Enquanto as gigantes da tecnologia dos EUA aumentam investimentos bilionários em inteligência artificial (IA), o mercado global passa por uma mudança estratégica. Investidores estão migrando capital para empresas com ativos físicos robustos e menor risco de disrupção tecnológica, fenômeno conhecido como HALO (High Assets, Low Obsolescence). No Brasil, esse movimento encontrou terreno fértil entre empresas listadas no Ibovespa, especialmente com a criação de uma carteira específica pela equipe do Santander Brasil (SANB11).
O que é o efeito HALO?
O termo HALO descreve empresas com alta base de ativos físicos e baixo risco de obsolescência tecnológica. A estratégia surgiu como resposta ao temor sobre como a IA pode transformar setores inteiros, levando investidores a buscar empresas que exigem altos custos de replicação e são mais resilientes a inovações disruptivas.
"A pergunta deixou de ser quem se beneficia da IA e passou a ser quem pode ser 'disruptado' por ela", explica Aline Cardoso, líder da equipe do Santander Brasil.
Por que o Brasil se destaca no efeito HALO?
Muitas empresas brasileiras têm modelos de negócio intrinsecamente físicos, com altos investimentos em infraestrutura, que não podem ser facilmente substituídos por algoritmos. A combinação de ativos tangíveis e barreiras elevadas à entrada de novos concorrentes faz do país um epicentro natural para estratégias HALO. Além disso, com os recorrentes recordes do Ibovespa em 2026, o Brasil se torna ainda mais atrativo para investidores globais em busca de proteção contra os riscos da revolução da IA.
As 10 ações HALO para apostar no Brasil
O Santander Brasil selecionou uma carteira de 10 empresas do Ibovespa com características HALO. A seleção combina elevados ativos físicos, baixa exposição à obsolescência tecnológica, fundamentos operacionais positivos e potencial de valorização.
- Axia Energia (AXIA3) - Energia limpa com infraestrutura física cara e regulatória.
- Aura Minerals (AURA33) - Mineração com ativos físicos em ouro, setor resistente à IA.
- Brava Energia (BRAV3) - Exploração e produção de petróleo marítimo, com barreira tecnológica e física.
- Copasa (CSMG3) - Saneamento com ativos regulados e difícil substituição tecnológica.
- Cyrela (CYRE3) - Construção civil com obras físicas que exigem engenharia e infraestrutura complexa.
- Direcional Engenharia (DIRR3) - Outra construtora que demanda ativos físicos pesados.
- Orizon (ORVR3) - Líder em valorização de resíduos, área de economia circular e difícil automação total.
- Prio (PRIO3) - Combustíveis e distribuição com ativos físicos extensos.
- Telefônica Brasil (VIVT3) - Telefonia com infraestrutura fixa e mobilidade com altos custos de substituição.
- Vale (VALE3) - Uma das maiores mineradoras do mundo, com ativos estratégicos e indispensáveis à indústria.
O que muda para investidores?
A estratégia HALO traz oportunidades em um mundo cada vez mais dominado por debates sobre IA. Para investidores brasileiros, isso reforça que setores tradicionais não são apenas "ativos antigos", mas possíveis proteções contra a incerteza da revolução digital. Além disso, pode aumentar o fluxo de capital estrangeiro para o Ibovespa, já que a busca por proteção contra a IA ganha força no cenário global.
Com empresas como VALE3, ORVR3 e SANB11 na mira do efeito HALO, o Brasil mostra que nem tudo está perdido no mundo da IA - basta investir no tipo certo de ativos.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
