A carteira Top 5 do Itaú BBA para dezembro ganhou um novo integrante, a WEG (WEGE3) entrou na seleção no lugar da Eneva (ENEV3). A troca foi comunicada após um outubro em que a carteira recuou 7,4%, desempenho ainda 2,5 pontos percentuais melhor que o do Ibovespa — contraste relevante em um ano em que o índice chegou a despencar 20% com o resultado eleitoral que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Para quem usa a carteira como referência de alocação, a mudança altera o tipo de risco embutido, sai uma tese mais exposta à abertura da curva de juros — movimento em que as taxas dos prazos longos sobem e encarecem o valor presente dos fluxos futuros — e entra uma multinacional com receita espalhada por vários países. A composição segue com fatias iguais entre os cinco papéis.

A lógica do banco para o período que sucede a eleição dispensa apostas em nomes de volatilidade extrema, a seleção prioriza companhias com execução comprovada, e a WEG se encaixa nesse filtro como uma das fábricas de bilionários da bolsa. Ao menos três integrantes das famílias que controlam a empresa aparecem na lista de bilionários da Forbes.

Peso igual e três frentes de retorno

Nenhum dos cinco ativos tem peso maior que os demais. Esse arranjo, segundo o Itaú BBA, procura equilibrar crescimento, geração de caixa e pagamento de dividendos. O efeito prático é repartir o risco, uma tese isolada não define o resultado do mês, e um erro de escolha específico pesa apenas um quinto do total.

25 vezes o lucro: o que o múltiplo revela sobre o ponto de entrada

A ação da WEG é negociada perto de 25 vezes o lucro projetado — ou seja, o mercado paga cerca de R$ 25 para cada R$ 1 de lucro esperado. O número, isolado, diz pouco; comparado ao próprio histórico, sim, o múltiplo está aproximadamente 15% abaixo da média, patamar que o Itaú BBA trata como ponto de entrada mais atrativo.

No acumulado do ano, os papéis da companhia andam de lado. Nas últimas semanas, porém, subiram cerca de 12%, enquanto o Ibovespa amargava queda forte no mesmo intervalo. O Itaú BBA acrescenta que, após os resultados do terceiro trimestre, identifica aceleração no crescimento das receitas e enxerga espaço para revisões positivas nos lucros projetados para 2027.

Diversificação geográfica e as tendências de ciclo longo

A WEG figura entre as maiores multinacionais brasileiras, e é a dispersão das operações pelo exterior que os analistas do banco colocam no centro da tese. A essa característica se somam tendências estruturais: eletrificação, ampliação das redes elétricas, data centers, inteligência artificial e armazenamento de energia. São frentes dependentes de capital intensivo, de horizonte longo, e que costumam alongar a visibilidade de receita de quem participa da cadeia.

Outubro: Petrobras segurou, juros pressionaram

O desempenho da seleção no mês fechou negativo em 7,4%. O principal alívio veio da Petrobras (PETR4), cujos papéis avançaram 7%, sustentados pela manutenção dos preços do petróleo. Do outro lado, Eneva, Sabesp (SBSP3) e XP (XPBR31) foram pressionadas pela alta das taxas longas e pelo giro dos investidores em direção a exportadoras e a nomes de perfil defensivo.

IndicadorValor
Tombo do Ibovespa com o resultado eleitoral20%
Carteira Top 5 em outubro-7,4%
Vantagem da Top 5 sobre o Ibovespa em outubro+2,5 p.p.
WEGE3: múltiplo sobre o lucro projetado25x
Desconto do múltiplo ante a média históricacerca de 15%
WEGE3 nas últimas semanas+12%
Petrobras em outubro+7%

Para quem acompanha a seleção, o dado a observar é a velocidade das revisões de lucro de 2027 para a WEG, caso a aceleração de receita do terceiro trimestre se confirme, o desconto de 15% sobre a média histórica do múltiplo ganha consistência; se a abertura da curva de juros voltar a surpreender, a rotação para exportadoras e nomes defensivos tende a continuar pesando contra as teses domésticas.