Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) recompra até 200 milhões de ações preferenciais até agosto de 2027

O que aconteceu, com quem, quando e por quê: O Itaú Unibanco Holding S.A. comunicou nesta terça-feira, 04 de fevereiro de 2026, um novo e robusto programa de recompra de ações de emissão própria. O conselho de administração do banco decidiu encerrar com antecedência o programa aprovado em 05.02.2025 e substituí-lo por uma autorização para comprar, no mercado, até 200 milhões de ações preferenciais até o dia 04.08.2027 — sem redução do capital social.

A medida está respaldada na Lei 6.404/76 e na Resolução CVM nº 77/22 e reforça a visão do Itaú de otimizar o retorno ao acionista e fortalecer a gestão de capital, dando ao banco margem para remuneração de colaboradores e administradores e para um eventual cancelamento de ações.

A nova estrutura de recompra de papéis próprios

O banco detalhou ao mercado que:

  • A aquisição de até 200.000.000 (duzentas milhões) de ações preferenciais poderá ser feita pelo Itaú Unibanco Holding S.A. até no máximo 04.08.2027, com liquidação até essa data.
  • Essa quantidade equivale a aproximadamente 3,74% das 5.349.627.055 ações preferenciais do banco em circulação, tomando como base de referência o dia 31.12.2025.
  • O programa anterior (aprovado em 05.02.2025 e com vencimento em 05.02.2026) foi formalmente encerrado com antecedência para dar lugar à nova estrutura, mais robusta e de prazo mais longo.
  • As compras ocorrerão em bolsa de valores, ao preço de mercado, e serão intermediadas pela Itaú Corretora de Valores S.A.
  • A companhia informou que não utilizará instrumentos derivativos na operação.

Essa movimentação foi tratada como Fato Relevante e entregue às autoridades reguladoras dentro dos padrões do Anexo G da Resolução CVM nº 80/22, que disciplina operações de negociação de ações de própria emissão.

Base acionária atual: o mercado de ações do Itaú

Na data-base de 31.12.2025, a estrutura de capital do Itaú Unibanco Holding S.A. era a seguinte:

  • 456.130.473 ações ordinárias em circulação;
  • 5.349.627.055 ações preferenciais em circulação;
  • 0 ações ordinárias em tesouraria;
  • 344.662 ações preferenciais em tesouraria.

Portanto, o banco praticamente não mantinha ações ordinárias (ITUB3) em tesouraria antes do novo programa, o que reforça a importância do movimento em curso no universo das preferenciais (ITUB4), onde o volume em circulação é bem maior e há mais espaço para recompra.

Para que servirá esse volume de ações recompradas?

O próprio fato relevante lista os objetivos centrais do programa, destacando duas frentes principais:

  • Remuneração de colaboradores e administradores: prover a entrega de ações aos funcionários e administradores de Itaú Unibanco e de suas controladas, no âmbito dos modelos de remuneração, planos de incentivos de longo prazo e projetos institucionais.
  • Cancelamento futuro de ações: destinar parte das ações recompradas para cancelamento — o que reduziria a base de papéis em circulação e concentraria a distribuição de dividendos em menos quotas.

Essa dualidade de propósitos é relevante para o investidor: em um primeiro momento, o banco pode entregar ações aos seus colaboradores; mas há também a perspectiva de parte das aquisições acabarem canceladas, o que tende a ser positivo para os acionistas remanescentes em termos de alíquota por ação.

Recursos financeiros: de onde sai o dinheiro para a recompra?

O Itaú detalhou que, em 31.12.2025, dispunha dos seguintes montantes de recursos considerados elegíveis para a recompra de ações próprias:

  • R$ 2.873.374.501,30 em Reservas de Capital;
  • R$ 57.106.300.244,18 em Reservas de Lucros.

Esses números mostram que o banco parte de uma base de capital robusta para executar o novo programa de até 200 milhões de ações preferenciais, ainda que o fato relevante não especifique um teto de investimento financeiro em reais, mas sim um volume máximo de papéis. As compras serão feitas a valor de mercado, portanto, o custo total dependerá da cotação média das ITUB4 ao longo dos próximos meses.

O que muda para investidores

O Fato Relevante destaca os efeitos econômicos esperados, que impactam diretamente quem já é ou pretende se tornar acionista do Itaú:

  • Maior retorno em dividendos por ação: na hipótese de cancelamento de ações, o total de papéis em circulação diminui. Com isso, o pagamento de dividendos passa a ser distribuído para um número menor de ações, beneficiando proporcionalmente quem fica na companhia.
  • Aumento de participação relativa do acionista: com a redução de papéis em circulação, o percentual de participação de cada investidor tende a aumentar, mesmo sem o aporte de novos recursos.
  • Otimização do uso do caixa: ao recomprar ações próprias, o banco sinaliza que enxerga valor em sua própria estrutura de capital, usando parte de recursos já disponíveis para gerar mais retorno aos acionistas, em vez de mantê-los ociosos.
  • Alteração de indicadores de capital: a operação gera ajustes em Índices de Capital, conforme exigência regulatória, mas o Itaú avalia que a recompra do total de 200 milhões de ações não acarretará efeitos contábeis relevantes nos resultados globais da companhia.

Além disso, o conselho de administração afirmou estar confortável quanto ao impacto na capacidade de pagamento de dívidas e de dividendo obrigatório. A avaliação é de que não haverá prejuízo ao cumprimento de obrigações assumidas com credores nem ao pagamento de dividendos, dada a forma como o Itaú gerencia suas reservas de liquidez.

Governança, controle acionário e prudência regulatória

O Itaú reforçou um ponto importante: a recompra de ações próprias não afetará a estrutura administrativa nem a composição do controle acionário, uma vez que o banco possui bloco de controle definido há muitos anos.

Do ponto de vista operacional, a nova fase de recompras terá as seguintes características:

  • Contrapartes: contrapartes desconhecidas, pois todas as aquisições serão feitas em bolsa de valores.
  • Intermediador: Itaú Corretora de Valores S.A., com sede em São Paulo (SP).
  • Derivativos: sem uso de instrumentos derivativos.
  • Orientções de voto: sem qualquer tipo de acordo ou orientação de voto entre o banco e eventuais vendedores das ações.

Para investidores, isso significa que a operação foi planejada para transitar dentro das regras de mercado, sem artifícios complexos ou instrumentos derivativos, mantendo o alinhamento com as normas da CVM e com a transparência esperada de uma instituição do porte do Itaú Unibanco.

Timing e contato com o mercado

O fato relevante foi registrado em São Paulo (SP), em 04 de fevereiro de 2026, e divulgado por Gustavo Lopes Rodrigues, diretor de Relações com Investidores do Itaú, reforçando o peso institucional da medida.

Investidores interessados podem acompanhar as informações financeiras da companhia, incluindo a Demonstração do Fluxo de Caixa e outras demonstrações contábeis, diretamente no canal oficial de Relações com Investidores do banco.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.