Os investimentos de pessoas físicas no Brasil totalizaram R$ 8,58 trilhões em dezembro de 2025, representando expansão de 15,5% ante os R$ 7,43 trilhões de fim de 2024. Esse resultado, revelado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em 24 de junho, reflete o dinamismo do varejo de alta renda, com crescimento de 21,2%, e reforça a atratividade de opções seguras em ambiente de juros elevados.
Domínio da renda fixa com CDBs na frente
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), emitidos por instituições financeiras e garantidos pelo FGC até certo limite, lideraram em todas as regiões, com alta de 27,7% e captação líquida de R$ 288,7 bilhões junto a pessoas físicas, elevando o estoque a R$ 1,33 trilhão. Os fundos de renda fixa, veículos que investem majoritariamente em títulos prefixados e pós-fixados, expandiram 28,2%, superando R$ 1 trilhão em alocações.
Avanços em ETFs, FIIs e outros alternativos
Os Exchange Traded Funds (ETFs), fundos negociados em Bolsa que replicam índices como o Ibovespa, cresceram 47,8%, atingindo R$ 18,3 bilhões. Títulos públicos, emitidos pelo Tesouro Nacional, subiram 43,4% para R$ 263,6 bilhões. Fundos de Investimento em Participações (FIPs), direcionados a equity privado, e Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs), focados em imóveis e pagadores de rendimentos isentos, registraram 31,7% (R$ 45,5 bilhões) e 25,7% (R$ 128,5 bilhões), respectivamente. Certificados de Operações Estruturadas (COEs), produtos híbridos com proteção de capital, avançaram 23,5% para R$ 103,3 bilhões.
Robustez de ativos isentos e previdência
A categoria de ativos isentos de IR — Cédulas de Crédito Rural (CRAs), Cédulas de Crédito Imobiliário (CRIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e debêntures incentivadas — cresceu 15,5%, totalizando R$ 1,42 trilhão. Planos de Previdência Complementar Privada expandiram 13,7%, com patamar de R$ 1,54 trilhão. Fundos de ações, 11,9% (R$ 252,9 bilhões); ações diretas na B3, 9,7% (R$ 807,3 bilhões); e debêntures tradicionais, 7,7% (R$ 51,4 bilhões).
| Ativo | Crescimento (%) | Volume Total (R$ bi/trilhão) |
|---|---|---|
| CDBs | 27,7 | 1,33T |
| Fundos Renda Fixa | 28,2 | >1T |
| ETFs | 47,8 | 18,3B |
| Títulos Públicos | 43,4 | 263,6B |
| FIIs | 25,7 | 128,5B |
| COEs | 23,5 | 103,3B |
FIDCs com salto expressivo em base inicial
Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), compostos por recebíveis como duplicatas, destacaram-se com 122,8% de expansão para R$ 51,9 bilhões. Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, observa que o impulso veio da recente abertura ao varejo, embora o montante permaneça modesto ante os R$ 8,5 trilhões totais do setor.
Riscos
- Poupança retraiu 1,1%, para R$ 961,4 bilhões, perdendo apelo frente a pós-fixados atrelados ao CDI.
- Fundos multimercados caíram 1,9%, a R$ 536 bilhões, impactados por volatilidade.
- Fundos cambiais diminuíram 1,8%, com R$ 1,9 bilhão.
- Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) desabaram 13,6%, encerrando em R$ 100,4 bilhões.
O que isso significa para o investidor
Em cenário de Selic elevada próxima a dois dígitos e IPCA pressionado, a preferência por renda fixa remunera acima da inflação, mas exposição concentrada exige diversificação para mitigar duration risk em cortes futuros de juros. Alta em FIDCs e FIIs sinaliza busca por yield extra, enquanto recuos em multimercados e cambiais alertam para sensibilidade a câmbio volátil e risco de mercado. Varejo de alta renda impulsiona, mas PF intermediárias monitoram custos fiscais e liquidez na B3.
Adiante, acompanhe relatórios trimestrais da Anbima, trajetória da Selic pelo Copom e impactos eleitorais sobre fluxo para ativos de risco como ações e FIIs.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
