadas pelo cenário eleitoral, acima dos 30% registrados anteriormente.
Panorama setorial
O setor financeiro lidera as indicações de investimento, atingindo 74% das preferências – alta de 4 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Em segundo plano, os setores de elétricas e saneamento totalizam 63% das indicações. A parcela de investidores sem interesse específico em qualquer setor recuou pela metade, passando para 9%.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Assessores que pretendem aumentar exposição a ações | 29% |
| Nota média de sentimento sobre ações (0‑10) | 6,8 |
| Projeção média do Ibovespa para fim de 2026 | 188 mil pontos |
| Interesse por renda fixa | 84% |
| Risco fiscal percebido como principal ameaça | 78% |
A leitura é de que o otimismo crescente ainda não se traduz em movimentos bruscos de alocação, mas cria condições para um ajuste gradual das carteiras rumo a maior participação em renda variável, enquanto a renda fixa preserva sua posição de segurança.
