O Conselho de Administração da Irani Papel e Embalagem S.A. (B3: RANI3) anunciou, em 27 de maio de 2026, a aprovação do Projeto Gaia XII. O plano prevê uma revitalização completa da unidade de Papel MG, localizada em Santa Luzia (MG), incluindo a reforma da histórica máquina de papel MP#7 (inaugurada em 1980) e a instalação de uma nova caldeira de força. O investimento consolidado marca o fim do ciclo "Gaia" de otimização de plantas e prepara o terreno para a nova fase estratégica da empresa.

Capex, capacidade e cronograma da obra

O projeto mobilizará um investimento bruto (capex) de R$ 514 milhões. Descontados R$ 61 milhões em impostos recuperáveis, o desembolso líquido estimado é de R$ 453 milhões. O foco central é elevar a capacidade produtiva da unidade em 60%, adicionando aproximadamente 36 mil toneladas anuais à produção atual, que gira em torno de 60 mil toneladas. O papel fabricado na MP#7 abastecerá diretamente a operação de conversão e embalagens da companhia em Indaiatuba (SP), garantindo maior sinergia na cadeia produtiva.

As obras começarão após a conclusão das licenças ambientais e etapas preparatórias, com previsão de entrada em operação (start-up) da máquina reformada para o 4º trimestre de 2028.

Transição energética e metas ESG

Um dos pilares do Gaia XII é a substituição da caldeira a gás natural por um equipamento moderno movido a biomassa. Essa mudança está alinhada ao Plano de Descarbonização da Irani e promete uma redução drástica de cerca de 87,6% nas emissões de CO₂ equivalente (cerca de 11,8 mil tCO₂e/ano). Além do impacto ambiental positivo, a autossuficiência na geração de energia renovável deve pressionar para baixo os custos industriais com vapor e eletricidade.

O projeto também entrega ganhos de eficiência hídrica e de resíduos, com:

  • Redução no consumo específico de água e na geração de efluentes;
  • Aumento na reciclagem de aparas (OCC);
  • Qualificação para futura geração de créditos de carbono.

O que muda para investidores

Do ponto de vista financeiro, a diretoria reforçou que a alocação de capital segue critérios rigorosos de geração de valor. O projeto apresenta uma Taxa Interna de Retorno (TIR, que mede a rentabilidade anualizada do investimento) projetada acima do Custo Médio Ponderado de Capital (WACC, o custo mínimo de captação de recursos). Isso indica que o projeto deve criar valor líquido para os acionistas ao longo de sua vida útil.

A Irani também reafirmou seu compromisso com a disciplina fiscal, mantendo o índice de alavancagem (Dívida Líquida / EBITDA Ajustado) no patamar alvo de 2,5x. Após a conclusão do Gaia XII, a companhia iniciará a transição para a Plataforma Neos, próximo ciclo de modernização focado em inovação tecnológica e escalabilidade operacional.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.