A alta de 50% registrada pelas ações da Usiminas (USIM5) no acumulado de 2026 ainda não incorpora, na visão do Itaú BBA, um dos principais vetores de valorização: a possibilidade de recuperação fiscal via Juros sobre Capital Próprio (JCP, mecanismo de distribuição de lucros com dedutibilidade fiscal) não creditados desde 1996. Após recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no “Tema 1.319”, que estabelece parâmetros para o pagamento desses rendimentos históricos, a corretora estima benefícios que podem variar entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,6 bilhões, correspondendo a 15% a 32% do valor de mercado atual da siderúrgica.

A Mecânica Tributária e o Fluxo de Caixa Potencial

O arcabouço jurídico criado pelo STJ gera uma opcionalidade relevante para o caixa da companhia. A eventual monetização desses créditos tributários poderia injetar liquidez significativa e impulsionar a geração de fluxo de caixa livre nos próximos exercícios. O Itaú BBA, contudo, optou por excluir essa variável de seus modelos financeiros no momento. A cautela decorre da incerteza quanto ao ritmo de concretização do recebimento e da real capacidade da Usiminas de distribuir esses valores efetivamente aos acionistas. Analistas do banco sinalizam que, à medida que o cenário ganhar transparência, a tese de investimento poderá ser revisitada.

Dinâmica de Preços no Mercado Siderúrgico Nacional

Para além do viés fiscal, a instituição identifica uma recuperação estruturada na demanda doméstica de aço. Reajustes de preços já começam a se materializar, lastreados pelo encarecimento dos fretes e pela valorização do metal no mercado global, fenômeno intensificado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos. Na avaliação do Itaú BBA, as medidas antidumping ainda não encontram reflexo completo na precificação interna. A projeção indica um ambiente de maior equilíbrio a partir do terceiro trimestre de 2026, com redução esperada no volume de importações.

Refletindo esse otimismo cauteloso, a instituição elevou suas projeções de Ebitda (sigla para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, que indica o lucro operacional bruto antes de despesas financeiras e contábeis) para os exercícios de 2026 e 2027. As novas estimativas posicionam-se entre 20% e 30% acima da mediana dos consensos de mercado.

Indicador FinanceiroValor / ProjeçãoVariação / Contexto
Cotação Atual (11h15)R$ 9,17Alta de 1,55% no pregão
Preço-Alvo (fim de 2026)R$ 11,00Potencial de valorização de 22%
Projeção de Ebitda (2026-2027)20% a 30% acima do consensoRevisão positiva do Itaú BBA
Impacto Potencial de JCP RetroativoR$ 1,7 bi a R$ 3,6 biEquivale a 15% a 32% do valuation

O que isso significa para o investidor

A convergência entre uma possível bonificação fiscal e a melhora cíclica no setor de commodities siderúrgicas desenha um cenário de expansão de múltiplos para o ativo. No contexto macroeconômico brasileiro, a trajetória de crescimento projetada para o lucro operacional e o eventual fortalecimento da geração de caixa podem servir como lastro para políticas de distribuição de capital, mesmo em ambientes de oscilação da Selic ou do CDI. Para o investidor pessoa física, a variável crítica reside na materialização do ganho jurídico e na sua tradução efetiva para o balanço patrimonial. Um cenário positivo dependeria da celeridade na homologação dos valores e da manutenção da disciplina de custos da companhia.

Fatores de Atenção e Riscos

  • Incerteza jurídica e temporal: O cronograma de efetivo recebimento dos créditos retroativos permanece indefinido, postergando o impacto no caixa.
  • Capacidade de distribuição: A existência de um crédito contábil não garante a liberação imediata via JCP, dependendo de aprovação do conselho e disponibilidade real de recursos.
  • Volatilidade geopolítica: Tensões entre Irã e Estados Unidos podem gerar oscilações abruptas no preço global do aço e nos custos de logística internacional.
  • Eficácia das barreiras comerciais: A redução efetiva das importações e a sustentação dos reajustes internos dependem da continuidade e fiscalização das políticas antidumping.

O acompanhamento dos relatórios trimestrais ao longo de 2026 será determinante para validar se a alta dos preços domésticos se consolidará a partir do terceiro trimestre e para monitorar os desdobros processuais no STJ que podem destravar a receita fiscal extraordinária.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.