A ISA Energia (ISAE4) tem registrado uma correção recente em suas cotações, o que, segundo análises do Ativo Virtual, pode sinalizar uma janela de oportunidades para investidores de médio e longo prazo. Apesar da retração no preço, a transmissora mantém receita operacional em crescimento, modelo de negócio defensivo e fluxo de caixa previsível, características que têm atraído o interesse de grandes analistas em meio à volatilidade macroeconômica atual.

Panorama Técnico e Resultados Financeiros

No gráfico semanal, o ativo mantém tendência de alta consolidada, com suporte técnico em R$ 28,72 e zona de resistência entre R$ 31,60 e R$ 32,60. Fundamentalmente, a receita líquida do 4T25 atingiu R$ 1,12 bilhão. A queda de 3% no comparativo anual deve-se integralmente à redução do componente RBSE; isolado, o faturamento operacional cresceu 2%. O lucro líquido recuou para R$ 83 milhões, pressionado por despesas financeiras decorrentes de um ciclo de investimentos (capex) de R$ 12,3 bilhões em linhas autorizadas. A alavancagem atingiu 3,63 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, mas a estrutura de vencimento (82% pós-2030) e o caixa de R$ 2,16 bilhões garantem a solidez do balanço.

Upgrade do Bank of America e Valuation

O Bank of America revisou a recomendação para ISAE4 de “venda” diretamente para “compra”, elevando o preço-alvo para R$ 35. A instituição justifica a postura com base em três pilares: valuation descontado para um ativo de risco reduzido, prêmio de risco excessivo em comparação a títulos públicos indexados à inflação e a expectativa de resolução de um contencioso previdenciário de R$ 2,7 bilhões com o governo de São Paulo, que segue em renegociação judicial.

Risco de Venda por Grande Acionista

O mercado também monitora a possibilidade de um grande acionista desfazer participação de 20% a 21% na companhia. Embora a operação possa gerar pressão vendedora pontual por excesso de oferta no mercado secundário, a estrutura regulada da transmissão e a previsibilidade contratual permaneceriam inalteradas, limitando o impacto aos fundamentos de longo prazo.

O que muda para investidores

Com projeção de Dividendo por Ação (DPA) entre R$ 1,46 e R$ 1,47 para 2026 e payout estimado em 75%, o Ativo Virtual calcula preços teto de compra conforme o retorno desejado: R$ 36,71 (4% de yield), R$ 24,47 (6%), R$ 18,35 (8%) e R$ 14,68 (10%). Pelo modelo de Benjamin Graham, o preço justo seria de R$ 51,83. Investidores devem acompanhar a trajetória da taxa Selic, o cronograma de entregas dos projetos e a dinâmica das renovações regulatórias para definir seus aportes.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.