O banco JPMorgan ajustou sua visão para Itaúsa (ITSA4), controladora do Itaú Unibanco (ITUB4), elevando o preço-alvo das ações para R$ 17,50 em dezembro de 2026, o que aponta para potencial de retorno total de 26%, impulsionado pela esperada redução do desconto sobre o NAV (Valor Patrimonial Líquido) de 22% atuais para apenas 10%, graças à reforma do ICMS que elimina ineficiências fiscais de R$ 700 milhões anuais.
Preferência relativa e recomendações
O JPMorgan mantém recomendação overweight (posição acima da média do Ibovespa, similar a uma visão de acumulação) tanto para Itaúsa quanto para Itaú, mas destaca preferência pela holding em detrimento da controlada, devido à convergência do desconto de NAV para níveis mais atrativos.
Evolução recente do desconto de NAV
O desconto da Itaúsa em relação ao seu NAV encolheu nos últimos meses, saindo de cerca de 25% no terceiro trimestre de 2024 para 22,3% no momento atual, com o papel superando o desempenho do Itaú em 3,0 pontos percentuais no acumulado do ano.
| Período | Desconto de NAV (%) |
|---|---|
| 3T24 | 25 |
| Atual | 22,3 |
| Histórico projetado | 15 |
| Após reforma (justo) | 10 |
Eliminação da ineficiência tributária
Analistas do JPMorgan atribuem cerca de 5% do desconto de NAV à ineficiência fiscal da Itaúsa, que será extinta com a implementação da reforma tributária. A partir de janeiro de 2027, o PIS/COFINS será absorvido pelo novo regime de VAT (Imposto sobre Valor Agregado, composto por CBS e IBS), deixando de tributar receitas financeiras, que incidem apenas sobre bens e serviços. Sob o regime cumulativo atual, a alíquota de 9,25% gera carga de R$ 500 milhões anuais apenas sobre receitas, caindo para zero.
Estrutura de holding e tributação dupla de JCP
A configuração societária agrava o problema: a Itaúsa detém 66,5% da Iupar, que por sua vez controla 26,15% do Itaú. Isso implica tributação dupla em quase metade dos fluxos de JCP (Juros sobre Capital Próprio), adicionando R$ 200 milhões de ineficiência por ano, totalizando R$ 700 milhões. Em 2026, último ano das regras vigentes, o efeito pode se ampliar com taxas de longo prazo elevadas, como a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), permitindo maiores desembolsos de JCP. A holding registra imposto efetivo próximo de zero, graças a ativos fiscais diferidos de R$ 1 bilhão, com o ônus recaindo sobre o lucro líquido.
| Componente | Impacto Anual (R$ milhões) |
|---|---|
| PIS/COFINS sobre receitas | 500 |
| Tributação dupla em JCP | 200 |
| Total ineficiência | 700 |
Impacto no valor de mercado
Negociando a 8 vezes o lucro (P/L forward), a eliminação dessa distorção equivale a R$ 6 bilhões em valor de mercado para a Itaúsa, representando cerca de 4% do total atual, com o banco revisando o desconto justo de 15% para 10%.
| Métrica | Valor Anterior | Novo Valor |
|---|---|---|
| Preço-alvo (dez/2026) | R$ 13,50 | R$ 17,50 |
| Upside preço | - | 18% |
| Dividend yield | - | 7,5% |
| Retorno total | - | 26% |
Potencial IPO da Aegea
O JPMorgan enxerga o possível IPO (Oferta Pública Inicial) da Aegea como catalisador positivo, ao elevar a liquidez dos ativos e permitir reavaliação além do valor contábil registrado atualmente.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física brasileiro, a transição tributária reforça o apelo da Itaúsa como exposição diversificada ao setor financeiro, com yields sustentados pelo Itaú e ganhos potenciais de eficiência fiscal em um cenário de Selic elevada e inflação (IPCA) controlada. No otimismo, compressão adicional do desconto de NAV e IPO da Aegea amplificam retornos acima de 26%; no pessimismo, atrasos na reforma ou alta inadimplência no banco pressionam o NAV. Fique atento a divulgações trimestrais de JCP, evolução do compulsório bancário via BC e indicadores macro como CDI e câmbio, que influenciam margens e fluxos de dividendos na B3.
Riscos
A Itaúsa enfrenta riscos principalmente nos investimentos em subsidiárias:
- Itaú Unibanco: crescimento de crédito abaixo do esperado, elevação de provisões para inadimplência, compressão da NIM (margem financeira de juros), queda em eficiência operacional e regulação governamental reduzindo spreads bancários.
- Outras units: Dexco (DXCO3), Alpargatas (ALPA4) e Motiva (MOTV3) com desempenho fraco, levando a impairment em ativos ilíquidos precificados a valor contábil.
- Diversificação excessiva via aquisições ineficientes fora do core Itaú.
- Conflitos de agência entre controladores (famílias Villela e Setúbal) e minoritários, dada a visão de longo prazo das fundadoras do Itaú.
Acompanhe indicadores operacionais das subsidiárias, relatórios de resultados na B3 e avanços na reforma tributária até janeiro de 2027, além de eventuais anúncios sobre o IPO da Aegea e dinâmicas de TJLP/JCP em 2026.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.