A semana entre 19 e 23 de outubro reúne a última leva de indicadores econômicos antes do segundo turno das eleições de 2026, e o dado mais sensível fica para o fim: o IPCA-15 de outubro, que o IBGE divulga na sexta-feira (23), às 9h. As projeções das instituições que já se posicionaram apontam para aceleração do indicador. O Bradesco trabalha com +0,45% na comparação mensal, enquanto o Itaú estima +0,51%. Neste segundo cenário, o acumulado em 12 meses sairia de 4,5% e chegaria a 4,8%.

A diferença entre as duas casas não é pequena quando se considera o momento do calendário: o número chega a poucos dias da votação, sem espaço para novos indicadores de preços antes da decisão para a presidência da República.

O que empurra o índice: alimentos, combustíveis e a bandeira tarifária

Na avaliação dos analistas do Bradesco, o avanço do mês será sustentado sobretudo pelos alimentos, cuja variação deve ser a maior desde maio, influenciada pelos efeitos do El Niño sobre a oferta. Parte desse impulso, ainda segundo o banco, tende a ser neutralizada pela redução da tarifa de energia elétrica, consequência da troca da bandeira amarela pela verde. Já os combustíveis continuam a pressionar o índice, sem alívio previsto na projeção da instituição.

Agenda doméstica: Focus, IGP-10 e a segunda prévia do IGP-M

A programação brasileira começa na segunda-feira (19), com o IPC da FIPE às 5h, seguido do IGP-10 de outubro às 8h, com variação indicada de 1,44% na comparação mensal. Na sequência, às 8h25, o Banco Central publica o Relatório Focus semanal, e o dia se encerra às 15h com os dados semanais da balança comercial da Secex.

A terça-feira (20) não traz indicadores relevantes. Na quarta-feira (21), a FGV divulga, às 8h, o IGP-M de outubro em sua segunda prévia, e o Banco Central apresenta, às 14h30, o fluxo cambial semanal.

DiaIndicadorHorárioReferência
19/10 (seg)IPC da FIPE5h—
19/10 (seg)IGP-10 de outubro (FGV)8h+1,44% no mês
19/10 (seg)Relatório Focus (BC)8h25—
19/10 (seg)Balança comercial (Secex)15h—
21/10 (qua)IGP-M, 2ª prévia de outubro (FGV)8h—
21/10 (qua)Fluxo cambial semanal (BC)14h30—
23/10 (sex)IPCA-15 de outubro (IBGE)9h+0,45% no mês

Pesquisas eleitorais se concentram até quarta-feira

O calendário de levantamentos eleitorais segue intenso nos primeiros dias úteis. AtlasIntel, Nexus e PoderData divulgam resultados na segunda-feira (19). Na terça-feira (20), saem os compilados da Real Time/Big Data. A quarta-feira (21) fecha a rodada com novos dados da Quaest. Depois disso, a agenda de pesquisas perde tração até a votação.

Estados Unidos: auxílio-desemprego, PMI e confiança do consumidor

Do lado americano, a agenda é curta e começa apenas na quinta-feira (22), às 9h30, com os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Na sexta-feira (23), às 10h45, a S&P Global publica o PMI composto de outubro, e às 11h sai o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

O que essa combinação muda para quem acompanha a renda variável

A concentração de eventos em uma única semana eleva a chance de ruído nos preços dos ativos domésticos, especialmente porque o IPCA-15 chega depois de o mercado já ter ajustado posições às pesquisas eleitorais. Quando o dado de inflação e a última leva de levantamentos caem na mesma janela, movimentos de curto prazo tendem a refletir mais a surpresa relativa do que a tendência de médio prazo — e a dispersão entre as projeções do Bradesco e do Itaú, de 0,45% a 0,51%, mostra que o consenso sobre a pressão dos alimentos ainda não está fechado.

Para quem acompanha juros futuros e ações sensíveis à atividade doméstica, a leitura mais útil não é o número isolado do mês, mas a combinação entre o acumulado em 12 meses, o comportamento dos alimentos e o alívio vindo da conta de luz. Um IPCA-15 acima do intervalo projetado tende a alimentar revisões nas expectativas coletadas pelo Focus das semanas seguintes; um resultado dentro da faixa estimada costuma deslocar a atenção para o noticiário político.