Analistas do JPMorgan apresentaram projeções para os balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) de empresas do setor de educação, período geralmente menos impactante pela falta de captação de alunos em trimestres pares. O relatório enfatiza a consistência da Ânima (ANIM3), preparada para ganhos com a redução da Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), enquanto Cogna (COGN3) e Ser (SEER3) enfrentam quedas próximas a 10% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
| Empresa | Ticker | Recomendação | Preço-alvo | Ebitda ajustado 4T25 vs consenso |
|---|---|---|---|---|
| Afya | AFYA | Neutra | US$ 22,00 | Em linha |
| Ânima | ANIM3 | Compra | R$ 9,00 | Em linha |
| Cogna | COGN3 | Compra | R$ 6,00 | -11% |
| Ser Educacional | SEER3 | Compra | R$ 19,50 | -10% |
| Yduqs | YDUQ3 | Neutra | R$ 21,00 | +3% |
Afya (AFYA)
A operação da Afya é considerada premium e gerida com eficiência, mas sem catalisadores imediatos de alta, mantendo recomendação neutra e preço-alvo de US$ 22,00. Sua baixa alavancagem (endividamento) a posiciona como a menos favorecida entre pares com maiores dívidas diante dos cortes na Selic. Para 2026, o Ebitda ajustado deve alcançar cerca de R$ 1,749 bilhão, alta de 9% ante o ano anterior e 1% superior ao consenso, embora com desaceleração frente aos 15% do terceiro trimestre, devido a investimentos em educação continuada e base de comparação mais dura. A receita líquida avança 9%, puxada por 14% na pós-graduação e 8% em medicina, com tickets médios (preços médios cobrados) subindo 2%. O lucro ajustado cresce apenas 1%, ante 17% no trimestre anterior.
Ânima (ANIM3)
O JPMorgan vê a Ânima como a companhia mais exposta aos benefícios do ciclo de queda da Selic, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9,00, valor ainda não refletido nas cotações. No 4T25, a receita consolida alta de 5,1%, totalizando R$ 4,202 bilhões no ano, liderada por expansão de 9% no ensino a distância (EAD) e na Inspirali (área de medicina). A margem de Ebitda se mantém estável em 32,8%, graças ao controle de custos em transição operacional rotineira. O lucro ajustado para o trimestre fica negativo em R$ 15 milhões, mas as estimativas para 2026 e 2027 sobem até 13% acima do consenso. A menor vulnerabilidade a novas regras para o EAD eleva sua previsibilidade frente a concorrentes.
Cogna (COGN3)
O 4T25 reserva desafios intensos para a Cogna, com receita avançando apenas 5% após 19% no terceiro trimestre, impactada pelo fraco desempenho da Kroton e postergação de entregas do programa nacional de livros para 2026. A margem de Ebitda ajustada encolhe 4,3 pontos percentuais, gerando Ebitda 11% abaixo do consenso e 7% menor que o ano anterior, o que pode frustrar expectativas. O preço-alvo foi ajustado de R$ 6,50 para R$ 6,00, mas a recomendação de compra persiste pela valuation atrativo e expansão na educação básica (K12).
Ser Educacional (SEER3)
Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,50, a Ser se destaca pela maturação do mix de receitas, prevendo cursos de medicina em 30% do total até 2031. No 4T25, receita líquida sobe 9% em linha com o consenso, mas Ebitda ajustado chega a R$ 601 milhões, 10% abaixo das projeções por margem expandindo só 0,4 ponto percentual. As 480 vagas de medicina dos últimos dois anos sustentam otimismo, com lucro de R$ 217 milhões em 2026, apesar de ajustes marginais nas estimativas.
Yduqs (YDUQ3)
A visão neutra para Yduqs reflete dificuldade em cumprir metas de LPA (lucro por ação) de R$ 1,70 a R$ 2,00 em 2025, com projeção de R$ 1,52, priorizando lucros sobre FCF (fluxo de caixa livre). Receita acelera para 7% ante 5% anterior, com Premium e presencial em 11%. Ebitda ajustado de R$ 450 milhões (+14% a/a) supera consenso em 3%, com margem 2,5 pontos percentuais melhor (consenso 1,7 p.p.). Preço-alvo em R$ 21,00 depende do macro.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física no Brasil, as projeções ilustram como a trajetória da Selic influencia diferentemente as empresas: aquelas com maior endividamento, como Ânima, capturam mais ganhos com juros menores, reduzindo despesas financeiras, enquanto Afya sofre menos exposição positiva. Em cenário otimista de Selic caindo abaixo do CDI (taxa de referência interbancária), companhias com foco em medicina e EAD podem mostrar resiliência; pessimista, com inflação (IPCA) pressionando, margens já apertadas em Cogna e Ser agravam desacelerações. Fatores como execução operacional e mix de produtos demandam monitoramento próximo aos resultados da B3.
Riscos
- Baixa alavancagem da Afya limita ganhos com Selic em baixa comparado a endividados.
- Novas regulamentações no EAD afetam menos Ânima, mas pares enfrentam maior incerteza.
- Adiamento de programas governamentais, como livros na Cogna, pressiona receitas de curto prazo.
- Aumento de vagas médicas gera pressão nos tickets em Ser Educacional.
- Dificuldade da Yduqs em metas de LPA por foco em lucros ante FCF, sensível ao macroeconômico.
Os próximos balanços do 4T25, conforme calendário da B3, revelarão se as estimativas se confirmam, especialmente em margens e exposição à Selic, com atenção para 2026 em medicina e educação básica como catalisadores de longo prazo.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
