Em meio à continuidade das operações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, as taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro, instrumento derivativo negociado na B3 que reflete expectativas de juros futuros) registraram quedas expressivas nesta quarta-feira, 4 de março, após disparada na véspera, impulsionadas por um movimento de alívio nos mercados internacionais e recuo do dólar frente ao real.

Recuo das taxas na curva de juros brasileiros

A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028 ajustou em 12,78%, com retração de 9 pontos-base (pb) em relação aos 12,871% do pregão anterior. No trecho mais longo da curva, o DI para janeiro de 2035 terminou em 13,445%, 10 pb abaixo dos 13,549% anteriores. Durante o dia, o contrato de janeiro de 2028 chegou a mínima de 12,760% às 13h03, queda de 11 pb ante o fechamento prévio.

VencimentoTaxa anterior (%)Taxa final (%)Variação (pb)
Janeiro/202812,87112,78-9
Janeiro/203513,54913,445-10

Conflito no Oriente Médio segue em curso

O embate iniciado no sábado prosseguiu nesta quarta-feira, com declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmando domínio americano sobre o ritmo do confronto, que poderia se estender por até oito semanas. Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária ampliou influência nas decisões bélicas, sustentando ataques com drones e mísseis pela região. Apesar das ações em andamento de EUA e Israel contra Teerã, surgiram indícios de contatos secretos entre agentes iranianos e autoridades americanas visando negociações, embora com ceticismo quanto a uma desescalada imediata sob os governos Trump e iraniano.

Expectativas divididas para o Copom

Na terça-feira, a procura global por ativos seguros elevou as apostas de que o Banco Central iniciará o ciclo de redução da Selic — atual em 15% — com corte de apenas 25 pb na reunião deste mês do Copom (Comitê de Política Monetária), e não 50 pb. Analistas apontam que dados recentes de inflação acima das projeções, aliados aos impactos do conflito, tornam um movimento mais agressivo menos provável, dada a cautela prévia da autoridade monetária.

Os mercados mostram sensibilidade extrema, com qualquer sinal positivo gerando compras em ativos de risco após vendas intensas prévias, embora o cenário geopolítico permaneça inalterado. Iniciar o ciclo com corte de 50 pb ficou oneroso para o BC, considerando inflação persistente e guerra.

Parafraseado a partir de comentários do analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.

Mercado internacional e Treasuries

No exterior, os rendimentos dos Treasuries (títulos soberanos dos EUA) avançaram ao longo do dia, às 16h31 com o de 10 anos — benchmark global — em 4,077%, alta de 2 pb, refletindo menor busca por refúgio e temores inflacionários decorrentes do conflito.

Desdobramentos no setor financeiro brasileiro

Sem influência direta sobre a curva de juros, destacou-se a deflagração de nova etapa da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, resultando na prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, com mandados contra o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza — afastado do cargo e obrigado a usar tornozeleira eletrônica — e o servidor Bellini Santana.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, o recuo nas taxas DI sinaliza temporário alívio na precificação de juros futuros, mas a persistência da guerra pode elevar custos inflacionários via commodities e câmbio, pressionando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e adiando cortes mais amplos na Selic. Cenário otimista envolve negociações rápidas, favorecendo renda variável e fixa prefixada; pessimista prolonga tensões, beneficiando pós-fixados atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Manter foco no diferencial entre Selic e Treasuries influencia fluxos para emergentes como o Brasil.

Riscos

  • Inflação acima do esperado, limitando espaço para cortes agressivos no Copom.
  • Prolongamento do conflito no Oriente Médio, com impactos em preços de energia e alimentos.
  • Ceticismo em negociações de paz, mantendo aversão global a risco.
  • Volatilidade cambial, com dólar volátil ante o real afetando carry trade.

Acompanhar a deliberação do Copom neste mês e atualizações sobre o conflito servirá como catalisadores principais, além de indicadores inflacionários domésticos e fluxo de Treasuries.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.