Após dois meses de operação no Brasil, a Keeta, plataforma chinesa de delivery do grupo Meituan, decidiu adiar indefinidamente sua estreia no Rio de Janeiro. A principal razão? Supostas práticas anticompetitivas de concorrentes como o iFood, que controla 80% do mercado nacional através de contratos exclusivos com redes de restaurantes. O adiamento da capital fluminense afeta planos ambiciosos de expansão que previam 15 cidades metropolitanas até junho e mil municípios até o fim de 2025.
Concorrência e exclusividade
Em comunicado, o CEO Tony Qiu revelou que a Keeta cadastrou 17.000 restaurantes e 27.000 entregadores desde seu desembarque em julho de 2024 - mesmo sem operar comercialmente. A companhia estima que mais de 50% das 800 redes nacionais com mais de cinco unidades estão "bloqueadas" por exclusividades firmadas antes de sua entrada, o que caracteriza barreira de acesso. O executivo destacou que, diferentemente do modelo regulatório chinês onde a exclusividade é ilegal, o mercado brasileiro permite cláusulas que dificultam a concorrência.
| Região | Status da exclusividade | Impacto no mercado |
|---|---|---|
| China | Ilegal | Rivalidades com múltiplas plataformas |
| Oriente Médio | Parcialmente restrita | Concorrência regulada |
| Hong Kong | Permitida com limites | Variedade de players |
| Brasil | Sem limitação legal | Dominância de único player |
Batalhas no Cade
Em agosto de 2024, a Keeta protocolou reclamação formal no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) contra a 99Food, afiliada ao iFood, acusando uso de cláusulas restritivas. O caso ainda aguarda análise, embora o iFood tenha assinado termo de compromisso em fevereiro de 2023 com proibição de exclusivas para redes com mais de 30 estabelecimentos. Apesar disso, o executivo afirma que mecanismos para limitar entrantes persistem nos bastidores.
Modelo de remuneração contestado
O projeto de lei que define R$8,50 como valor mínimo por entrega - sob análise na Câmara Federal - gera debate setorial. Segundo Tony Qiu, "a remuneração deve equilibrar produtividade dos entregadores (mais pedidos/hora) com custos acessíveis para consumidores". O CEO descarta a proposta como fator imediato de expansão, já que a legislação ainda não foi aprovada. Atualmente, o recebimento varia conforme densidade de pedidos, distância média e tempo de rota.
O que isso significa para o investidor
Dois vetores merecem atenção: primeiro, o setor de delivery alimenta dúvidas sobre sustentabilidade da liderança do iFood diante de mudanças regulatórias. Segundo, a entrada de capital estrangeiro (a Keeta já injetou US$1 bilhão em seu plano de expansão) indica maturidade do mercado, mas esbarra em barreiras operacionais. Investidores devem monitorar indicadores como: 1) Evolução das ações no CADE; 2) Impacto da lei de remuneração mínima na margem setorial; 3) Estratégias das startups para atrair micronegócios livres de exclusividade.
Riscos identificados
- Prolongamento da disputa regulatória sem alterações no status quo anticompetitivo
- Sanções legais contra plataformas por violação de condutas acordadas
- Inflação de custos operacionais caso o valor mínimo por entrega seja aprovado
Perspectiva e Próximos Passos
A Keeta reiterou seu compromisso de longo prazo com o Brasil, mantendo o plano de investimento previsto para 2025-2030. O foco imediato será ampliar a base de restaurantes livres de exclusividade em São Paulo. A expectativa é que a estreia carioca ocorra apenas após resolução do impasse antitruste. O CADE deve divulgar decisão sobre a reclamação contra a 99Food no primeiro semestre de 2025.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
