A Jalles Machado S.A. (B3: JALL3) divulgou, em 16 de junho de 2026, seu fato relevante com o guidance (projeções oficiais) para a safra de cana-de-açúcar 2026/2027. A companhia projeta crescimento robusto no volume de cana processada, uma guinada estratégica no mix de produção priorizando o etanol em detrimento do açúcar, e redução nos investimentos em Capex, refletindo maior foco em eficiência operacional e disciplina financeira.
Crescimento no processamento e recuperação da produtividade
Para a safra 2026/2027, a empresa projeta processar 7,8 milhões de toneladas de cana, alta de 10,2% frente ao resultado estimado da safra 2025/26 (7,076 milhões de t). A taxa de utilização da capacidade instalada deve atingir 86,7%, indicando melhor aproveitamento das unidades. A produtividade agrícola média (medida em TCH, ou Toneladas de Cana por Hectare) também apresenta recuperação projetada de 8,0%, chegando a 80,4 t/ha.
A melhora no campo deve ser impulsionada por todas as unidades operacionais:
- Unidade Santa Vitória: projeção de salto de 18,2% no TCH (70,4 t/ha);
- Unidade Jalles Machado: alta de 6,5% (85,7 t/ha);
- Unidade Otávio Lage: crescimento de 2,0% (86,2 t/ha).
Já a ATR média (Açúcar Total Recuperável, indicador que mede a qualidade e o teor de açúcar na cana colhida) deve recuar 1,6%, ficando em 137,1 kg/t, reflexo natural das condições agrícolas esperadas para o ciclo.
Virada estratégica no mix: mais etanol, menos açúcar
O documento destaca uma alteração clara na estratégia de moagem. O guidance aponta que o mix de produção para etanol saltará para 59,0% (+5,5 pontos percentuais em relação ao realizado em 2025/26), enquanto o açúcar recuará para 41,0% da cana processada.
Em termos de volume absoluto, a projeção indica:
- Etanol: 372,0 milhões de litros (alta de 18,0%);
- Açúcar: 418,1 mil toneladas (queda de 4,2%).
A decisão reflete uma resposta ágil aos sinais de mercado, buscando maior rentabilidade e flexibilidade comercial diante da volatilidade das commodities, além da demanda sustentada pelo biocombustível no mercado interno.
Controle de custos e redução do Capex
Na frente de investimentos, a Jalles Machado sinaliza um ciclo de maior prudência. O Capex total (despesas de capital) para 2026/2027 está projetado em R$ 610,3 milhões, redução de 9,8% em relação aos R$ 676,5 milhões aplicados na safra anterior. Quando somados os tratos culturais (custos de manejo e preparo agrícola), o total investido chega a R$ 1,087 bilhão, queda de 5,0%.
Os R$ 610,3 milhões serão direcionados principalmente para:
- Melhorias Operacionais: R$ 73,3 milhões (-36,9%);
- Expansão de Ativo Biológico: R$ 36,4 milhões;
- Recorrente/Manutenção de Entressafra: R$ 467,3 milhões (-4,5%);
- Irrigação: R$ 33,3 milhões (alta de 54,8%, visando maior segurança hídrica).
O que muda para investidores
A divulgação do guidance 2026/2027 por parte da Jalles Machado (JALL3) traz pontos de atenção para a modelagem financeira e o acompanhamento de resultados:
- Foco em geração de caixa: A redução no Capex e o controle nos custos recorrentes sugerem prioridade na expansão do fluxo de caixa livre, cenário que pode sustentar políticas de remuneração aos acionistas ou alavancagem de balanço.
- Exposição ao etanol: O aumento expressivo no mix e no volume do biocombustível torna a receita da empresa mais correlacionada aos preços do hidratado e à política de preços dos combustíveis no Brasil.
- Eficiência agrícola: A projeção de alta no TCH e no processamento indica recuperação produtiva, mas o mercado deve acompanhar a realização da safra e o comportamento da ATR, que impacta diretamente o rendimento industrial e as margens.
O documento foi elaborado em conformidade com a Resolução CVM nº 44 e reforça as práticas de transparência corporativa do grupo, com a equipe de Relações com Investidores disponível para esclarecimentos adicionais.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
