O banco JPMorgan revisou para baixo as projeções e os preços-alvo de Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM Brasil (TIMS3) logo após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. O ajuste reflete uma combinação entre a elevação das taxas livres de risco nos Estados Unidos — que encarece o custo de capital no modelo de avaliação — e uma leitura mais conservadora sobre a expansão futura de margens operacionais. Apesar do corte, a instituição financeira mantém a preferência por TIMS3 em relação a VIVT3 no cenário doméstico.

Revisão de Preços-Alvo e Recomendações

A revisão incorporou a realidade dos resultados recentes, com o banco ajustando suas projeções para o horizonte de dezembro de 2026. Para a Vivo, o preço-alvo foi reduzido de R$ 35 para R$ 33, mantendo-se a classificação underweight (que indica expectativa de desempenho inferior à média do mercado). Nesse patamar, o ativo apresenta potencial de desvalorização de 7% no preço, ou de 1% quando considerados os dividendos. Já para a TIM, o novo alvo caiu de R$ 26,50 para R$ 24,50, com recomendação reiterada como neutra. A perspectiva de retorno se mantém positiva em 9% pelo preço da ação, ampliando-se para 18% ao incluir a remuneração por proventos.

AtivoPreço-Alvo AntigoPreço-Alvo NovoRecomendaçãoPotencial (Preço)Potencial (Com Dividendos)
VIVT3R$ 35R$ 33Underweight-7%-1%
TIMS3R$ 26,50R$ 24,50Neutra9%18%

Às 11h15 da sessão, o mercado já precificava parcialmente o movimento: VIVT3 operava com baixa de 0,65%, cotada a R$ 35,17, enquanto TIMS3 registrava leve alta de 0,09%, a R$ 22,52.

Ajustes nas Projeções de Receita e EBITDA

O núcleo da revisão reside na expectativa de menor espaço para ganhos de eficiência operacional, após um primeiro trimestre de 2026 considerado abaixo do necessário para sustentar margens expansivas. Para VIVT3, as estimativas de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foram reduzidas em 2,7% para 2026 e em 0,3% para 2027. A receita recebeu ajustes modestos, puxados pela expansão da rede de fibra óptica (FTTH, tecnologia que leva cabos de fibra diretamente até a residência) e pela demanda em soluções digitais corporativas (B2B, sigla para business-to-business).

No caso da TIM, houve incorporação da V8tech às projeções, elevando a estimativa de receita de serviços em 0,9% para 2026 e 1,3% para 2027. Contudo, o EBITDA ajustado sofreu corte de 1,7% em 2026 e 0,5% em 2027. A perspectiva moderada para margens foi agravada pelo aumento nas despesas de arrendamento (leasing), que pressionam diretamente a métrica de EBITDA ajustado excluídos os efeitos do IFRS 16 (norma contábil internacional que obriga o reconhecimento de ativos e passivos de locações no balanço).

Avaliação de Múltiplos e Fluxo de Caixa

Do ponto de vista da geração de caixa, o JPMorgan estima que ambas as operadoras apresentarão trajetória semelhante de crescimento no Fluxo de Caixa Operacional Livre (recursos disponíveis para acionistas e credores após as despesas de manutenção e investimentos essenciais) no período entre 2026 e 2029. O diferencial, segundo o banco, está no valuation.

Atualmente, a TIM é negociada a 8 vezes o múltiplo de EV/OpFCF projetado para 2026 (Valor da Empresa dividido pelo Fluxo de Caixa Operacional), enquanto a Vivo opera a 10,7 vezes, reforçando a tese de atratividade relativa da primeira.

O que isso significa para o investidor

A mensagem central do banco indica que o ciclo de revalorização pura do setor de telecomunicações no Brasil já foi amplamente precificado, e o mercado agora exige entregas operacionais consistentes para sustentar os níveis atuais de cotação. Em um cenário macroeconômico de taxa Selic elevada e custos de captação pressionados globalmente, investidores devem monitorar a capacidade das companhias em converter receita de fibra e dados móveis em expansão real de margem líquida. A preferência por dividendos como vetor de retorno ganha ainda mais relevância quando o upside cambial se estreita e o prêmio por risco aumenta.

Riscos e Fatores de Atenção

  • Limitações na expansão de margens devido à saturação de ganhos de eficiência operacional observados no primeiro trimestre de 2026.
  • Aumento do custo médio ponderado de capital (WACC, métrica que calcula o custo de financiamento da empresa ponderado pela sua estrutura de dívida e patrimônio) em razão da alta nas taxas dos EUA.
  • Pressão de despesas com contratos de leasing sobre o EBITDA ex-IFRS 16.
  • Ambiente competitivo no setor, que, apesar de saudável, exige aporte contínuo de capex para manutenção de market share.

Perspectiva e Próximos Passos

O mercado acompanhará o desdobramento das estratégias de fibra e B2B nos próximos releases trimestrais, além da evolução das taxas de juros internacionais que balizam o desconto dos fluxos de caixa futuros. Para exposição regional, o JPMorgan direciona o olhar para nomes como Millicom International Cellular (Tigo), Telecom Argentina e Megacable Holdings, vistos com maior espaço de valorização no cenário latino-americano atual.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.