O Itaú Unibanco (ITUB4) assumiu a liderança entre as empresas da B3 ao distribuir R$ 48,9 bilhões em dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio, proventos isentos de IR para pessoa física até certo limite) em 2025, superando a Petrobras (PETR3 e PETR4) com R$ 45,4 bilhões e encerrando a sequência de três anos de domínio da petrolífera no ranking de maiores desembolsos de caixa aos acionistas, conforme apurado pela Elos Ayta.

Retorno do Itaú ao topo após seis anos

Essa posição marca o regresso do banco ao primeiro lugar pela primeira vez desde 2019, quando também havia interrompido uma hegemonia anterior de três anos na liderança. A conquista reflete a robustez dos lucros recorrentes do setor financeiro em meio a um ambiente de maior previsibilidade econômica, contrastando com a volatilidade ligada a commodities que impulsionou concorrentes nos anos recentes.

Domínio recente da Petrobras no ranking

A Petrobras ocupou o topo com ampla margem entre 2022 e 2024, período marcado por uma política agressiva de remuneração aos acionistas e preços elevados do petróleo. No auge de 2022, a estatal registrou o recorde histórico de R$ 194,6 bilhões repassados, valor inédito para o mercado de capitais brasileiro. Os desembolsos caíram para R$ 98,2 bilhões em 2023 e R$ 100,7 bilhões em 2024, ainda elevados, mas já sinalizando moderação ante o pico anterior.

Critérios do levantamento e foco em pagamentos realizados

O estudo da Elos Ayta contabiliza unicamente os proventos efetivamente desembolsados, ou seja, o caixa que saiu das empresas e chegou aos acionistas dentro do ano-calendário. Essa abordagem exclui anúncios ou aprovações de dividendos que só se concretizam em trimestres subsequentes, como aqueles decididos no fim do ano e pagos no início do próximo, garantindo precisão nos rankings anuais.

Histórico de lideranças na B3 de 2010 a 2025

Em 16 anos analisados, de 2010 a 2025, a Vale (VALE3) destaca-se como a maior vencedora, com cinco lideranças divididas em dois ciclos de alta nas commodities: 2011-2013, beneficiada pela expansão do setor mineral, e 2020-2021, no superciclo do minério de ferro. Itaú Unibanco e Petrobras empatam no segundo lugar, cada uma com quatro anos no topo. A Ambev (ABEV3) completa o pódio com três lideranças consecutivas entre 2014 e 2016.

EmpresaTickerVezes no Topo (2010-2025)
ValeVALE35
Itaú UnibancoITUB44
PetrobrasPETR3/PETR44
AmbevABEV33

Empresas expostas a commodities, como Petrobras e Vale, sobem ao topo em fases de preços internacionais favoráveis e explosão de geração de caixa. Já instituições financeiras como o Itaú ganham destaque em contextos de estabilidade, onde resultados previsíveis sustentam repasses consistentes.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, esse movimento reforça a atratividade de setores com fluxos de caixa estáveis, especialmente em cenários de Selic em queda gradual e IPCA controlado, que favorecem bancos com margens financeiras elevadas. Otimistamente, uma economia estável pode ampliar proventos recorrentes do Itaú, enquanto pessimismo viria de recessão agravando provisões para devedores duvidosos. No caso da Petrobras, atenção a preços do petróleo e política de distribuição influenciam volumes futuros, num câmbio volátil que afeta importadoras de combustíveis. Investidores devem monitorar balanços trimestrais e assembleias para captar sinais de remuneração, ponderando diversificação entre ciclos cíclicos e defensivos da B3.

Adiante, fique atento aos resultados do quarto trimestre de 2025 e assembleias de 2026, além de catalisadores como evolução dos preços do petróleo para a Petrobras e indicadores de inadimplência no sistema financeiro para o Itaú, que podem moldar os rankings de proventos no próximo ano.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.