Após uma valorização acumulada de 30% nos últimos seis meses, incluindo dividendos, e diante de perspectivas de margens menos favoráveis, o Itaú BBA rebaixou sua recomendação sobre Gerdau (GGBR4) de outperform (desempenho acima do mercado) para market perform (desempenho médio do mercado), mantendo o preço-alvo em R$ 24. A decisão reflete análise crítica sobre o potencial assimétrico limitado e o ciclo de fluxo de caixa livre esperado.
Raciocínio por trás do rebaixamento
De acordo com o Itaú BBA, os fundamentos da siderúrgica permanecem sólidos em divisões estratégicas, como na América do Norte, onde a margem operacional ainda sustenta rentabilidade. No entanto, o upside percebido pelo mercado já incorporou grande parte das projeções positivas, especialmente diante de:
- Pressões de custos esperadas a partir do segundo semestre de 2026
- Vulnerabilidades no ambiente macroeconômico brasileiro
- Incertezas regulatórias entorno do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá)
| Ações Gerdau (GGBR4) | Preço Atual | Preço-Alvo Itaú BBA |
|---|---|---|
| Fechar 27/09 | R$ 20,86 | R$ 24,00
Em negociação às 10h17, as ações preferenciais recuavam 1,04%, cotadas a R$ 20,86 na B3.
Complexos brasileiros como risco
Enquanto a operação norte-americana opera com spreads metálicos robustos a curto prazo, o mercado interno enfrenta desafios. Margens operacionais em unidades do Brasil estão underperforming, afetadas por concorrência intensa, altos custos fixos e pressões inflacionárias persistente. Dados do último relatório trimestral evidenciam que a divisão brasileira representa apenas 35% da receita consolidada, mas apenas 18% do EBITDA ajustado.
Catalisadores para desconto atual
Analistas destacam dois eventos corporativos para reavaliar valorização no médio prazo:
- Listagem nos EUA: Potencial abertura de capital reduziria o desconto estatístico frente a pares como Nucor (NUE) e Steel Dynamics (STLD), que operam com múltiplos EV/EBITDA ~40% superiores ao de Gerdau;
- Venda de créditos de carbono: Gerdau possui 220 mil hectares de terras, das quais 50 mil hectares produtivos poderiam gerar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em capital não contabilizado nas projeções atuais.
O que isso significa para o investidor
Investidores brasileiros devem monitorar:
- Correlação com Selic: Como operação brasileira responde a juros reais elevados, o EBITDA líquido de hedge cambial pode ser impactado;
- Spread norte-americano: Margens operacionais na região estão 20% acima da média histórica e podem retrair em 2025 com aumento da produção da U.S. Steel;
- Dinamismo macro: Pressões inflacionárias no Brasil reduziriam alavancagem operacional, especialmente na verticalização de minério próprio.
Riscos mencionados
- Retração dos spreads metálicos em NA após estabilização da demanda de energia verde
- Aumento da alíquota efetiva de IR em créditos de carbono negociados internacionalmente
- Concursos públicos estendidos em leilões de terras florestais de baixo valor de realização
Perspectiva e Próximos Passos
Investidores devem observar: divulgação do EBITDA 3T24 em outubro (expectativa de consolidação entre R$ 2,4 bi e R$ 2,6 bi); decisão estratégica sobre venda de ativos florestais em novembro; e dados de spread metálico americano atualizados em dezembro.
