Na tarde desta quarta-feira (24), o Conselho de Administração da Klabin (KLBN3, KLBN4 e KLBN11) aprovou a criação de um Programa de Recompra de Ações. A medida, comunicada ao mercado por meio de Fato Relevante, visa gerar valor ao acionista por meio de uma gestão mais eficiente da estrutura de capital e reflete a confiança da diretoria na performance operacional da empresa. O programa terá vigência de 18 meses, iniciando imediatamente e podendo ser executado até 24 de dezembro de 2027.
As ações adquiridas durante o período serão integralmente canceladas, sem possibilidade de retorno ao free float (mercado de ações em livre circulação). Essa estratégia tende a reduzir o número total de papéis em circulação, o que, em tese, concentra a base acionária e potencialmente eleva o lucro por ação (LPA) para os investidores remanescentes.
Detalhes do programa
De acordo com o documento oficial, o programa estabelece parâmetros claros para a execução das compras na B3. Confira os principais pontos:
- Volume máximo: Até 31.250.000 units, equivalentes a 31,25 milhões de ações ordinárias e 125 milhões de ações preferenciais. Isso corresponde a aproximadamente 3,0% das ordinárias e 3,3% das preferenciais em circulação.
- Prazo de vigência: 18 meses, entre 24 de junho de 2026 e 24 de dezembro de 2027.
- Execução: A Diretoria terá autonomia para definir o cronograma exato das compras, respeitando os preços de mercado na B3 S.A.
- Cenário atual: A companhia possui 4,83 bilhões de ações em circulação e cerca de 89,2 milhões em tesouraria.
O que muda para investidores
A recompra de ações pela própria empresa é uma ferramenta clássica de alocação de caixa. Ao retirar papéis do mercado e cancelá-los, a Klabin sinaliza que considera seus ativos atrativamente precificados. Para quem já possui papéis da papelaria, o efeito prático é uma diluição reversa, aumentando a participação proporcional e o valor intrínseco de cada cota remanescente.
O Conselho de Administração destacou que a operação é compatível com a saúde financeira da empresa. A administração reforçou que as recompras não comprometerão o pagamento de dividendos obrigatórios, as obrigações com credores ou a composição do controle acionário. A medida é vista como um mecanismo de flexibilização de caixa, sem impacto na estrutura administrativa ou na governança corporativa.
Fontes de recursos e intermediários
As aquisições serão custeadas por saldos de reservas de lucro e de capital, baseados nas demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2025, ajustados pelo resultado do ano corrente, conforme diretrizes da CVM (Resolução 77/2022). As operações de compra serão intermediadas no mercado por quatro grandes instituições financeiras: BofA Securities, BTG Pactual, Itaú Corretora e Santander Corretora.
Com o programa em andamento, o mercado acompanhará a execução das ordens e o ritmo de desinvestimento, que dependerá da liquidez disponível e das condições macroeconômicas ao longo do segundo semestre de 2026 e de 2027.
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